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De pai para filho desde …

POR WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA

23 de dezembro de 2020

Quem sai aos seus, não degenera”. (Provérbio português) É verdade que, não raras vezes, quem vê o filho, vê o pai, seja pelas semelhanças físicas, seja pelo padrão comportamental e de personalidade. É tempo de Natal, de festas de fim de ano, de confraternizações, de presentear, de se reunir em família e celebrar a vida, com muita alegria. Mas, para alguns, esta data é momento de melancolia, ou por não ter o que comemorar, ou pelas lembranças tristes que remetem a um passado infeliz. De qualquer forma, recebemos todos um presente que, diferentemente dos outros, não será desembrulhado por fora – só se abre a partir do lado de dentro!

Diz-nos o Bíblia Sagrada que o Pai, na pessoa de Moisés, legou aos israelitas e, por extensão, a toda a humanidade, os dez mandamentos, preceitos universais que ultrapassam barreiras religiosas, étnicas, culturais e temporais, os quais encontram-se inseridos, explícita ou implicitamente, na legislação ordinária de todas as nações. Esses mandamentos abarcam tanto a esfera dos relacionamentos do homem com o seu semelhante quanto com a divindade, tais como: “não terás outros deuses além de mim”, “não matarás”, “não adulterarás”, “honra teu pai e tua mãe”…

Para além desse nível de compreensão e de aplicação do decálogo, de caráter meramente funcional, legalista e mecânico nas relações humanas e com Deus, necessários como etapa preparatória, pedagógica, para conduzir a um patamar superior, revela-nos o texto sagrado que o Pai se manifestou, também, na figura do Filho, em tempo oportuno, na forma de homem, tendo vivido até à morte o que pregava, e morte de cruz, nos legando a síntese do Espírito que reveste toda a Lei e o ensino dos profetas: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.

É este o advento do Natal que se aproxima, o advento do amor, ao qual somos todos convidados pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito, pois dele somos geração e carregamos impresso no nosso ser a sua imagem… e dessa herança não podemos nos ausentar, por mais que a neguemos ou ignoremos. Só seremos reconhecidos como filhos e herdeiros desse chamado – e dele vamos usufruir e nele nos alegrar –, vivendo a experiência de um caminho mais excelente, quando abrirmos o presente de dentro para fora… e se fizer Natal em nossas vidas… em qualquer tempo.
Feliz Natal a todos!

WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA, bacharel em Direito, ex-diretor da Justiça do Trabalho em Passos, escreve quinzenalmente às quartas, nesta coluna