Destaques Opinião

Direita, esquerda, centro…

POR LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO

23 de novembro de 2020

Vejo com certa apreensão muitos discutindo ideologias, senso comum, visões de mundo de indivíduos e de grupos. E, não raro, acabam gerando confusão desnecessária. Para se ficar na placidez de uma verdade incontestável: desconhecem o que de fato significa a designação ou nominativo de ideologia, assim como suas variantes. Há os que se dizem de esquerda, outros de direita; outros, ainda, se colocando como de centro. Quando surgem forças mais afoitas, em frêmitos de batalha, se posicionando como esquerdas radicais e, noutro ângulo de ensurdecedora incompreensão, as chamadas ultradireitas.

Na superficialidade de circunstâncias, vemos e temos, também, as “mais ou menos”. Nem temperatura fria e nem quente. Nem morna. Uma substância excentricamente amorfa. Sem noção de norte e sorte. Ensimesmado, ponho-me a refletir. Por que tanta agitação no mundo social acerca das diferenças? Por que tanta babaquice junta, se posicionando num ideário maluco, que se perde exatamente em questiúnculas de somenos importância?

Ora, e é de se levar em conta. Numa definição menos agitada, e para apagar incêndios de almas pouco devotadas à harmonia e à paz, vemos que ideologia tem como escopo “apagar as diferenças, como as de classe, e de fornecer aos membros da sociedade o sentimento de identidade social, encontrando certos referenciais identificadores de todos e para todos, como, por exemplo, a humanidade, a liberdade, a igualdade, a nação, ou o Estados”.

É o que se constata entre doutrinadores e influenciadores de presença marcante no sistema institucional.
Assim sendo, não há como justificar tantas dissidências nas tribos dos inconsequentes, especialmente quando, nas pautas doutrinárias, os esquemas já estão predeterminados, predefinidos, cada qual voltado aos seus interesses. Num exemplo bem simplista, temos que a esquerda acredita que a sociedade fica melhor quando o governo interfere na relação dos indivíduos. Objetiva a igualdade social. Já a direita se mostra favorável com os direitos individuais e as liberdades civis ficando acima da participação influenciadora do governo, ou seja, menos poder de governo. Tradução literal: quando o governo entra e impõe sua vontade, a bagunça se generaliza. Essa uma visão de mundo, de indivíduos e de grupos nessa dualidade.

E quando se fala em liberal e conservador, outra briga desnecessária que se trava no mundo das interpretações. Tão simples quanto prático, o caráter explicativo. O primeiro – o liberal – está essencialmente vinculado a alas progressistas. Opta por mudanças, livre mercado, democracia, igualdade de gênero, igualdade racial, igualdade diante da lei. Já os conservadores – o próprio nome indica – têm uma visão de comportamento mais tradicional da ordem social dominante. Na visão de Russel Kirk (1918-1994), teórico político americano, “o conservador pensa na política como meio de preservar a ordem, a justiça e a liberdade”.

Em meio a tanto disparate e incompreensões, apontamos um caminho menos cruel e menos invasivo para uma boa convivência em sociedade. Podíamos largar tudo isso (direita, esquerda, centro, liberal, conservadores, entre tantas outras linhas e correntes) e partir para uma só vertente, um só segmento: as pessoas direitas. Isso mesmo. As corretas. As cidadãs que se alinham no caminho do bem, da ordem, do respeito e do progresso. Utopia? Pode ser. Já vi e participei de tantos confrontos ideológicos, cuja finalidade, pouco almejada, quase sempre terminaram em nada. Isso mesmo: em nada.

Quando menino de calças curtas, Vó Maria Pimenta, de São Sebastião do Paraíso, já dizia, com muita propriedade de que são passíveis de desavenças, na dureza da sorte, e para todo o sempre, três forças antagônicas, complexas e propícias às inconveniências: futebol, política e religião. Quando então saio com essa, para botar água na fervura em desabridas altercações: abrir mão de toda essa tranqueira ideológica – espécie de tentativa de descoberta de sexo dos anjos e deixar que os homens de bem (homens e mulheres) assumam o comando desse gigantesco arsenal que se resume numa roda-viva, e permitam que as pessoas sejam realmente aquilo que devem ser: corretas, direitas e cumpridoras dos seus deveres.

Lembrando o Almirante Barroso (Comandante da Marinha que conduziu a Armada Brasileira à vitória na Batalha do Riachuelo), maior conflito na história da América do Sul (1864-1870), quando, em mensagem para a frota brasileira, para servir de força e bravura disciplinar, arrematou: “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”. E bastou. E com isso, deixemos de lado as encrencas de “esquerda, centro, direita e outras coisas mais”. E sejamos, na plenitude retilínea, todos direitos, para o bem de todos e felicidade geral da nação.

E na esteira de insofismável beleza espiritual: antes de conquistarmos a paz do mundo, por vãs e meras filosofias que a nada levam, como procurar discussões inócuas e vazias, para nenhum efeito catalisador positivo e moral, melhor é buscar a paz no interior de cada um, através de um único e inarredável valor: o respeito. E estamos combinados.
Na boa vantagem da substância química, um ser de efeito catalisador pode ser o cidadão que tem a capacidade de estimular e dinamizar um bom papo e otimizar uma boa amizade. Dr. Morvan Brasileiro é um desses.

LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado, com escritório em Formiga, escreve aos domingos
nesta coluna.