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Existe um método para escrever bem?

26 de setembro de 2020

Saber escrever é um dom? Estou perguntando porque há pessoas que consideram que o ato de escrever é algo para poucos. Já adianto que, para mim, não faz o menor sentido pensar dessa maneira, já que vivemos na era da abundância do conhecimento. É verdade que esse conhecimento é, muitas vezes, requerido de forma rasa, no entanto, não há como não enxergar que escrever é algo essencial para o contexto atual.

O processo de escrita exige o conhecimento de intersecções da sociedade e isso depende, também, da compreensão do estilo da linguagem utilizada nas partes segmentadas dessa sociedade. Isso é fundamental. Muito longe de ser um dom, escrever é uma habilidade que pode ser adquirida. A ação escritora é passível de ser reconhecida como um processo complexo ou não. Tudo porque depende do tipo de escrita e do conhecimento prévio do escritor.

O que posso reafirmar é que o ato da escrita é mais transpiração que inspiração. No meu conceito, demonstrado em número, é mais ou menos assim: 99% de transpiração, o restante, inspiração. Há muito trabalho na escrita, inclusive para os poetas. Pensar, observar, fazer analogias, escolher as palavras certas, sentir etc, precisam de um tempo exigente.

Para simplificar, sem querer ser simplista, escrever é desafio, é trabalhoso, mas é possível. Se na fala, sabemos que “não existe falante de estilo único”, pois todos temos uma maneira peculiar de falar, o mesmo acontece com a ação de escrever. Cada um possui uma característica e necessidade. Em realidade, tudo vira uma mistura, em um jogo intertextual que considera textos, contextos e discursos, onde somos parte do todo cooperando com algo que é nosso, mesmo que pequeno.

Cada um, a partir de vários métodos e técnicas, desenvolve o seu próprio jeito de escrever. Fui construindo um método e tenho me norteado por ele. Segue:

BEHAVIORISMO: observação da forma de construção de outros textos, marcada pela ação experimental;

ESTRATÉGIA: uma boa escrita depende de estratégias de leitura que me permitem construir sentidos de todos os modos, com perspectivas diferentes;

NATURALIDADE: identificar-se por meio do seu texto é mostrar para o seu leitor quem você é. Pelo texto devemos mostrar qual é a nossa essência, nossa autenticidade, enfim, nossa naturalidade;

DICIONÁRIO: as estratégias de leitura nos dicionarizam, isto é, construímos um aparato lexical. Além disso, o dicionário nos auxilia na coesão e na significação do texto;

INTERCOMPREENSÃO: necessitamos compreender os enunciados de outros falantes que pertencem a contextos parecidos. Essa compreensão é básica para a estratégia de nossa escrita;

TEXTUALIDADE: precisamos da noção clara sobre o sentido de texto, da intenção dele, nível de informação, coerência, coesão, compreensão da situação e qual é o diálogo que ele faz com outros textos;

ORGANIZAÇÃO: ter uma mente organizada para expressar por escrito os nossos pensamentos é ou deveria ser, o desejo dos que desejam escrever.

Esses são os meus parâmetros. Eles me ajudam. E você? Que tipo de prática tem feito para escrever um bom texto?

PROF. DR. ANDERSON JACOB ROCHA. Autor do livro: A Linguagem da Felicidade. Instagram: @prof_andersonjacob. Youtube: Prof.Dr. Anderson Jacob