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Empresários pedem liberação de tráfego na Avenida Arouca

Por Ézio Santos / Especial

19 de junho de 2020

REsidências foram extremamente prejudicadas ao longo do período de execução da obra. / Foto: Divulgação

PASSOS – Passados cinco anos, a Secretaria Municipal de Obras, Habitação e Serviços Urbanos deu por concluída a construção do canal auxiliar lateral ao córrego São Francisco desde o entroncamento com a avenida Arouca até poucos metros abaixo da rua José Merchiorato na divisa dos bairros Santa Casa e Canjeranus, mas o drama dos comerciantes e moradores pode estar longe de acabar.

As próximas e últimas etapas do empreendimento são a pavimentação asfáltica da pista da avenida Comendador Francisco Avelino Maia, a da Moda, sentido centro/bairro, refazer as calçadas e guarda-corpos na lateral do canal. O problema, agravado recentemente, com a interdição do tráfego no último trecho da avenida Arouca, entre a rua Tenente Vasconcelos a rotatória da avenida Comendador Avelino Maia, o que tem prejudicado comerciantes que atuam no local.

A Secretaria de Obras da prefeitura, procurada ontem, não soube informar uma previsão da liberação do tráfego no local. Segundo comerciantes, falta a conclusão de ligações que devem ser feitas pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae).

A obra, iniciada em maio de 2016 ainda na gestão do governo municipal Ataíde Vilela, teve como principal objetivo acabar com as frequentes inundações em dias de chuvas fortes na região da Escola Estadual Dulce Ferreira de Souza, o Colégio Polivalente.

O remanescente do canal auxiliar é uma construção muito importante não só para os moradores das proximidades, mas à população e para quem trafega de veículo pelo local. Pouco abaixo da rotatória das avenidas Arouca e da Moda o canal construído paralelamente ao córrego vai contribuir na vazão da grande quantidade de água que desce desde o bairro Muarama e aumenta ainda mais de volume quando o córrego Boiadeiros desemboca no São Francisco, perto do ginásio poliesportivo Municipal da Barrinha”, explicou Tereza Cristina Silva Leriano, secretária Municipal de Obras, Habitação e Serviços Urbanos.

A estimativa inicial para construção do canal, de pouco mais de 500 metros, era de R$1,8 milhão, conseguidos quando o prefeito era José Hernani da Silveira, através do Plano de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2), do Governo Federal, mas aditivos pagos pela prefeitura elevaram o valor para R$2.754.417,20.

Segundo Tereza, a obra teve início com a execução dos serviços pela Construtora e Incorporadora Berna Limitada que solicitou rescisão contratual. Após novo processo licitatório, assumiu os serviços a Alpra Empreiteira, que por falhas na execução do projeto, teve o contrato cancelado pela prefeitura. Após uma terceira licitação, a GCO Engenharia deu continuidade à obra.

Acredito que, muito em breve, vamos asfaltar a pista desde a avenida Arouca até o cruzamento com a rua José Merchioratto. Será mais um benefício para toda a população, principalmente às famílias que sofriam com as constantes inundações. Demorou, mas o canal auxiliar está pronto”, pontou Tereza. O trânsito para veículos está parcialmente liberado.

Transtornos

Todos os proprietários de imóveis residenciais ou comerciais tiveram frequentes transtornos deste o início e finalização da obra. A professora aposentada, Graça Pretti atendeu a reportagem extremamente irritada.

Eu e familiares vivemos o inferno de mais de cinco anos. Convivemos com muito barulho, poeira, lama, casa com rachaduras, trincas, deixando o nosso carro em outro lugar e diversos problemas”, disparou a moradora da avenida da Moda, próxima da rotatória com a Arouca.

Os comerciantes dos ramos de gráfica e móveis para escritórios, respectivamente, Tarlei Alves Faria e Benedito Francisco, foram unânimes em relatar que apesar da obra ser benéfica, não deixou de prejudicar seus estabelecimentos localizados em frente à rotatória com acúmulos de pó e lama.

O bancário aposentado, Valdir de Oliveira, morador na Arouca disse que não sofreu sérias consequências em razão de empreendimento, porém reclamou do trânsito de veículos que foi impedido por vários meses na faixa de rolamento direita para que descia a avenida abaixo da rua Tenente Vasconcelos.

Obra gerou ações contra a administração

PASSOS – Vários moradores, cujas residências estão no alinhamento direito da pista da avenida, pouco acima da Escola Estadual Dulce Ferreira de Souza, o Colégio Polivalente, foram extremamente prejudicados ao longo do período de execução da obra, principalmente muita poeira e lama. Alguns imóveis sofreram rachaduras, trincas nas paredes, pisos e até telhados. As calçadas foram quase que totalmente destruídas.

A casa do comerciante Paulo Acorinte foi uma que sofreu sérias consequências.

Ela não caiu nem sei porque. Cada dia aparecia um problema sério, sem contar o barulho das máquinas trabalhando bem em frente o meu imóvel. Toda minha família sofreu com o pó, barro, mau cheiro horrível e não alimentávamos direito. Fiquei doente e hoje tomo três tipos de remédios para controlar a pressão arterial”, contou.

Quando os problemas se agravaram, Paulo disse foi até a prefeitura, conversou com o prefeito Renatinho Ourives, expôs tudo que ocorrera em sua residência.

Tentei fazer com que a prefeitura arcasse com as despesas da reforma, mas ele me falou para mim procurar meus direitos na justiça. No mesmo dia ajustei um advogado que dias depois protocolou na justiça uma ação indenizatória por danos morais e materiais. Já tinha até marcado a primeira audiência, mas por causa da pandemia o processo está paralisado”, explicou.

Uma clínica veterinária para animais de pequeno e médio porte, situada na esquina da avenida da Moda com rua Santa Casa, também teve gravíssimos danos na estrutura do imóvel. Segundo Paulo Acorinte, a proprietária do imóvel também está movendo ação judicial contra a prefeitura, mas não pôde atender o chamado telefônico no momento do contato para fornecer mais detalhes sobre o assunto e nem retornou a ligação.