Destaques Dia a Dia

Dúvida e mistério

POR MARINA BERNARDES DE FARIA

13 de novembro de 2020

Em uma cidade chamada São Roque de Minas havia um povoado conhecido como Leites, onde moravam várias pessoas da zona rural. Era muito visitado, pois lá acontecia no mês de janeiro, a festa dos Três Reis Santos, evento muito famoso na região. Muitas pessoas de outras cidades vinham para prestigiar a festança. Os habitantes eram pessoas humildes e acolhedoras.

Na fazenda conhecida como Verde Olhar havia vários animais, um casarão bem bonito, onde moravam um pai e sua filha. A esposa tinha falecido havia dez anos, devido a uma doença incurável. O pai era conhecido como Baltazar e a filha se chamava Maria Fernanda. A menina tinha quatorze anos, era muito inteligente. Gostava de ler livros e contar histórias para o pai. Era um pouco tímida e sempre mantinha suas coisas em segredo.

Quando ela fez quinze anos, o pai a deixou ir a uma festa na cidade. A jovem não tinha muitas amizades, mas naquela primeira festa, conheceu várias pessoas, porém ela não sabia que muitos lhe seriam má influência. Desde aquele dia, sempre que havia uma festa ela não perdia a oportunidade de sair com as amigas. Era a mais tranquila de todas, pois sempre havia aquelas jovens mais custosas que bebiam e faziam coisas desnecessárias.

Baltazar passou a observar a filha e viu que ela tinha mudado. Maria Fernanda, nunca lhe desobedecia e nem aos professores na escola. Desde pequena, nunca precisou que seu pai fosse chamado na diretoria. Infelizmente, depois das péssimas amizades, a jovem mudou e seu pai foi, sim, chamado na escola. As notas da menina caíram e ela estava atrapalhando seus amigos que queriam estudar. Seu pai ficou muito bravo e colocou-a de castigo.

A garota ficou rebelde e não respeitou, em hora nenhuma, os pedidos do pai. Ele ficou meio desanimado, mas como era muito religioso manteve a fé, fazendo suas orações e pedindo pela filha, pois agora entregava tudo a Deus. A filha continuou do mesmo jeito e até arrumou um namorado que tinha fama de malandro e não trabalhava. O senhor Baltazar, ao saber, ficou muito abatido, e como já era de idade, a tristeza os problemas da vida levaram-no a um infarto fulminante.

Maria Fernanda ficou desamparada e acabou se envolvendo cada dia mais com o rapaz chamado Fabiano, levando-o para morar com ela em sua fazenda. Sempre à meia-noite de todas as sextas-feiras, ele e sua turma, após muitas bebidas, iam ao cemitério da Vila fazer um estranho ritual: arrancar as cruzes dos túmulos e jogar para fora dos muros. Em uma sexta-feira 13, ele foi e retirou a cruz de uma cova.

Aos poucos, coisas estranhas começaram a acontecer. Fabiano ficou doente e não havia médico que descobrisse sua doença, ou remédio que aliviasse suas dores. Nada tinha explicação, ele se afastou de Maria Fernanda e, certo dia, se mudou da Vila sem dar satisfação a ninguém.

Todos estranharam o motivo daquele namoro de tanto tempo acabar assim, mas na verdade, Fabiano não sabia que seu sogro havia sido enterrado no cemitério dos Leites e desconhecia que aquela cruz que ele pegara, era a do túmulo de seu sogro. Desde então, sempre houve um mistério… Teria sido o destino, ou o pai, que pensando no bem da filha expulsara o rapaz da região?

Até hoje, ninguém sabe o que aconteceu com Fabiano. Maria Fernanda acabou se casando com um rapaz da região e nunca mais viu ou ouviu notícias de seu primeiro namorado.

Esta e outras 100 histórias regionais estão reunidas em um livro organizado por Maria Mineira. São textos de seus alunos do 3º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, ano de 2018. Com o apoio da Cooperativa Educacional de São Roque de Minas foi lançado em 2019: “ Letras da Canastra- Cooperativa Educacional Escrevendo História”. Para adquirir um exemplar entre em contato pelo e-mail: mariamineira2011@yahoo.com.br