Destaques Opinião

Dia da República com eleições

POR ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS

14 de novembro de 2020

Enfim, as eleições chegaram e a pandemia não foi embora! Ainda sob o impacto do resultado parcial das eleições norte-americanas, pois que na verdade só será finalizado lá para o dia 14 de dezembro e aqui amanhã acontecerá o “finalmente” das eleições municipais. Por que eu disse, “sob impacto”, uma vez que se tratou de uma eleição no estrangeiro? Porque nunca antes uma eleição dos EUA teve tanta torcida aqui no Brasil, fato este devido a polarização política de lá e de cá.

Não vamos ser hipócritas em esconder que tanto a direita quanto a esquerda, incluindo a grande mídia e também outros segmentos políticos daqui tiveram motivos óbvios nos resultados daquela eleição. O Bolsonarismo representando o trumpismo como não poderia deixar de acontecer, fez com que as esquerdas brasileiras e alguns segmentos liberais carregassem energias positivas a favor do Biden, até agora o presidente eleito! E o Trump continua cantando a marchinha do nosso carnaval:

“Daqui não saio, daqui ninguém me tira”. Será? A derrota do Trump em absoluto dependeu do opositor, poderia até ter sido outro que não o Biden. Até porque o que mais pesou contra o Trump, seja lá nos EUA ou no resto do mundo é a desastrosa política dele movida por ódio, racismo, mentiras e, sobretudo pelo clima que gerou de intolerância neofascista, algo que nenhum presidente norte-americano seja republicano ou democrata jamais exibiu.

Como afirmei em minha análise anterior, um presidente norte-americano seja republicano ou democrata, politicamente são identificados como de direita, portanto as diferenças entre eles são superficiais, muito mais pelos estilos pessoais de discursar e governar. Mas, no fim todos eles defendem freneticamente o imperialismo aliado aos interesses das grandes corporações empresariais dos EUA contra tudo e contra todos e “duela a quiem duela”, como dizia o Collor em péssimo portunhol nos tempos em que ele fingia ser presidente, algo parecido com o atual.

E agora, vamos analisar o nosso atual processo municipal eleitoral. Neste ano, as eleições municipais em clima de pandemia entraram também no clima da polarização política nacional. Fica algo confuso porque numa eleição municipal em geral tem as suas peculiaridades locais, onde as pendengas políticas se dão muito em torno de duas forças políticas conservadoras antagônicas, resquícios do famigerado coronelismo e só de vez em quando um partido ou um candidato fora da velha estrutura partidária consegue aparecer e vencer. Nesta eleição algo inusitado é o fato dos partidos conservadores que apoiaram o Bolsonaro em 2018, estão sem saber se se ligam ou não ao presidente (sem partido) ou se o ignoram.

E fica mais hilário ainda quando dois ou mais partidos buscam o apoio do Bolsonaro na mesma cidade, aí dá nó na cabeça do eleitor bolsonarista. Uma coisa é certa, pelo menos nas duas maiores capitais do país os candidatos que buscaram o apoio do Bolsonaro estão passando apertos, pelos dados das pesquisas. O Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) abraçado ao Bolsonaro tentando a reeleição no Rio corre o risco de não ir ao segundo turno. E o mesmo ocorre com Celso Russomanno (Republicanos-SP) que sempre sai na frente nas primeiras pesquisas e depois desaba, até já tentou se desvencilhar do Bolsonaro, mas agora é tarde.

E em Passos, uau! A cidade está de parabéns pelo enorme contingente de candidatos a demonstrar interesse em servir a comunidade passense. São sete candidatos a prefeito e 183 para vereadores, com aumento substancial feminino no total de 65 candidatas. Interessante nesta eleição é o fato de sete partidos lançarem candidaturas próprias a prefeito e fugindo das tradicionais coligações que formavam a velha bipolarização de candidatos ligados aos grupos conservadores e sempre o PT concorrendo por fora. Nesta eleição seis partidos da direita (alguns vão se identificar como de centro) de um lado e o PT de novo concorrendo por fora.

Portanto, eleitor passense olhe bem para todos estes partidos e candidatos, estude-os se não quiser arriscar a ter decepções pelos próximos quatro anos, reflita bem e vote consciente. Não se esqueça de fazer o mesmo na escolha dos vereadores. Uma Câmara Municipal ruim é tão ou mais prejudicial para a cidade, quanto um prefeito ruim. E entre os 183 candidatos de onde apenas 11 serão eleitos, dá sim para se formar uma excelente bancada de edis! E viva a República brasileira que amanhã completará 131 anos de trancos e barrancos!

ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS é Professor de História