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Entrevista de Domingo: Gilberto Kirchner Mattar

13 de abril de 2020

Bolsonaro é o único correto nesta pandemia

 

“O presidente Jair Bolsonaro está correto com relação ao isolamento; Luiz Henrique Mandetta não pode dizer abertamente sobre isso e do uso da cloraquina.” Estas são algumas falas do médico endocrinologista Gilberto Kirchner Mattar, que vem gerando polêmica nas redes sociais. Para falar sobre estes assuntos que veem dominando os noticiários e também fazer um relato do cenário político em que o Democratas, partido ao qual é filiado e membro da Executiva Estadual, tem se colocado nos níveis municipal, estadual e federal, a Folha o entrevistou. Se é pré-candidato a prefeito de Passos? Vale ler e conferir o que o pai do presidente do partido Democratas em Passos, o também médico, Rodrigo Calixto Mattar, do advogado Tales Calixto Mattar e do engenheiro Fábio Calixto Mattar, tem a dizer. Casado com Maria de Fátima Stockler Calixto Mattar, a Tum Calixto, e avô de Maria Rita, Lucas e Felipe, o passense de 65 anos sempre estudou em escolas públicas.

 

Fez o primário no Grupo Escolar Dr. Wenceslau Braz (atual Escola Municipal Francina de Andrade); o ginásio foi concluído no Colégio Tiradentes da Polícia Militar; o científico no Colégio de Passos – extinto -, e a graduação foi cursada na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e especialização em Endocrinologia na Santa Casa de Belo Horizonte. Atua em Passos em seu consultório, é membro do corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia de Passos – instituição na qual foi diretor clínico por duas vezes; membro do Hospital Unimed e atende no Consórcio Intermunicipal de Saúde de Passos (Cismip).

 

Na política, foi presidente do Partido da Frente Liberal (PFL) – atual Democratas -, por quatro anos; candidato a vice-prefeito e secretário municipal de Saúde nas gestões de Nelson Maia e também de Ataíde Vilela.

 

Folha da Manhã – O senhor tem se manifestado nas redes sociais contra o isolamento horizontal imposto por governadores e prefeitos em razão do coronavírus (Covid-19). Como médico, o senhor sustenta esta posição?

Gilberto – Embora eu não seja nenhum especialista no assunto, eu sustento que o meio é sempre o melhor termo. O isolamento foi um pouco precoce, uma vez que o Brasil é um país de clima quente. E, Passos, que é o nosso cenário, é muito quente, o que não daria um alastramento do vírus, mas o problema foi o Carnaval. O vírus começou em novembro do ano passado. O acúmulo de pessoas de vários lugares do mundo no Brasil, aqui na região, possibilitou a proliferação. Deveria ter sido tomada alguma atitude neste momento. Era necessário ter feito um levantamento junto a quem viajou, quem teve contato com pessoas de outras localidades. O nosso clima não é muito propício a viroses. Não que não tenhamos, mas as chances no verão são menores. O isolamento feito como foi realizado, sem a doença, foi precipitado. Nós temos a nossa sobrevivência. Somos país de terceiro mundo, um país pobre. E, nem os países ricos vão aguentar este estrangulamento econômico por conta do isolamento. Agora, isola as pessoas por 3 ou 4 semanas e, agora vai liberar, no inverno?

 

FM – Então, este não seria o momento ideal?

 

Gilberto – A hora do contágio, da transmissão é justamente no frio, quando cai a imunidade, a resistência. No inverno, somos mais vulneráveis e estamos propícios às infecções, principalmente as de vias aéreas. O frio é mau, o frio mata do coração. A propagação de vírus no período frio é maior e um dos motivos é justamente a aglomeração, as pessoas tendem a ficar mais em casa e juntas. É fato que, em Passos, temos duas ou três semanas, no máximo, de frio, mas é essa hora que deveríamos fazer o isolamento. Que é em junho ou julho. Sempre foi assim, maio já dá uma esfriadinha. Então, entendo que deveríamos ter guardado esse sacrifício para esta época.

 

FM – Como já foi feito o isolamento, qual atitude tomar a partir de agora?

Gilberto – Como já disse, vou salientar, o meio termo é sempre o melhor a se fazer. Manter o cuidado, a cautela. Vou dar o exemplo do meu consultório, estou agendando consultas de uma em uma hora, para que não haja acúmulo de pessoas, justamente para não ter contato e evitar a propagação da doença.

