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Cruzeiro sofre com atrasos salariais e mira venda

11 de dezembro de 2020

Por meio de nota, clube culpou Covid-19 e bloqueios judiciais por pendências. / Foto: Divulgação

Belo Horizonte – O Cruzeiro completou dois meses e meio de salários atrasados ao deixar de pagar os vencimentos de outubro, novembro e a primeira parcela do 13º. O último depósito integral, referente a agosto, foi feito em 21/10. Seis dias depois, a diretoria quitou 25% da folha de setembro. As pendências recorrentes podem abrir brecha para rescisões indiretas na Justiça do Trabalho, tal como aconteceu no início da temporada, em janeiro, quando atletas como David, Fred e Rafael deixaram a Toca II.

Desde o meio do ano, o Cruzeiro usa o dinheiro de transferências para abater parte dos compromissos com jogadores e funcionários. Em junho, o clube vendeu o zagueiro Edu ao Athletico-PR por R$ 2,5 milhões. Em outubro, aceitou R$ 3,3 milhões do Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos, pelo atacante Caio Rosa. Já em novembro, liberou o meia Maurício para o Internacional por R$ 1,2 milhão parcelados mais a contratação de William Pottker com salários pagos pelos gaúchos até março de 2021. Outro atleta que rendeu dinheiro aos cofres celestes foi o atacante Renato Kayzer. Dos R$ 5 milhões desembolsados pelo Athletico-PR no fim de setembro, o Cruzeiro ficou com R$ 3,5 milhões, o Vasco R$ 1 milhão, e o Atlético-GO, para o qual o jogador de 24 anos estava emprestado, R$ 500 mil.

Quem também poderia sair, porém acabou permanecendo na Toca, é o meia Claudinho. O presidente Sérgio Santos Rodrigues afirmou ter recusado proposta “cinco vezes maior” ao valor investido na aquisição do jovem de 20 anos, utilizado em apenas dois dos 11 jogos sob o comando do técnico Luiz Felipe Scolari. A transferência que pode amenizar o aperto financeiro do Cruzeiro é a do lateral-direito colombianoOrejuela, emprestado ao Grêmio até 31 de dezembro.

A Raposa fixou 50% dos direitos de Orejuela em 3,5 milhões de euros, dos quais foram deduzidos 150 mil euros do empréstimo. O Grêmio, portanto, precisaria pagar 3,35 milhões de euros – R$ 21 milhões, na cotação atual – divididos em oito parcelas trimestrais até o fim de 2022. O valor de cada prestação é de aproximadamente 418 mil euros (R$ 2,66 milhões). O Cruzeiro, para ter o dinheiro à vista ou em menos tempo, considera a possibilidade de oferecer um desconto ao tricolor gaúcho. O envolvimento de jogadores em troca também não está descartado.