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Diretor de Trânsito sai e critica prefeito e vereadora

5 de Maio de 2020

PASSOS – No mesmo dia em que o Ministério da Infraestrutura lançou a campanha Maio Amarelo de conscientização e proteção da vida no trânsito, o ex-diretor do Departamento de Trânsito da Prefeitura de Passos, Marcelo Alves Silva, o Mingau, que pediu exoneração na última quinta-feira, 30 de abril, fez duras críticas ao prefeito, Carlos Renato Lima Reis, o Renatinho Ourives, e à vereadora Isabel Aparecida Ribeiro, a Belinha, com relação à mudança na mão de direção da rua João Teixeira Mendes.

Marcelo Mingau contou que esteve junto à administração municipal por 3 anos e 4 meses. “O primeiro ano foi como Diretor de Transporte Público e, do segundo ano até hoje (ontem), foi junto ao Departamento de Trânsito. Entreguei meu pedido de exoneração na quinta-feira, 30. Nesta segunda-feira, 4, só retornei para me despedir dos amigos que fiz. Minha saída se deve ao fato de o Departamento de Trânsito, que presta um serviço muito sério para a cidade, que é cuidar do trânsito, que significa cuidar de vidas, ter sido desrespeitado e uma decisão tomada pelo prefeito Renatinho Ourives, após ser ameaçado pela vereadora Isabel Aparecida Ribeiro, que interferiu em uma decisão nossa, retornando a rua João Teixeira Mendes para mão dupla”, disse.

Ainda conforme Mingau, a decisão de colocar mão única foi feita com base em estudos e por pessoas que conhecem muito sobre o trânsito de Passos e conhecem o Código de Trânsito Brasileiro; Natal José Duarte, funcionário de carreira com 25 anos apenas no departamento. “Ele conhece e fizemos um estudo. Não só na João Teixeira Mendes, mas fizemos várias mudanças na cidade e estas mudanças estão refletindo em menos acidentes. Na avenida Arlindo Figueiredo, próximo ao Lar São Vicente de Paulo, fechamos o cruzamento onde aconteciam vários acidentes, em um deles cinco pessoas foram vítimas. Então, é neste sentido de preservação da vida que o departamento atua. Não foi diferente na João Teixeira Mendes”, afirmou Mingau.

Questionado sobre o que teria levado o prefeito a tomar a decisão de voltar atrás, Mingau contou que houve uma reunião a pedido da vereadora Belinha, que também mora nas proximidades da referida rua, e com alguns comerciantes, na qual ela teria ameaçado o prefeito. “Ela disse que Renatinho só não foi cassado graças ao seu voto. Ela cobrou a conta e cobrou um valor muito alto, no meu ponto de vista. E, em sequência a esta reunião, eu disse que não concordava. O prefeito disse que a decisão era dele. Então, não comungo. Não saio derrotado por fazer a coisa certa e não compactuar com politicagem e de forma irresponsável. São vidas que estão em jogo”, disse.

Além da questão de segurança, apontada por Marcelo Mingau, ele alerta para o uso irresponsável do dinheiro público. “Para fazer o estudo e também para implementar as mudanças, a prefeitura tem um custo e não é barato. Não consigo precisar agora o valor, mas não é pouco. Para ser jogado no lixo assim o trabalho de várias pessoas por um capricho e ameaça de uma vereadora”, garantiu.

Conforme informou o ex-diretor do Departamento de Trânsito, Marcelo Alves Silva, foram feitas várias mudanças e intervenções necessárias nos últimos tempos. “Na Arlindo Figueiredo, além do fechamento do cruzamento em frente ao Asilo, nós fizemos mudanças ao longo da avenida próximos às duas redes de hipermercados. Inclusive com faixas elevatórias.

Tiramos estacionamentos na rua dos Piantinos, próximo ao semáforo, onde sempre tinha engarrafamento. Fizemos a inversão da rua Piantinos com a Coronel João de Barros, invertendo as preferências. Todas as mudanças feitas com base em estudos. Toda mudança teve desconforto, por pessoas que estão habituadas, mas as pessoas se adaptam e entendem a necessidade e a questão de segurança”, afirmou.

Ainda sobre a João Teixeira Mendes, Mingau apontou que com mão única e com estacionamento seria até mais interessante para os comerciantes.

Até mesmo para os moradores tirarem os carros das garagens, pois não era possível sair de maneira tranqüila pois a cada momento passava carro de um lado da rua. Tudo foi feito com consentimento tanto do Secretário de Planejamento quanto do Prefeito”, contou indignado.

Abaixo-assinado

A vereadora Isabel Aparecida Ribeiro, durante sessão da Câmara de Passos, nesta segunda-feira, 4, informou que foram coletadas mais de mil assinaturas em um abaixo-assinado. “Quero dizer que, se houve uma reversão, foi porque teve união de todos em prol de uma causa. Quero aproveitar a oportunidade e agradecer ao nosso prefeito por entender que o estudo de viabilidade apresentado não condizia com a realidade da rua e por entender que esse estudo apresentado pelo Departamento de Trânsito não era real. Eu quero agradecer ao prefeito por entender e acatar a solicitação de mais de mil pessoas, a solicitação dos vereadores, dos empresários e, graças a Deus, na última reunião, uma reunião calorosa, conseguimos acertar com todos essa reversão”, disse.

Planejamento cita até influência da pandemia

PASSOS – O Secretário Municipal de Planejamento, Ulisses Araújo Silva, disse lembrou ontem que no passado havia uma demanda para que a administração municipal fizesse mão única na João Teixeira Mendes. “Foi implantada a mão única, no sentido Centro – bairro, na semana passada e houve uma reação do comércio local por conta de movimento. Entendemos que tenha coincidido com a chegada da pandemia, a queda da economia no local e, então, a administração definiu pela suspensão por 60 dias a ação. As placas foram cobertas, não foram retiradas do local e vamos fazer um estudo mais profundo. Vamos contratar uma empresa de fora para fazer um levantamento sobre esta questão da mão, se fica dupla, simples, de ida ou de volta e vai referendar o estudo técnico que o departamento já havia feito ou ultrapassá-lo”, disse.

Sobre o diretor Marcelo Mingau, o Secretário salientou que o profissional que serviu muito bem ao município. “Temos que agradecer o belo trabalho prestado por ele à cidade, ele somava junto conosco pela busca de melhor segurança no trânsito. Prezamos muito por isso, tanto que investimos muito em um medidor de velocidades, projeto de ampliar para outros cantos da cidade, estamos fazendo reduções de velocidades, sempre no sentido da segurança do munícipe, motorista ou pedestre”, garantiu Araújo Silva.

Para o ex-diretor do Departamento de Trânsito que ficou na gestão do prefeito Ataíde Vilela por 4 anos, Jeremias Cristo Alves, a decisão da administração foi precipitada e equivocada. “Este mesmo estudo feito de forma brilhante pelos funcionários do Departamento de Trânsito desta administração, havia sido feito pela então gestão de Ataíde, quando estive à frente do Departamento. Porém, por falta de recursos o estudo não foi implementado. É equivocado voltar a rua com mão dupla. O correto seria fazer um teste, de 60 dias, com mão única, para sentir o que os comerciantes e a população vai achar. Claro que a maioria das pessoas tem uma certa resistência com qualquer tipo de mudança”, afirmou o ex-diretor, que, inclusive fez uma carta ao leitor para a edição de domingo, 3, da Folha.