Destaques Dia a Dia

Encontros

28 de julho de 2020

Vinícius de Morais, além de inúmeros poemas tão conhecidos e apreciados, alguns musicados, também nos legou essa reflexão, que serve de ‘gancho’ para nosso artigo de hoje: “A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida”. Anualmente, definimos no Colégio Status, com antecedência, o tema a ser trabalhado durante o ano letivo, sempre com a preocupação de levar aos educadores e educandos uma mensagem edificante e formadora.

Relembrando as mais recentes, trabalhamos em nossa escola os ‘Valores’ a serem praticados em uma convivência saudável, necessários para uma boa formação, sendo um por bimestre, relacionando as atividades desenvolvidas no ambiente escolar, e em casa, com os quatro ‘pilares’ que sustentam todo relacionamento sadio, voltado para o ‘ser’ humano.

Assim, em todas as disciplinas, alunos e professores refletiram, no primeiro bimestre, o tema ‘Respeito’; no segundo bimestre foi desenvolvido ‘Solidariedade’; no terceiro, ‘Amizade’ e no quarto bimestre, ‘Honestidade’. No ano seguinte, demos continuidade ao trabalho com os ‘valores’, enquanto desenvolvíamos o tema ‘Harmonia no Universo’, que havia sido proposto. Explicando detalhadamente a ideia, tínhamos: “O ideal de harmonia nasce não do desejo humano, mas de uma permanente vocação da humanidade.

Viver em harmonia com o planeta, com outros povos e culturas é o que tem inspirado a arte, as melhores sociedades e as grandes conquistas da educação. Do átomo ao espaço sideral, do muito pequeno ao infinitamente grande, uma mesma lei comanda o reino mineral, o vegetal e o animal: a harmonia.”

Prosseguindo na mesma linha de pensamento, ou seja, oferecer subsídios para uma reflexão conjunta entre alunos, professores e família, foi desenvolvido o tema “Ensinar é promover encontros”, os quais são tão necessários nos dias de hoje, quando quase ninguém tem tempo para conversar, ouvir, refletir, apreciar o pôr do sol… A vida se expressa na constante relação do homem com seus semelhantes e com a natureza.

“Não há educação sem a potencialização da capacidade de se comover com o belo, com as artes, com o mistério do universo infinito, com o canto dos pássaros, com o brilho do olhar da criança que chora ou do velho que simplesmente olha. Educar é promover encontros. Do homem com a natureza, com ele mesmo, com a ciência, as artes e a filosofia. Do homem com o mistério.
Não é possível educação sem encontros, assim como não é possível encontros sem compreensão, imaginação e inteligência.

Esses encontros produzem consciência, felicidade, educação. Devem ser encontros de respeito, amor, cumplicidade na diferença e individualidade de cada aluno e professor.” De cada filho com seus pais e irmãos. De cada pessoa com suas famílias. O ser humano, desde a sua existência na Terra, tem praticado, em seus relacionamentos com a natureza, os animais e com seus semelhantes uma relação de domínio, priorizando as relações de poder.

Em termos sociais, através da história, a vontade de poder concretizou-se como vontade obsessiva e desmesurada de concentrar poder, enriquecer, conquistar novas terras e de subjugar outros povos. Isso se traduziu em colonialismo, em imperialismo e na imposição da vontade dos poderosos sobre os mais fracos. Através da educação podemos reverter esse quadro, que gera conflitos, violência, desrespeito, egoísmo, intransigência.

‘Temos que encontrar o elo perdido. Urge refazer o caminho de volta, como ‘filhos pródigos’, à casa paterna comum, às nossas origens. Abraçar os demais irmãos e irmãs, as plantas, os animais e todos os seres. Para regressar do exílio a que nos submetemos, como na parábola Bíblica, temos que alimentar saudades e cultivar sonhos”. Só assim, promoveremos os encontros necessários.