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Demanda por táxi cai durante a pandemia

20 de agosto de 2020

Premiação é para condutores com destaque em boas práticas. / Foto: Divulgação (Agência Brasil)

PASSOS – O movimento no mercado de taxistas caiu, em Passos, desde o início da pandemia do novo coronavírus. Além dos efeitos do isolamento social, outro motivo que contribuiu para a queda foi a implantação de aplicativos de mobilidade, que costumam cobrar preços menores que os cobrados pelos táxis convencionais. Ronilton da Silva possui um ponto no terminal rodoviário Doutor Tancredo de Almeida Neves e revela que a demanda caiu tanto que foi preciso recorrer a economias.

O grande problema é que temos muitas empresas trabalhando ao mesmo tempo, não existe um controle e muitos [taxistas] estão no prejuízo. Às vezes, espero por mais de cinco horas e não aparece ninguém, em alguns dias trabalhamos e em outros não, assim estamos levando, mas as despesas são muito altas e, por sorte, houve uma época em que consegui guardar dinheiro”, contou.

O empresário Geraldo Evangelista Oliveira, dono de companhia que atua neste setor, também viu sua clientela diminuir, mas, apesar disso, está conformado com a situação.

Todos que precisam trabalhar buscam por oportunidades e não tem muito o que discutir sobre isso. A queda é expressiva, mas é melhor ter poucos clientes a não ter nenhum e, por isso, acredito que, se voltar a ser o que era, será ótimo mas, se não for o caso, continuamos com o que temos. Viajamos, buscamos e levamos encomendas e estamos disponíveis a qualquer horário, não dá pra ficar reclamando”, destacou.

Com o intuito de se adaptar às mudanças do mercado, o taxista Fracys Ney Carvalho aderiu aos aplicativos durante dois meses, mas não achou que o trabalho foi lucrativo e resolveu acompanhar a tabela de preços das plataformas para garantir sua fonte de renda.

Tenho muitos gastos e achei um absurdo ter que pagar mensalidade para utilizar os recursos do sistema, então anunciei que iria cobrar o mesmo valor que eles. Embora o custo seja um fator muito considerado, as pessoas também sentem medo de pegar a covid-19, por isso sigo todas as recomendações de segurança para proteger meus clientes”, assegurou.

Devido à sua decisão, Carvalho percebeu que a procura aumentou, mas precisou começar a trabalhar mais.

Não sou contra os aplicativos, mas é certo que o lucro diminuiu bastante. Acredito que todos os profissionais da cidade terão de ajustar os valores cobrados, porque em breve todo mundo vai aderir à tecnologia. Temos que conviver com isso tudo, especialmente porque também precisamos pensar nos consumidores. Se está bom pra eles, a nossa melhor alternativa é nos adaptarmos às mudanças”, finalizou.

Para melhorar o suporte oferecido neste setor, os profissionais se reuniram para criar a Associação dos Taxistas Autônomos de Passos (Atap), que chegou a disponibilizar cursos e a implantar diversas ações na cidade. No entanto, os membros não deram continuidade ao projeto, que está parado há cerca de quatro anos.