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Empresários de Piumhi fazem buzinaço por flexibilização

14 de abril de 2020

PIUMHI – Nesta segunda-feira, 13, pouco antes da confirmação da primeira morte de um paciente com coronavírus em Piumhi, empresários do município fizeram uma carreata com o intuito de pressionar os órgãos públicos a flexibilizarem o decreto de restrições ao comércio. O primeiro decreto teve fim neste domingo, 12, dia em que foi publicado um novo decreto que declara estado de calamidade pública no município, prorroga algumas medidas e flexibiliza outras.

Com o novo decreto, a Prefeitura de Piumhi flexibiliza alguns setores do comércio, sem atendimento pessoal, apenas no sistema de entrega em domicílio, para lojas de insumos agropecuários, auto-peças, equipamentos de proteção individual, oficinas mecânicas, e lojas ligadas ao ramo de construção civil.

O prefeito Adeberto José de Melo, o Deco, em entrevista coletiva realizada neste domingo, comentou sobre o decreto e as suas flexibilizações. “Prorrogamos as medidas de combate ao coronavírus por tempo indeterminado.

Acrescentamos novas informações que passarão a valer a partir da publicação do mesmo. Nesse novo decreto, declaramos estado de calamidade pública, adequando ao decreto estadual que estendeu essa medida a todos os 853 municípios do Estado de Minas Gerais. Então, esse decreto nosso está de acordo com o decreto estadual”, disse ele.
Durante o pronunciamento, Deco relatou que a equipe da prefeitura e o comitê de crise estão planejando a abertura de outros segmentos do comércio, com um cronograma de abertura. A secretária de saúde Aline Barbosa afirmou em pronunciamento posterior que, na sua opinião e com a confirmação do primeiro óbito, não deveria haver abertura comercial.

A coordenadora da atenção básica de saúde, enfermeira Keila Costa Pereira, destacou que os setores que foram flexibilizados terão que assinar termo de responsabilidade visando cumprir as normas de proteção entre a equipe de trabalho e clientes. “Essas empresas terão um termo de compromisso que elas vão estar firmando através do preenchimento, a qual vão trazer para si e para todos os seus colaboradores, para todos os seus clientes, uma responsabilidade com todos. Lembrando que o cenário epidemiológico está diariamente sendo analisado e qualquer virtude, qualquer alteração, a gente pode ter mudanças a serem realizadas”, disse ela.

 

Carreata

 

Em resposta a esse posicionamento do comitê gestor de enfrentamento à pandemia, empresários de Piumhi se uniram e fizeram uma carreata. De acordo com um dos empresários, que preferiu não se identificar, a carreata foi um movimento espontâneo, sem organização ou liderança, que tomou grandes proporções resultando em buzinaço. Ao final da carreata, houve uma concentração de pessoas em frente à prefeitura, buscando posicionamento do prefeito Deco e do comitê.

Camila, uma das empresárias que reivindicou em frente à prefeitura, afirmou em entrevista que foi atendida pelo prefeito, o qual se posicionou prometendo uma reunião, na quinta-feira, para a possibilidade de abertura do comércio. “Nós estamos reivindicando porque temos despesas, temos alugueis, temos funcionários e a gente não aguenta mais essa demora na resposta. A gente sabe que a comissão de saúde tem que ver o lado de saúde, mas a gente pede para a comissão também ver o nosso lado, para nós podermos estar trabalhando, de forma alternada, cada dia da semana abre um tipo de comércio aqui na nossa cidade”, disse a empresária.

O empresário Francisco, por outro lado, relatou que a ideia é uma reivindicação pacífica e uma abertura responsável do comércio. “Não que nós queremos vandalizar, nada disso, nós queremos ter responsabilidade, fazer todo o processo de forma segura, simplesmente salvar não só a saúde como a economia, é o que todos nós empresários estamos indicando”. Outro comerciante, João Guilherme, afirmou que os estabelecimentos não podem ficar fechados. “Não queremos demitir nossos funcionários, mas, infelizmente, vamos ter que demitir e até fechar nossos comércios. Muitas lojas estão fechando e quem está procurando isso é a própria política. Depois, a hora que acontecer o caos, não vem culpar a população, não vem a saúde, porque eles estão plantando, depois a colheita vai ser forte. Aí não tem o que reclamar não, é aceitar”, disse ele.