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Em reunião da Alago, presidentes de Furnas e Eletrobras prometem ações

Por Talita Souza / Especial

18 de setembro de 2021

Representantes de associações apresentaram pautas e propostas referentes ao lago de Furnas e falaram sobre a cota mínima./ Foto: Divulgação.

ALFENAS – Reabertura do escritório de Furnas em Belo Horizonte, substituição das balsas, desassoreamento do canal de Piumhi, revitalização das nascentes e compensação financeira para os trabalhadores da região. Essas e outras ações foram anunciadas pelos presidentes da Eletrobras, Rodrigo Limp, e de Furnas, Clóvis Torres, na reunião extraordinária promovida pela Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), Associação Pública dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande – Consórcio Ameg e Associação dos Municípios da Microrregião da Baixa Mogiana (Amog), nesta sexta-feira, 17, em Alfenas.

O evento reuniu deputados estaduais e federais, prefeitos, vereadores, empresários e lideranças da região. Os presidentes da Eletrobrs e de Furnas se comprometeram a abrir um canal de diálogo com a população visando sanar o problema da crise hídrica em longo, médio e curto prazo.

De acordo com o presidente da Eletrobras, Rodrigo Limp Nascimento, a atual crise hídrica, que o país está passando foi prevista em dezembro de 2020. Segundo ele, as pautas apresentadas pelos prefeitos e representantes das associações possuem objetivos comuns com Furnas e a Eletrobras.

“Precisamos resgatar esse papel de inserção da companhia em Minas Gerais. Apesar de estarmos há pouco tempo na companhia, esse pleito, que nós sabemos que é justo e reconhecemos a importância, ele não é uma novidade para a gente, muito pelo contrário. Particularmente, já acompanhamos essa demanda desde antes de assumir a Eletrobras”, afirmou.

Já o presidente de Furnas, Clóvis Torres, afirmou que algumas medidas já estão sendo tomadas, como a revitalização das nascentes, que tem como pretensão ampliar por todo o Rio Grande, e a reabertura do escritório de Furnas em Belo Horizonte.

“Eu gostaria, portanto, acima de tudo pedir desculpas. Desculpa pela falta de empatia, desculpa pela falta de atenção e trazer uma palavra, com o presidente Rodrigo, de conforto, mais atenção e mais empatia que será dada a região”, disse Torres.

Ele anunciou, ainda, que todas as prefeituras da região receberão novas balsas para a travessia dos lagos. Segundo Torres, outra medida a ser tomada será em relação à educação rural na região, onde será realizado um trabalho em conjunto com a Alago e a Ameg.

“Contamos, especificamente, com a Alago e com a Ameg para fazermos já um trabalho de catalogação e registro dos pescadores da região. Nós queremos poder, até o período de chuva retornar, contribuir para minimizar as perdas dessa classe de trabalhadores, seja os artesanais, seja os profissionais, mas que estão aqui no lago de Furnas”, afirmou.

Encontro inaugura nova época de relacionamento, diz Djalma

Durante a reunião, o presidente da Alago, Djalma Francisco Carvalho, afirmou que a intenção do evento foi “inaugurar uma nova época de relacionamento entre os municípios banhados pelo lago de Furnas e Furnas, propriamente dita, e a Eletrobras”.

O presidente da Ameg e prefeito de São José da Barra, Paulo Sérgio Leandro de Oliveira, o Serginho, explanou a situação do lago e citou que “essa luta e esse sofrimento que nós passamos com o lago de Furnas são antigos”. Segundo ele, a situação do lago é crítica e pede por ajuda.

O prefeito Luiz Antônio da Silva, o Luizinho, de Alfenas, também ressaltou a situação crítica do lago e apresentou possíveis pautas para solucionar o problema, dentre elas o uso múltiplo do lago de Furnas, a finalização do protocolo de decreto que permite os comércios as margens do lago e uma Medida Provisória visando o Desenvolvimento Socioambiental do Lago para impulsionar a região e manter a Cota 762.

O que é a “Cota 762?”

Conhecida como “Cota 762”, a resolução estabelece condições de operação e redução da vazão do lago de Furnas. A resolução entrou em vigor dia 22 de fevereiro deste ano e as condições complementares tiveram validade até 31 de maio de 2021.

De acordo com a resolução, o lago de Furnas passa a operar na faixa de operação normal, com o armazenamento do reservatório for igual ou superior a 762 metros, tendo uma vazão máxima de 500 metros cúbicos por segundo. Em situações em que o armazenamento for inferior a 762 metros e igual ou superior a 750 metros, o reservatório começa a atuar na faixa de operação de atenção.

Neste segundo caso, a vazão máxima da média semanal cai para 400 metros cúbicos por segundo. A mesma emenda prevê a cota mínima de 663 metros acima do mar para Furnas o lago da usina de Mascarenhas de Moraes.

Foto: Reprodução.