Destaques Meio Ambiente

Dia de campo pela sustentabilidade

17 de dezembro de 2020

Servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e técnicos do Instituto Federal do Sul de Minas fizeram, na semana passada, um “dia de campo” com produtores de polvilho das cidades de Conceição dos Ouros e Cachoeira de Minas, no Sul do Estado. O trabalho é uma extensão dos workshops orientativos realizados em setembro deste ano, dentro do programa da Fiscalização Ambiental Preventiva na Agricultura (Fapa). O objetivo do dia de campo é mostrar, na prática, soluções e padrões que possam contribuir para uma produção mais sustentável e que não gere degradação ao meio ambiente.


O que você também vai ler neste artigo:

  • Polvilho
  • Eletrocoagulação
  • Reaproveitamento
  • Potencial

Polvilho

Entre os temas apresentados aos produtores, destaque para uma nova alternativa de tratamento da manipueira, que é o líquido extraído da mandioca quando ela é processada para a fabricação do polvilho. O produto pode gerar danos ambientais aos recursos hídricos e ao solo quando descartado de forma inadequada ou sem tratamento. A nova possibilidade de tratamento, conhecida como eletrocoagulação, foi apresentada pela engenheira agrônoma Kiane Cristina Leal Visconcin, que é mestranda da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade de Campinas (Unicamp).

Eletrocoagulação

A eletrocoagulação consiste em usar uma fonte de corrente elétrica contínua a partir de um par de eletrodos, que pode ser de alumínio ou ferro. “Quando colocamos os eletrodos no efluente, eles são oxidados, provocando reações físico-químicas que geram um processo de cogulação dos poluentes que estão no efluente”, diz Kiane.

Reaproveitamento

A segunda parte do dia de campo tratou da possibilidade de reaproveitamento dos resíduos sólidos gerados na produção, como cascas, ramas e a massa de mandioca, além do lodo do sistema de tratamento. Os produtores viram que esses resíduos podem ser usados na nutrição de animais, como suínos e bovinos, em substituição ao milho, o que gera economia e permite a destinação ambientalmente adequada do material que seria descartado.

Potencial

Conforme o professor do Departamento de Zootecnia do Instituto Federal do Sul de Minas, Gusthavo Ribeiro Vaz da Costa, todos os resíduos da cadeia polvilheira têm potencial para substituição parcial e, às vezes, até total do milho. “A massa e a raspa da mandioca eles já fornecem para os animais, porém, com caráter de baixa produtividade. Já o lodo não tem sido usado para alimentação animal. Eu fiz uma projeção para mostrar as análises nutricionais daqueles resíduos, mostrando que é possível substituir o milho de forma parcial ou até total, de acordo com o tipo do animal e o desempenho que se espera dele. Com essa atividade, os produtores começaram a entender que o resíduo tem um grande potencial, inclusive para comercialização”, afirma o especialista