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‘Educação financeira’ falha

4 de dezembro de 2020

Receber ligações e mensagens dos bancos oferecendo crédito e aplicações é uma situação normal e quase rotineira no Brasil. Mas por que os bancos também não orientam seus clientes sobre como organizar sua vida financeira antes de contratar novos créditos? Uma pesquisa realizada pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) revelou que 46% das pessoas entrevistadas acreditam que as informações das instituições financeiras não contribuem para evitar o superendividamento e 21% acham que o banco deveria informar melhor os riscos na contratação de créditos.


O que você também vai ler neste artigo:

  • Objetivo
  • Interesse
  • Reconhecimento
  • Surpresa

Objetivo

A “Avaliação da Estratégia Nacional de Educação Financeira”, realizada em setembro de 2020 com 975 consumidores (23% entre 36 e 45 anos; 52% mulheres), teve o objetivo de identificar como a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef) evoluiu nos últimos dez anos e como os bancos vêm atuando para disseminar a educação financeira.

Interesse

A Enef foi criada em 2010 e é executada pela AEF-Brasil, uma organização da sociedade civil de interesse público. “Essa iniciativa é muito importante, porém insuficiente, já que foca apenas em crianças e jovens em idade escolar e em idosos, aposentados e pensionistas, além de mulheres assistidas por programas sociais. Assim, o grosso da população que está dentro do sistema financeiro, abrindo conta em banco, contratando crédito e fazendo investimentos inadequados não conta com uma política pública de educação financeira”, critica Ione Amorim, economista e coordenadora do Programa de Serviços Financeiros do Idec. Ela é a responsável pela pesquisa.

Reconhecimento

E, apesar da Avaliação indicar um baixo nível de interesse dos consumidores pelo conteúdo de educação financeira oferecido pelos bancos, 79% dos entrevistados reconhecem a sua importância.

Surpresa

Para Amorim, as respostas surpreenderam, mas faz sentido muitos brasileiros desconhecerem o conteúdo disponibilizado pelos bancos ou não demonstrarem interesse por ele. “Interpreto esse desinteresse como desconfiança, pois os consumidores podem pensar que essas instituições oferecem educação financeira de forma a atender a seus próprios interesses”, diz. “O conflito de interesses existe. Como o banco vai dizer que eu não devo usar crédito desnecessariamente se ele vive disso? Ou que o seguro que o gerente me oferece como essencial na verdade serve para que ele cumpra sua meta de vendas mensal? ”, exemplifica.