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Dr. Fábio Siqueira Ribeiro atua, desde início da pandemia, na linha de frente contra a Covid-19

Por Nana de Minas

3 de fevereiro de 2021

"Coisas simples que emocionam a gente e nos dão o combustível necessário para seguir em frente, acordar bem cedo, na dura batalha diária de lidar com a vida de pacientes em seus momentos de maior vulnerabilidade..."

Hoje quem responde as perguntas da colunista é o Dr. Fábio Siqueira Ribeiro, diretor do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), e também médico da linha de frente no combate ao coronavírus na cidade. Sendo assim, todos os casos da doença passam pelas suas mãos, desde que foi registrado aqui o primeiro caso do covid – 19. Acredito que algumas das perguntas já foram feitas e respondidas mais de uma vez, mas como o vírus ainda está aí e é bom bater na mesma tecla para que o povo possa se conscientizar cada vez mais.

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Em Carmo do Rio Claro quando surgiu o primeiro caso?

O primeiro caso confirmado em CRC surgiu há, aproximadamente, nove meses. O paciente foi admitido no hospital local, transferido para a Santa Casa de Passos e após algumas semanas de internação, faleceu.


Quais são os sintomas principais da COVID-19?

Os principais sintomas são: coriza, obstrução nasal, perda do olfato e do paladar, tosse, dispneia [falta de ar] e febre. Entretanto, outros sintomas menos comuns podem estar presentes como vômitos, diarreia e prostração.


Quais são os achados laboratoriais e de imagem característicos da COVID-19?

Achados laboratoriais são inespecíficos, no entanto observa-se comumente a diminuição das células de defesa do organismo (leucócitos) e das plaquetas. Os exames que detectam o antígeno e/ou anticorpos são os específicos e os que diagnosticam a doença.

Sobre os achados de imagem, em fases avançadas, os raios-X de tórax demonstram infiltrados atípicos comprometendo todos os campos pulmonares. Em fases precoces, a tomografia já revela presença de infiltrado reticular em bases e periferia dos pulmões.


Qual é a proporção de portadores assintomáticos dentre os casos de COVID-19?

Aproximadamente 50% das pessoas contaminadas com a COVID-19 permanecem assintomáticas.


Qual é o período de incubação da COVID-19?

O período de incubação pode variar entre 2 e 14 dias, até que a doença se manifeste.


Qual é a taxa de letalidade da COVID-19 e quais fatores de risco são significativos para a mortalidade?

Os principais fatores de risco são: idade avançada, obesidade, sedentarismo, tabagismo, hipertensão, diabetes, cardiopatias e os imunossuprimidos. A taxa de mortalidade, segundo estudos, é de 9,6%.


Qual é a duração da doença COVID-19?

A doença dura em média de 7 a 14 dias. Passado este tempo, se o paciente permanece internado, o tratamento é direcionado para as complicações da doença, algo extremamente previsível e comum.


Que precauções devem ser tomadas para evitar contrair a COVID-19 na prática clínica?

Precauções: utilização de máscaras, álcool gel e lavagem das mãos e antebraços com frequência e pelo tempo mínimo de 20 segundos, com água e sabão, e especialmente o distanciamento social. O distanciamento é o ponto-chave para evitar a contaminação.


Os pacientes que se recuperam da infecção clínica pela COVID-19 ficam imunes? E quanto aos portadores assintomáticos? Uma pessoa, após ter covid, tem chance de reinfecção?

Há indicativos de que os recuperados e os portadores assintomáticos desenvolvem algum tipo de proteção, mas a reinfecção não é algo incomum. É uma doença relativamente recente, em fase de estudos, e bastante coisa a seu respeito vem sendo descoberta.


Quem deve ser testado?

Devem ser testados para a COVID-19 aqueles que apresentem sintomas da doença.


É seguro praticar exercícios ao ar livre em público?

Respeitando as regras do distanciamento social, é seguro praticar exercícios ao ar livre. A questão de praticar atividades quaisquer “em público” é gerador de insegurança e deverá ser evitada, pelo menos por hora.


Corremos o risco de ficar sem ou cilindros de oxigênio?

Estamos atentos quanto ao estoque de oxigênio em nível hospitalar e, juntamente com a atual administração, estamos nos prevenindo e mantendo um estoque extra das balas de O2 para que ninguém venha a sofrer com a falta de oxigênio, como aconteceu em outros lugares deste país. Para a nossa região, estamos ainda longes desta possibilidade. Mas, a depender da magnitude desta situação de calamidade em saúde pública, é uma possibilidade.