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Ex-funcionários da Talento fazem protesto por pagamento de dívidas

9 de janeiro de 2021

ex-Funcionários da Talento manifestam mais uma vez em frente ao forum de passos. / Foto: Mayara Carvalho

PASSOS – A entrada do Fórum de Passos foi palco, mais uma vez, de uma manifestação de ex-funcionários da Talento contra a falta do pagamento de dívidas trabalhistas. A indústria têxtil fechou as portas em setembro de 2018 e deixou débitos com cerca de 200 trabalhadores.


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A ex-costureira Andréa de Castro Valério afirma não saber quando vai receber. Ela disse que trabalhou por quase duas décadas na Talento e foi dispensada sem receber nada. “Minha filha está na fila para cirurgia de ortopedia há dois anos. Trabalho dia e noite para tentar pagar esse tratamento. Sou cuidadora, sou garçonete, sou faxineira e cozinheira. Qualquer coisa que precisar de mim, eu faço”, contou. Na época que procurou saber sobre o acerto trabalhista, o valor estava em R$ 20 mil. Com uma espera de cerca de dois anos, ela afirma já não saber o valor total do pagamento.

Ouvi dizer que tem juros, então eu não sei. O que sei é que a loja está funcionando normalmente. A marca ainda vende e arrecada. Acredito que se a empresa quisesse pagar pelo menos uma pessoa por mês, já teriam pago boa parte dos funcionários”, disse

Vanilda de Fátima Teixeira, costureira que trabalhou por 12 anos na empresa, revela que, depois que a Talento deu baixa na carteira dos funcionários, em 2018, ainda trabalhou por mais um ano.

No entanto, esse um ano, 2019, foi sem carteira assinada. A gente costurava muito! Eles venderam muito. Não imaginei que, com a loja movimentando tantas mercadorias, seria dado um calote desse nos funcionários”, Teixeira afirma que a confecção está em funcionamento no Distrito Industrial, na saída sentido Itaú de Minas.

Pegávamos a rodovia e íamos para o Distrito. Costurávamos o dia todo e, no fim, nada de acerto. A dívida da empresa comigo beira os R$ 40 mil. O que não entendemos é o fato da loja continuar funcionando. Quem passa na Av. da Moda vê o estabelecimento de portas abertas com os mais variados modelos de roupas femininas. Isso só mostra que a Talento não tem um pingo de medo da Justiça ou do Ministério Público ir lá e fechar o local e isso é um absurdo. Não é porque eu estou trabalhando em outro local, agora, que não preciso do meu acerto. A vida não para e nem as contas. Eu não podia ficar sem trabalhar”, contou.


Dinheiro de leilões permanece bloqueado

De acordo com Daniel Machado, advogado trabalhista dos ex-funcionários da Talento, após dispensar os trabalhadores, a empresa colocou imóveis à disposição para quitar dívidas. Contudo, os imóveis estavam bloqueados pelo sequestro do Ministério Público Estadual e assim foi realizada uma audiência de cooperação para que a venda dos imóveis através de leilão pudesse ser feita.

A audiência de cooperação anterior foi realizada em julho de 2019, nela foi decidido que os imóveis fossem vendidos em leilão e 60% iriam para os empregados e 40% para o Estado, no entanto o próprio Estado recorreu da decisão de liberação do dinheiro, pedindo que o valor fosse depositado integralmente na Vara Criminal. O Ministério Público, em resposta a apelação, concordou com o Estado, pedindo que o dinheiro ficasse retido, por conta de suposta sonegação de impostos da empresa com a Receita Estadual.

Agora, a destinação do dinheiro será decidida pelo juiz criminal do município. Após essa decisão o Sindicato fez várias tentativas por meio ações como embargos de terceiros e mandado de segurança junto ao tribunal em Belo Horizonte, contudo, até momento sem sucesso. Desde o início do ano, a presidente do Sindicato dos trabalhadores nas Indústrias de Confecção, Calçados e Estamparias de Passos e Região, (Sticcep), Maria Deide dos Reis Alves, tem tentado marcar uma nova audiência de cooperação, no entanto, por conta da pandemia, não foi possível a realização.

A Folha tentou contato com o juiz criminal Matheus Queiroz, no entanto, o magistrado está de férias e só volta dia 18 de janeiro. Foi feito contato com o Ministério Público Estadual, porém, até o fechamento desta edição, não recebemos resposta.