 

FM – O senhor entende que está havendo exagero proposital por parte de lideranças políticas e parte da classe médica com o intuito de desestabilizar o Governo Bolsonaro?

Gilberto – Ficar em casa é muito bom. Eu adoro ficar em casa. Pra mim não faz falta nenhuma, mas e os compromissos com os quais tenho que arcar? E minha sobrevivência? Este é o grande problema. O vírus deixou de ser uma doença e passou a ser uma questão política anti-Bolsonaro. A ‘Globolixo’, que tem um alcance enorme no Brasil e contra o governo, justa e evidentemente por conta dos cortes de verbas. Não vemos mais patrocínios de Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras como era antes, então não querem saber de outra coisa que não acabar com o Bolsonaro. As mortes viram troféu e, claro, manchetes. Morreu uma pessoa de 15 anos em Pernambuco, torna-se manchete. Estamos vivendo a era da informação, com muito conhecimento difundido, mas tanto conhecimento como a informação precisam da prática. O conhecimento não supera a prática.

 

FM – E nos outros países que não têm Rede Globo e Jair Bolsonaro?

 

Gilberto – Concordo plenamente que estes outros países não querem derrubar o Bolsonaro, mas são países europeus, onde o frio é predominante quase o ano todo. A Itália, por exemplo, vive do turismo, com pessoas do mundo inteiro circulando por lá. O foco de contaminação é grande e, em período de frio. E, com relação aos governos, lá não tem Bolsonaro, mas tem estilo Bolsonaro. Itália, Estados Unidos e Brasil têm o mesmo estilo de governo, que são massacrados pela mídia. Já na China, não temos informações sobre o governo deles. E com relação ao início do vírus ter sido lá, não sabemos afirmar, pois é tudo muito nebuloso, ainda, sobre como começou este contágio. No Brasil tem acontecido um terrorismo de informação, o que passa a ser infectante, infesta mais do que ajuda.

FM – Pode dar algum exemplo com relação a esta discrepância de informações citadas?

Gilberto – Não vou citar nome, pois não tenho autorização dele, mas tenho um amigo que mora em Ubatuba e teve um mal estar súbito. Ele foi para São Paulo em busca de um especialista, as pessoas adoram um especialista, quando deveriam, primeiro, procurar um clínico geral. Eu dei a minha opinião mesmo sem estar com ele, de que, pelos sintomas que me contou, a suspeita seria dengue. Bom, este amigo então foi para um dos melhores hospitais de São Paulo e procurou um neurologista, fez tomografia de tórax, pois, tem que afastar a covid-19. Tudo isso tem custo. Este excesso prejudica os planos de saúde, quem paga pelos exames, prejudica o Sistema Único de Saúde (SUS). E confirmou dengue, que eu havia avisado antes. Mas, tudo bem, estamos de longe e não podemos resolver. Tenho uma paciente em Passos que tem transtornos psiquiátricos, ela foi à Santa Casa duas vezes, nas quais fizeram tomografia nela. Está como suspeita. Tossiu, teve queixa de falta de ar: suspeita de coronavírus. Isso tudo tem custo, alguém está pagando. Precisa do meio termo.

 

FM – E sua opinião sobre o isolamento vertical?

Gilberto – Falo desde o início que Bolsonaro é o único correto nesta pandemia, sendo apenas ele a pensar no povo. Ele queria um isolamento vertical, em que, as pessoas de risco ficassem em casa. Este sim seria o isolamento certo. E aquele que não tem risco, trabalhar, claro que obedecendo alguns critérios. Sempre digo que o problema do Brasil não é saúde. O problema é social. O SUS é perfeito e o melhor sistema de saúde do mundo, aliás, só no Brasil temos o SUS. O que é errado é que às vezes a pessoa vai ao médico e não tem o dinheiro pra comprar o remédio, ainda que o SUS libere algumas medicações. Mas, falta ao brasileiro outras questões: o lazer, a alimentação. Um exemplo: um funcionário trabalha em uma empresa até 60, 65 anos, com plano de saúde. Aposenta-se e quando sai o plano é caríssimo, aí, vai para o atendimento do SUS, ele vai ver o quanto o sistema é bom, não paga nada. O único defeito que vejo no sistema é que deveria ter um fator limitante e o uso mais correto por parte da população.

