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Falta de moedas dificulta troco

28 de novembro de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS – A escassez de moedas em qualquer época do ano, no comércio de todo o país, não é novidade para ninguém, mas no segundo semestre de 2020, a situação piorou consideravelmente. Em Passos, por exemplo, os proprietários de estabelecimentos comerciais estão tendo que negociar com os clientes na hora de voltar troco abaixo de R$1.


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  • Cofrinhos
  • Custo

O consumidor que realiza compras em dinheiro acaba vendo comerciantes recorrendo a alguns artifícios – como dar balas e chicletes – para inteirar a diferença. Com o avanço das compras por meio de aparelhos celulares, cartões de crédito e débito, esse problema, no entanto, tem afetado menos pessoas. De todo modo, há ainda diversas transações que são feitas com dinheiro, como compras em lojas de pequeno porte, armazéns, bares, mercearias, ou com vendedores ambulantes e nas tradicionais feiras livres.

Em Passos, atacadões, hipermercados, magazines e outros estabelecimentos estão pagando entre 3% e 5% por quantia levada em moedas e também em notas de R$ 5, R$ 10 e R$ 20. Para cada R$ 100 que se leva aos caixas, a pessoa recebe de R$ 3 a R$ 5 a mais, o que dá uma ideia do grave problema de escassez no mercado.


Cofrinhos

Para todos os entrevistados pela reportagem, o problema da falta de troco no comércio popular são os tradicionais cofrinhos sem chave, chamados de poupança caseira, onde são colocadas cédulas e moedas de baixo valor. Quando estão cheios, a única maneira de ter o dinheiro de volta é quebrando-os, porque são produzidos de materiais resistentes.

Há muitas notas de R$ 200, R$ 100 e R$ 50 circulando por aí normalmente. O problema são as de menor valor e as moedas que estão guardadas em algum lugar, principalmente em casa. Isso dificulta demais a gente conseguir voltar troco”, comentou Elaine Gonçalves, varejista do ramo de confecções.

Essa é a mesma opinião de Alysson Santos, dono de uma pastelaria. “Não encontramos mais moedas de 50, 10 e 5 centavos. Até cédulas de R$ 5, R$ 10 e R$ 20 está difícil. Isso acontece ao longo dos anos, mas sempre a partir do segundo semestre a dificuldade é maior. Conheço pessoas que tem três, quatro ou mais cofrinhos para colocar dinheiro, e só abrem no final do ano”, disse.

O supermercadista Cláudio Gonçalves Lemos confirma que a falta de moedas e cédulas no comércio passense é crônico, e foi além:

Não são apenas as crianças e os adolescentes que guardam quase todas nos cofrinhos. Tem gente que planeja viagens, compra de veículos usados, ou um produto para casa, como TV, sofás, notebook, e vai juntando ao longo do ano. Quando chega dezembro, janeiro e fevereiro, o dinheiro volta a circular no mercado financeiro. No supermercado nunca chegamos ao caos, mas os caixas estão sempre com o repartimento de moedas quase vazios. Colocamos avisos para facilitar o troco, mas poucas pessoas o fazem”.


Custo

Uma explicação para esse fenômeno, segundo os analistas econômicos, seria que produzir moedas é mais caro que produzir cédulas. O governo optaria, portanto, por privilegiar cédulas, provocando falta de moedas no mercado brasileiro. Ao todo, 26,6 bilhões de moedas metálicas estão espalhadas pelo Brasil, mas, de acordo com o Banco Central (BC), 36% estão fora de circulação, elevando gastos, provocando desperdício e prejudicando o meio
ambiente.