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Equipe de Itaú recebe treinamento para utilização de respiradores

Por Beatriz Silva / Redação

20 de Maio de 2020

Fisioterapeuta intensivista também alerta a população sobre as complicações do procedimento. / Foto: Divulgação

ITAÚ DE MINAS — Médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem de Itaú de Minas que atuam na assistência de casos suspeitos ou confirmados de covid-19 participaram, na última quinta-feira, 14, de dois treinamentos ministrados pelo fisioterapeuta intensivista Emerson Souza Melo, profissional que trabalha nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) da Santa Casa de Misericórdia de São Sebastião do Paraíso.

Durante o primeiro curso, a equipe foi instruída a respeito da intubação de pacientes infectados pelo Novo Coronavírus e, em segundo momento, os mesmos profissionais foram alertados sobre o manuseio da ventilação artificial. Ressalta-se que, na atualidade, o território itauense possui dois ventiladores mecânicos e os municípios da região, em conjunto, contemplam pouco mais de 157
aparelhos.

Em entrevista à Folha, Michele Rios, enfermeira que participou do treinamento lembrou que, apesar da existência do aparelho de respiração no pronto socorro da cidade, o mesmo não era instalado no pronto atendimento. Desta forma, devido a nova pandemia, os “minicursos” foram fundamentais para atender à população de forma adequada.

Foi um treinamento básico, útil e muito objetivo. Os funcionários mais antigos do nosso município já haviam participado de algo semelhante, porém, por conta da cobid-19, foi necessário atualizar a todos”, disse.

Por sua vez, Emerson Souza Melo lembrou que, além da necessidade da capacitação de profissionais quanto ao uso dos ventiladores, também é fundamental que a população conheça os riscos e adversidades do procedimento, para que fiquem mais conscientes quanto a importância das medidas de afastamento e isolamento social.

Muitos não sabem que a intubação não se refere a uma simples máscara de oxigênio, mas sim, a um procedimento muito invasivo. A intubação é feita sob os efeitos de anestesia geral e impõe que o paciente fique duas ou três semanas sem se movimentar, com um tubo que vai até a traqueia, o qual permitirá que o paciente respire ao ritmo da máquina”, disse.

Desta maneira, durante a intubação, não é possível falar ou comer de forma natural. E, segundo Melo, o incomodo e a dor sentida precisam da administração de sedativos ou analgésicos para garantir a tolerância ao tubo durante o tempo que for necessário.

  “Em 20 dias deste tratamento em um paciente jovem, a perda de massa muscular é de 40%, e a reabilitação pode ser de seis a 12 meses. É por esta razão que as pessoas idosas ou muito frágeis não aguentam o tratamento e acabam falecendo. Não é brincadeira, porquê, cada vez que um paciente é intubado, a chance de sobrevida dele diminui e a taxa de mortalidade aumenta. Além disso, as chances de gerar infecções pulmonares é muito grande. Assim, o primeiro passo é vencer a doença, mas, o segundo é a reabilitação pulmonar”, considerou.

Especificamente nos casos relacionados ao Novo Coronavírus, o fisioterapeuta ainda advertiu sobre a necessidade de cuidados redobrados.

Precisamos ter calma, é um procedimento de muito risco. Se fosse em uma situação comum, poderíamos acelerar o processo, porém, nos casos da covid-19, é preciso muito mais atenção. É imprescindível que façamos uma coisa por vez, pois as chances de contaminação são muito grandes e, caso sejamos infectados, acabaremos por nos tornar mais um paciente nas estatísticas”, lembrou.