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Empresas de ônibus querem reabertura gradual da rodoviária

23 de abril de 2020

PASSOS – A reabertura do Terminal Rodoviário Tancredo de Almeida Neves, de Passos, vai depender de uma avaliação preliminar a ser tomada pelos gestores da saúde no município, médicos da Santa Casa e, posteriormente, levado ao conhecimento dos representantes do Poder Judiciário (PJ), Ministério Público (MP) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Foi o que ficou definido no encontro de ontem pela manhã entre os representantes dos funcionários de seis empresas de viação que operam na cidade e o controlador geral do município, Marcelo Oliveira Vasconcelos.

Estiveram no gabinete do prefeito Carlos Renato de Lima Reis, o Renatinho Ourives, que também participou da reunião, membros do comando da manifestação, Paulo Sérgio de Souza Freire, o Alemão, mais os representantes das empresas de ônibus União, Martins, Sudoestino, União, Santa Cruz e Gardênia. “Fomos bem recebidos no prédio da prefeitura, a conversa foi proveitosa e saímos bastante confiantes de que, em breve, a rodoviária terá os serviços prestados ao público em geral retomados, voltando à normalidade gradativamente com um novo decreto a ser assinado pelo prefeito”, comentou Paulo Sérgio de Souza Freire.

Alemão revelou que, no final do encontro, foi redigido um texto contendo a proposta das empresas de viação para que o terminal seja reaberto. “Nós não queremos que ele seja liberado para a retomada, principalmente, das linhas regulares como estava ocorrendo antes de ser fechado através de decreto. Tem de ser flexibilizado. Por exemplo, a empresa Sudoestino reivindica voltar a operar de imediato com seis horários diários, Gardênia, cinco; Santa Cruz, três, União, São Bento, duas; e a Martins apenas um. Com o passar dos dias vai aumentando de acordo com a demanda”, explicou.

Um dos principais pontos do acordo é que os ônibus terão a capacidade de passageiros reduzida pela metade, álcool em gel oferecido pela empresa de viação, uso obrigatório de escudo facial, manter o distanciamento entre uma e outra pessoa dentro dos veículos que serão higienizados na saída e chegada na garagem. “Enfim, o que nós queremos é trabalhar normalmente sem corrermos o risco de demissão em massa como está ocorrendo em Passos com centenas de funcionários”, ressaltou o comando da manifestação pacífica de ontem que reuniu quase 100 motoristas no entorno da praça Geraldo da Silva Maia, bem em frente à sede da prefeitura.

A clandestinidade no transporte de passageiros em Passos foi um dos focos da reunião de ontem no gabinete do prefeito, disse Alemão. “A proibição de entrada e saída em Passos de ônibus autorizados a operar através de linhas regulares intermunicipal e interestadual tem aumentado consideravelmente a clandestinidade no setor. Voltou a afirmar que nas duas principais entradas e saídas da cidade não há nenhum controle de quem sai ou entra no perímetro urbano. Com isso, muitas pessoas que trabalham nas cidades vizinhas ou até mesmo no interior do Estado de São Paulo, alguns que fazem tratamento de saúde, organizam lotações em carros de passeios, táxis ou veículos que rodam através de chamadas de aplicativos. Todos viajam sem respeitar as normas para se evitar o contágio do vírus, os passageiros não usam máscaras e todos grudado uns aos outros. Isso acabaria com a reabertura da rodoviária”, afirmou.

Prefeitura vai analisar demanda e teme risco de casos importados

PASSOS – O controlador geral do município, Marcelo Oliveira Vasconcelos, revelou, no período da tarde, que é necessário ter muita cautela, porque estará em jogo o registro do baixo número de casos do coronavírus em Passos. “Por exemplo, de acordo com boletim da Prefeitura, até ontem (quarta-feira), tínhamos um caso confirmado nenhum óbito investigado e, o que é mais importante, graças a Deus ninguém morreu em decorrência da covid-19. Por isso, temos que olhar com muito carinho sobre a possibilidade reabrir a rodoviária para não se tornar, quem sabe, uma outra porta de entrada de muitas pessoas infectadas pelo vírus em nossa cidade, o que não é nada de bom”, ressaltou.

“É sabido que muitas pessoas, principalmente das dezenas de cidades circunvizinhas, utilizam os ônibus para tratamento de saúde, fazer compras, trabalhar e outros compromissos, mas, infelizmente, tivemos que fechar o terminal baseado em estudos dos profissionais da área de saúde. A partir do pedido das empresas de viação para liberar o atendimento na rodoviária, vamos fazer o mesmo processo, ou seja, uma avaliação criteriosa de médicos, principalmente os infectologistas. Havendo um sinal verde, o próximo passo é levar oficialmente a decisão para que o PJ, MP e OAB tirem suas conclusões. Entendemos a situação delicada dos funcionários das empresas de ônibus que não estão trabalhando, mas o assunto requer muita atenção para que Passos não vire, muito em breve, desagradáveis manchetes relacionadas aos casos de coronavírus”, completou o controlador.