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Escolhas e relacionamento

30 de junho de 2020

É muito bom e gratificante compartilhar ideias, pensamentos e reflexões de outras pessoas. Se alguém conhece bem determinado assunto, e guarda esse conhecimento para si, o mesmo não terá nenhum valor, pois, neste caso, é verdadeira a máxima que diz: “só se multiplica o que se reparte”. Curioso, não? Mas muito verdadeiro.

Pensando assim, quero repartir com vocês um texto de Sandra Maia. Ela “provoca o leitor a ampliar seu olhar sobre relacionamentos e tudo que diz respeito ao amor–próprio e ao que é direcionado aos outros. É um convite à autocrítica e reflexão, apontando alternativas para rever comportamentos, escolhas e crenças. Autora dos livros “Eu Faço Tudo por Você – Histórias e relacionamentos co- dependentes” e “Você está Disponível? Um caminho para o amor pleno”.

Vejamos: Esta semana, o tema da reflexão é algo que me encanta… Quero falar sobre a diferença de comportamento entre homens e mulheres – modernos e antigos.

Vamos pensar em modernos como sendo aqueles que vivem na época atual. São evolucionistas, progressistas, inquietos. E antigos, aqueles que vivem como outros que existiram em tempos precedentes ao nosso. São conservadores, apegados às tradições, temem a mudança.

Ser moderno é, no mínimo, difícil, eu diria. Primeiro, porque deveríamos ver e viver as relações de forma leve, descontraída – com a sabedoria dos que já viveram, amadureceram e sabem o valor de cada escolha. O problema é: como ter uma atitude moderna numa sociedade que pensa às antigas?
Falemos primeiro dos “Tradicionalismos”. Como ser moderno, se o que se espera de cada um de nós é tudo o que qualquer sociedade, com suas regras e leis, determina como direitos e deveres? Como ser moderno, se adoramos gentilezas tradicionais? Nestes nossos tempos “modernos”, a comunicação acaba sendo uma armadilha…

Celular, SMS, e-mails, Facebook, WhatsApp, Twiter, Skype etc, etc… ou seja, invadimos e somos invadidos todo o tempo. Queremos tudo do outro – ou não queremos nada. Esperamos que o outro – como um ‘Don Juan’ – conquiste-nos a cada segundo, a cada minuto… E nos esquecemos que nem mesmo Don Juan daria conta de tamanha disponibilidade, de tamanha liberdade de entrar e sair da vida de um outro, a qualquer momento do dia ou da noite…

Que trabalheira! É, meus caros, ser moderno dá trabalho. É preciso estar disponível para tudo e todos, a toda hora, aqui e agora… E, então, eis a escolha: como trocar todas essas possibilidades pela companhia de um único amor? Será isso possível? Será possível viver uma história de amor nesse mundo  virtual? Será que o outro aguentaria – ou melhor, estaria também disponível – para viver uma “loucura”? Para esquecer-se de pensar se está sendo antigo ou moderno?

A questão que fica e não quer calar é: viver nessa roda viva – 24 horas sobre 24 horas – com o outro, em qualquer desses meios de comunicação ou ao vivo e em cores, tira-nos a possibilidade de amadurecer. Crescer. Evoluir… É claro que o outro nos ajuda nessa missão. Mas não deveria ser o foco em si. Enquanto estamos por aí, esperando o telefone tocar, a mensagem chegar, o e-mail abrir, a vida passa…

Outro dia, escutei uma historia horrível… O namorado que obrigava a namorada a enviar as fotos de onde estava para que ele pudesse ter a certeza de que ela falava a verdade… Intimidade? Não, controle, posse, qualquer coisa que não é uma relação de amor…

Velhos tempos. Por isso tudo, às vezes, acredito que, em tempos antigos, a vida passava num outro ritmo. A ansiedade era diferente. O controle não era tão presente. As relações tinham como base o compromisso, a escolha. E não a falta de controle, a inexistência da autoestima, a falta do que fazer – ou melhor, o desamor pelo sonho, por si mesmo… O ser humano moderno, ao que parece, perdeu a conexão interna… E, como vivemos assim, “isolados”, a busca pelo outro se torna frenética ao invés de prazerosa, cheia de momentos felizes, de gentilezas e elegância…

Relacionamento, afinal, demanda troca. E isso quer dizer a existência de dois seres íntegros. Livres. Completos… Modernos ou antigos – mas ‘envolvidos’. Dá para mudar? Uma boa forma seria exercer o autocontrole e não o ‘controlar’ o outro… Saber o que vai dentro, o que precisamos, e não se perder tentando entender o que vai dentro do outro, o que este gostaria.
Escolhas, sempre escolhas” …