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Em meio à seca severa, nascente do Rio São Francisco apresenta volume de água razoável

21 de setembro de 2021

Nascente do Rio São Francisco em São Roque de Minas

S. R. DE MINAS – Em um cenário bem diferente ao de 2014, quando a nascente do Rio São Francisco secou em meio a uma crise hídrica, neste ano – apesar da situação semelhante – o que se vê é a água brotando do solo em volume razoável. A informação é de Carlos Henrique Bernardes, chefe do Parque Nacional da Serra da Canastra, que abrange, entre outros municípios, São Roque de Minas, no Centro-Oeste de Minas.

Ele descreveu como indescritível a felicidade de ver a nascente fluindo, mesmo com o cenário atual de seca severa que enfrenta todo o país, assim como ocorreu em 2014, quando a água que alimenta a bacia do Velho Chico virou terra seca.

Segundo Carlos Henrique, as ações de preservação e sustentabilidade desenvolvidas desde 2018, quando assumiu a gestão do parque junto ao Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade (ICMbio), foram importantes para que a água continuasse a brotar de onde nunca deveria ter secado.

“Este ano, estamos com uma seca bastante severa. Até agora, felizmente, a nascente não secou e apresenta um volume de água razoável. Ficamos todos muito felizes com isso e esperamos que a chuva não tarde a chegar para que não haja nenhuma situação mais crítica. A gente fica feliz também de ver o nosso esforço. O trabalho de toda equipe nessa gestão que vem trazendo esse tipo de resultado. A nascente continua fluindo e alimentando as nossas esperanças de um futuro mais sustentável e de desenvolvimento econômico compatível e conciliado com a preservação ambiental, que é o que todos nós queremos”, afirmou Carlos Henrique em entrevista ao G1.

Parque realiza capacitação de professores e reforça brigada

SÃO ROQUE – Para que o cenário não se repetisse, assim que assumiu a gestão do parque, em 2018, Carlos Henrique traçou com a equipe do ICMbio estratégias de preservação do parque, conscientização do uso público da água e também sobre o manejo do fogo, que é tão comum em tempos de seca na região.

As estratégias refletiram em um período com poucos registros de incêndios e uma nascente que segue fluindo.

“Estamos com uma equipe bem limitada. Andamos perdendo alguns servidores que aposentaram, outros foram removidos. Estamos em um espaço mais limitado de ação, mas temos buscado trabalhar, sim, principalmente a questão do uso público da água, conscientização de guias e condutores. Tínhamos previsão de fazer trabalhos com escolas e alunos da região, trazê-los para dentro do parque. Infelizmente, por enquanto ainda não dá, mas logo teremos condições”, disse.

Nascente do Rio São Francisco em São Roque de Minas –
registro feito pela equipe do ICMbio na quinta-feira (16)

Com foco nas ações futuras, a equipe do parque tem promovido um curso de capacitação de professores de escolas de todo entorno da região da Canastra, uma parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF).

“Estamos capacitando esses professores sobre o Parque da Canastra, abordando a biodiversidade, a geografia, história, o manejo do fogo que ocorre dentro do parque, uma série de outras questões. Depois disso, a ideia é que sejam criados projetos para que a gente possa trabalhar com eles e os alunos dentro do parque, aumentando a conscientização de todos sobre a importância desse patrimônio natural que é de todos nós brasileiros e reconhecido mundialmente”, explicou.

Paralelo a outras ações de preservação do parque, o ICMbio informou que reforçou a equipe de brigadistas com profissionais de Brasília. O parque também conta com mais um avião air tractor.

“Desta vez nos antecipamos: trouxemos mais brigadistas e mais um avião para, preventivamente, detectarmos grandes incêndios. O avião sobrevoa todo o parque, detecta fumaça logo no início e nos passa informação para que possamos fazer um combate efetivo e rápido. Esse somatório de ações tem contribuído bastante para evitar grandes incêndios. Esse ano não tivemos nenhum registro. Estamos atentos ao período de setembro para que não ocorram”, explicou Carlos Henrique.

Questionado se as pessoas estão mais conscientes sobre os estragos provocados pelo fogo, Carlos afirma que sim, e que, de fato, tem percebido que a população do entorno da Canastra está atenta com as mudanças climáticas.

“Eu creio que sim, com certeza. Há vários anos, as mudanças climáticas batem à nossa porta mostrando grandes episódios de incêndios. A tendência é que as regiões secas e quentes fiquem ainda mais secas e quentes. Com isso, favorece a magnitude dos incêndios, tanto nas suas dimensões quanto na sua frequência. Visto ao que aconteceu em anos anteriores estamos com menores frequência de fogo na região e que assim possamos continuar”, concluiu.