Destaques Geral

Epamig testa embalagem para queijo na região da Canastra

25 de fevereiro de 2021

Foto: Divulgação

BELO HORIZONTE – A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado (Epamig) vai começar pela região da Serra da Canastra os testes de embalagens ativas para queijos. Minas é destaque como maior e mais importante produtor de queijos artesanais do Brasil e e os testes fazem parte de estudos para aumentar a segurança e a qualidade desses alimentos. As embalagens ativas têm permeabilidade seletiva, que podem evitar muitos dos defeitos que aparecem durante o período de cura e, com isso, tornar o queijo ainda mais valioso.

A proposta é realizar experimentação, comparando os queijos artesanais produzidos com a aplicação da embalagem àqueles produzidos sem a utilização”, explica o coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Leite e Derivados da Epamig, Junio de Paula. “A ação visa aperfeiçoar e promover a sustentabilidade do tradicional sistema de produção, agregando valor ao queijo e, consequentemente, melhorando a renda das famílias produtoras”, acrescenta.

Ponto de partida

Testes preliminares estão sendo feitos pela empresa vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e os experimentos com a ‘embalagem inteligente’ vão começar pela região da Serra da Canastra. Posteriormente, a ideia da Epamig é que sejam expandidos para outros locais produtores.

A Canastra é umas das microrregiões de queijos artesanais mais clássicas e possui também queijos de longa maturação. A proximidade e a parceria firmada com a Associação do Produtores de Queijo Canastra (Aprocan) nos incentivou a começar o projeto ali e também na região do Campo das Vertentes, onde a Epamig possui um Centro de Pesquisa e Treinamento em Queijos Artesanais”, conta o pesquisador.


Características

A tecnologia utilizada no filme plástico da ‘embalagem inteligente’ deixa sair a umidade, formando naturalmente uma casca no queijo, ao mesmo tempo que impede contaminações.

Isso a difere das embalagens termoencolhíveis a vácuo convencionais, que não possuem permosseletividade do material e não deixam o queijo perder umidade, o que altera o produto e não forma casca – uma característica natural e importante desse queijo”, compara Junio.

Visualizamos a aplicação desta tecnologia para nossos queijos artesanais de leite cru, pois ela está sendo utilizada com muito sucesso nos queijos italianos de elevado valor agregado”, acrescenta.

Ainda segundo o pesquisador, o queijo artesanal precisa passar por um período de cura para ganhar qualidade, em termos de desenvolvimento de sabor e aroma, e para aumentar a segurança.

A maioria dos problemas que acontecem com o queijo artesanal ocorrem durante esta etapa, com o aparecimento de trincas, mofos indesejados e outros defeitos de textura e de casca”, observa.

O projeto conta o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas (Fapemig). A embalagem testada foi desenvolvida e patenteada pela empresa DSM, que firmou termo de parceria para fornecimento das embalagens que serão utilizadas nos experimentos.