 

FM – O senhor foi, na campanha eleitoral, e continua sendo hoje um grande apoiador de Bolsonaro. A que o senhor credita o isolamento que a classe política tem imposto ao Presidente da República?

Gilberto – Costumo dizer que política é um ciúme de homens. E este ciúme é incontrolável. Tivemos eleições há pouco mais de um ano e já tem um monte de gente querendo ser presidente do Brasil. Ninguém está pensando na população com esta pandemia, estão é se projetando politicamente. É um orgulho, uma vaidade pessoal. Todos preocupados para que o Bolsonaro não seja reeleito. E, eu não sou a favor de reeleição, entendo que não deveria existir esta possibilidade. Gosto do Bolsonaro, sou mil por cento Bolsonaro, mas não sou a favor de reeleição, embora, eu entenda que agora não seja hora de politicar. É hora de todos unirmos força em função da população.

 

FM – Como o senhor avalia o cenário político após a crise da pandemia causada propositalmente pelos governadores e prefeitos?

Gilberto – Depois de todo este terrorismo dos prefeitos, dos governadores, entendo que o que fizer certo, a população será beneficiada. Vamos ter um custo pesado disso tudo, pois, o mundo não vai acabar. Se o mundo fosse acabar daqui três meses, tudo bem. Mas, e depois disso, como vamos fazer para sobrevivermos tendo ficado três, quatro meses sem trabalhar? Tem gente que não precisa trabalhar. Mas, o Brasil tem como um de seus maiores, se não o maior, problema: a desigualdade social. Cada um tem a sua maneira de sobreviver.

 

FM – E quem tem muito não vai ajudar quem tem menos, vai?

Gilberto – Geralmente quem tem muito sempre ajuda, mas acaba que tem uma vida cara também. Paga muitos impostos e impostos caros. Você tem um carro caro, o IPVA é caro. A casa é mais cara, mas o IPTU é mais caro. O grande empresário tem empresa e pode ajudar, mas vamos entender que o ajudar vem do coração e não do dinheiro.

 

FM – E sobre o uso da cloroquina e hidroxicloroquina que têm sido também alvo de polêmica, o que tem a dizer?

Gilberto – Tanto Bolsonaro quanto o ministro Luiz Henrique Mandetta não falaram errado. O medicamento é eficiente, mas, Mandetta não podia admitir publicamente o uso da hidroxicloroquina e cloroquina porque é um medicamento off label (o medicamento off label é aquele utilizado, sem a aprovação da ANVISA, para doenças que não as indicadas em bula). Traz um benefício, mas, não tem estudo clínico para outra doença, que não a que foi farmacologicamente destinado. Hoje nós usamos muitos medicamentos para o diabetes em obesidade com resultados excelentes, mas um ministro não pode admitir que o remédio do diabete emagrece pois, não tem estudo clínico para isso. E, assim, é o que acontece com a hidroxicloroquina, que é um modulador imunomodulador, que ajuda na imunidade do paciente. É uma medicação extremamente bem tolerada, com pouquíssimos efeitos colaterais. Portanto, a única pessoa que para mim que falou certo até agora é o presidente Bolsonaro.

 

FM – Quais orientações pode dar à população ainda com relação à esta pandemia?

Gilberto – Agora temos que partir para uma cultura de mudanças de hábitos, mais saudáveis. Evitar aglomerações, mesmo depois da quarentena, principalmente no inverno. Alimentar bem. Penso que as pessoas só poderão se tranqüilizar totalmente no verão. No ano passado tivemos 280 mil mortes por dengue, que não está solucionada. E, no ano que vem, o Brasil vai dar a vacina. Todo ano tomamos a vacina da gripe do ano anterior. Vamos ter mais segurança, pois normalmente as farmacotécnicas isolam uma vacina para o vírus. E, para finalizar, saliento que a população que não é de risco já poderia estar trabalhando com critérios cuidadosos. Não estou indo contra as orientações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde.

 

FM – O senhor foi presidente e continua sendo ainda hoje uma grande liderança do Democratas de Passos, fazendo parte inclusive da direção estadual do partido. Como o senhor avalia a posição do partido no município para as próximas eleições?

