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Denúncia sobre desapropriação gera polêmica na Câmara de Piumhi

13 de junho de 2020

Em 2017, o antigo lixão foi responsável por um incêndio, cuja fumaça causou mal-estar por todo município. / Foto: Divulgação

PIUMHI – Após divulgação de denúncia em redes sociais, o ex-vereador e ex-diretor do Saae de Piumhi Eduardo de Assis encaminhou um ofício à Câmara Municipal denunciando um suposto superfaturamento na desapropriação de um terreno por parte da Prefeitura. Em resposta, o vereador Júnior Camargo, conhecido como boi, afirmou que a acusação expõe sua família. Ele registrou, durante a última reunião da Câmara nesta segunda-feira, 8, uma denúncia contra Eduardo na época em que este era diretor do Saae.

A área de 5,8 hectares fica no local conhecido como Córrego da Porteira, em Piumhi. De acordo com Eduardo, o terreno foi avaliado em R$100 mil por um corretor de imóveis e a Prefeitura teria pago R$302 mil pelo local. Além disso, o valor avaliado seria correspondente a uma área produtiva, o que é questionável visto que o espaço foi usado por muitos anos como lixão, mesmo que na época não pertencesse à prefeitura.

Além da questão de valores, Eduardo também denuncia um possível conflito de interesses. Na época em que era usado como lixão, a propriedade pertencia a Messias Lourenço Ribeiro. A acusação é de que o local foi comprado posteriormente pelo neto de Messias, visto que a filha dele, Adriana Ribeiro, é servidora pública, o que dificultaria a desapropriação. Em defesa, Júnior Boi que, além de vereador também é esposo de Adriana, afirmou que tal transação comercial aconteceu há 10 anos, diferente do que o acusador dizia. “Foi uma transação feita no Fórum junto com o senhor juiz, não foi feito agora”, disse ele.

Réplica

O vereador questionou Eduardo quanto a aquisição pelo Saae de um imóvel de 1000 m² por R$90mil. De acordo com Boi, caso o terreno tivesse cinco hectares como o do lixão, seria o mesmo que o comprar por R$4,5 milhões. Em resposta, Eduardo lamentou a forma pela qual Boi se dirigiu a ele. “Estranhamos o tom de ameaça”, disse. De acordo com o ex-diretor do Saae, o terreno citado por Boi faz parte de um conjunto de quatro obras, em que a única construída foi este reservatório no Rio Piumhi.

Adriana e Messias também se defenderam publicamente, apenas o neto não se pronunciou. A aceitação ou não de ambas as denúncias será feita nas próximas reuniões da Câmara Municipal, que pode instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as acusações.