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Deputados mineiros querem virar prefeitos

18 de agosto de 2020

BELO HORIZONTE – Mesmo com todas as agruras que os prefeitos têm passado neste mandato, enfrentando falta de recursos, crise econômica, pandemia, o cargo continua sendo objeto de desejo de parte dos deputados mineiros. Levantamento feito pelo jornal “Estado de Minas” mostra que pelo menos 13 deputados estaduais mineiros devem se candidatar ao comando de seus municípios, um parlamentar a mais que na eleição passada. O interesse dos deputados estaduais de Minas Gerais pela disputa eleitoral para as prefeituras neste ano é um pouco maior que em relação a 2016, ano do último pleito municipal, quando 11 políticos do Legislativo saíram como candidato. Nove dos 13 já estão com a decisão tomada.

É o caso de Marília Campos (PT), que já se apresenta como pré-candidata à Prefeitura de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A hoje deputada estadual já foi prefeita da cidade de 2005 a 2012 e quer retomar o posto. Deputados estaduais menos experientes também vão tentar o cargo de prefeito. É o caso de Bruno Engler (PRTB). “Queridinho” do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), o parlamentar de 23 anos conta que vê a disputa como uma “missão”.

Não é inquietação, é mais uma missão. É ver a situação que está BH e ter vontade de mudar o cenário, a posição de deputado é mais confortável. E é frustrante não ter a caneta na mão para resolver, é um status mais de cobrança”.

Outros dois deputados estaduais, mais experientes, também sairão como candidatos à Prefeitura de BH: Professor Wendel Mesquita (Solidariedade) e João Vítor Xavier, com mandatos de vereador no currículo. Cada um pontuou um motivo para tentar chegar à chefia do Executivo da capital mineira.

Minha vinda para a prefeitura é por paixão a BH. Fui vereador por um mandato e meio, fui o vereador homem mais votado de Minas Gerais em 2016, e vejo que podemos ampliar muito o trabalho da prefeitura, conheço BH de uma ponta a outra. Como professor também, passamos por várias escolas e vejo que há chance de fazer mais pela educação, tem muito a crescer”, contou Wendel.

Já João Vítor abordou uma questão de gestão. Segundo ele, a cidade pode avançar nesse sentido.

Sinto que a cidade precisa da minha participação. Sou de BH, é minha principal base eleitoral, e acho que posso contribuir muito. Primeiro com o debate, e segundo com uma gestão melhor, muito melhor. Sinto que posso ser útil dando a BH uma gestão mais democrática e mais moderna, inclusive”.

No interior

Outra deputada pré-candidata é Leninha (PT), que pretende ser prefeita de Montes Claros. A ex-vereadora da cidade do Norte de Minas crê que, além da gestão, a representatividade pesa para a decisão de trocar o Legislativo estadual pelo Executivo municipal.

Sou a primeira mulher negra eleita pela região e pela cidade de Montes Claros, da qual fui a deputada eleita majoritariamente. Carrego o compromisso de em meu mandato vocalizar os anseios, as necessidades, as prioridades de mais de uma dezena de povos e comunidades tradicionais, de agricultores e agricultoras familiares, do povo negro, das mulheres, das juventudes, do povo pobre e periférico com os quais sempre convivi”.

Sou pré-candidato porque acredito que minha experiência no Legislativo, as boas relações estabelecidas com o governo estadual e todo conhecimento que adquiri exercendo os cargos de vereador e deputado estadual, são fatores importantes para que se possa fazer um trabalho diferenciado na administração da minha cidade”, acredita Bosco (Avante), cotado para concorrer em Araxá.

Outros deputados estaduais já estão certos como pré-candidatos às prefeituras para as eleições municipais deste ano: Douglas Melo (MDB) em Sete Lagoas, e Delegado Heli Grilo (PSL) que sairá candidato em Uberaba. Quatro parlamentares ainda analisam as chances e podem decidir o futuro nas próximas semanas: Delegada Sheila (PSL) em Juiz de Fora), Repórter Rafael Martins (PSD) em Contagem, Rosângela Reis (Podemos) em Ipatinga, e Fábio Avelar (Avante) em Nova Serrana.

Alguns que tentaram um cargo no Executivo municipal em 2016 e seguem na Assembleia ainda não acenaram com a possibilidade de disputar este ano. São eles: Sargento Rodrigues (PTB), que foi candidato em Belo Horizonte; Noraldino Júnior (PSC), que disputou em Juiz de Fora; e Celinho Sintrocel (PCdoB), que tentou a Prefeitura de Coronel Fabriciano.

 

Do plenário para a chefia do Executivo municipal é a ambição de integrantes da Assembleia Legislativa. / Foto: Divulgação