Gilberto – O partido Democratas em Passos está muito bem. Meu filho Rodrigo Mattar é o presidente. Temos feito bons acordos, filiamos pessoas competentes. Temos bons pré-candidatos tanto aos cargos de prefeito e vice como para as cadeiras da Câmara Municipal de Passos. Temos hoje para pré-candidaturas ao Poder Executivo os nomes de Alexandre Maia, Hélvio Maia, Marcelo Daher , e o meu próprio nome, afinal de contas sou um soldado do grupo. Já para vereadores não vou citar nomes por conta de a lista ser enorme e eu não cometer a injustiça de me esquecer de algum. O Democratas é um partido privilegiado, pois dentro do Estado de Minas Gerais temos o Senador Rodrigo Pacheco como presidente estadual; ainda na Comissão Estadual temos os passenses Carlos Chagas – tesoureiro -, Gilberto Almeida e eu. Passos está muito bem representada na Executiva em MG. E, temos a liderança de Rodrigo Pacheco.

 

FM – O senhor é sempre apontado como pré-candidato a prefeito. Neste momento que os médicos estão em alta em razão da pandemia, o senhor aceitaria o desafio?

Gilberto – Sou um dos nomes, mas vamos respeitar a decisão da convenção. No Democratas, vamos seguir a decisão da maioria.

 

FM – Clamor da população vale, neste caso?

Gilberto – Claro que vale, afinal de contas, não se faz política sem o calor humano, sem os parceiros. Política é importante para a sociedade, aliás, todas as políticas: de saúde, de saneamento, de educação, agrária. Temos que ter boa aceitação e credibilidade. Nunca tive cargo eletivo, eu me candidatei, mas não fui eleito. Já assumi cargos comissionados como secretário de Saúde, por duas gestões, uma de Nelson Maia e outra de Ataíde Vilela.

 

FM – Como está sua relação com o Presidente Nacional do SEBRAE, Carlos Melles, que foi deputado majoritário do DEM por muitos anos e ainda é uma liderança importante do partido na região?

Gilberto – Tenho respeito, carinho e admiração pelo ex-deputado federal Carlos Melles. Como deputado ele é um dos grandes responsáveis por mudar a nossa região. Em Passos, por exemplo, a Unidade Materno Intantil da Santa Casa de Misericórdia de Passos representa muito para toda a região e foi uma conquista que ele trouxe. Melles conquistou muitas coisas para Minas Gerais. Fiquei sentido e bravo, dia destes, em ver Melles patrocinando, pelo Sebrae, a Rede Globo, mas isso não tira a admiração e o carinho que sinto por ele. Sempre fui companheiro dele. Ele sempre teve ausência de calor humano em Passos, o que foi alvo das minhas reclamações para com ele. Mas, por outro lado, ele sempre foi muito bem representado em Passos, uma destas pessoas é Carlos Chagas, o Grupo Cabo Verde que fizeram as vezes dele na cidade. Recordo-me do lançamento da Unidade Materno Infantil em que enfeitamos toda a cidade com faixas de homenagens e ele foi para o enterro do Papa. Brinquei com ele que a partir de então era para ele ir pedir voto na Itália. Ele é uma liderança de destaque para a região.

 

FM – E com o senador passense Rodrigo Pacheco, Presidente Estadual do DEM?

Gilberto – Minha relação com Rodrigo Pacheco é de muita admiração. Eu o considero um excelente político, um homem extremamente inteligente, capaz. Admiro-o por ser um político que se fez. Não foi feito pela política, ele se fez e depois se tornou político. Depois da vida pronta, ele foi ajudar Minas e o Brasil. Pacheco é muito bem visto para ser o próximo governador de Minas Gerais. Ele é nota 1.000. O Brasil é muito grande, mas, por ser presidente do partido, sempre estamos em contato e esperamos que ele tenha um contato maior aqui nestas próximas eleições. Ele sempre busca trazer em emendas ou em ações algo que possa prestigiar Passos e região. Mas devemos lembrar que ele foi eleito por Minas praticamente inteira. Teve votos em praticamente todas as regiões de Minas e nosso estado é gigante. Entendemos que o compromisso dele é com toda Minas Gerais. As emendas dele são sempre muito bem aceitas e vemos que ele está fazendo muito por nós.