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Cruzeiro perde um mando de campo e leva multa em caso de injúria racial

24 de novembro de 2021

BELO HORIZONTE – O Cruzeiro foi condenado com perda de um mando de campo e multa de R$ 50 mil, nesta terça-feira, 23, pela Segunda Comissão Disciplinar do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), em razão da injúria racial cometida por um torcedor celeste contra o atleta Jefferson, do Remo, em jogo do dia 28 de outubro, no Independência.

Pelo que foi debatido na sessão, ficou esclarecido que a pena será cumprida no ano que vem. Sendo assim, o Cruzeiro jogará com a presença de público na partida contra o Náutico, nesta quinta-feira, às 20h, no Mineirão, pela última rodada da Série B. O jogo marcará as despedidas de Rafael Sobis e Ariel Cabral. Mais de 40 mil bilhetes já foram comercializados.

A sessão começou com a defesa do Remo colocando o vídeo no qual mostra o atleta comemorando o gol e, nesse momento, é possível ouvir o grito de “macaco” vindo da torcida do Cruzeiro. Contudo, por um problema técnico, o vídeo não estava audível para quem estava na sala virtual. Apesar disso, essas imagens já viralizaram nas redes sociais e se tornaram de conhecimento público.

Técnico do Remo naquela partida, Felipe Conceição, que hoje está desempregado, participou do julgamento e relatou o que viu após a partida. “Fiquei sabendo no vestiário. Ele (Jefferson) estava em um canto e não estava comemorando mesmo tendo feito o gol da vitória. Dei um abraço nele e falei que era para esquecer aquilo. Depois, a gente se reuniu, fez a reza e não tocamos mais naquela situação”, disse o treinador, que foi demitido do clube no dia 10 de novembro.

Em seguida, o procurador Delmiro Campos fez sua argumentação e pediu perda de mando de campo e multa.

“A maior pena é o fechamento dos portões, porque tem como objetivo a conscientização da torcida de que não pode repetir esta conduta criminosa”, frisou. “O fato existiu, um jogador foi chamado de macaco, o clube tem que ser apenado para que este ato não volte a ser repetido. Suplicamos rigor no enfrentamento desta questão (do racismo) que se refere a todo o desporto brasileiro”, acrescentou Campos.

Advogado do Cruzeiro, Flávio Boson fez a defesa seguindo a linha argumentativa de que não havia prova cabal da injúria racial, sendo assim injusto punir o Cruzeiro.

“O julgamento é técnico e, que me desculpem os auditores, mas a legenda de fato bate com o áudio? Não consigo ouvir com toda clareza, clareza essa que se faz necessária para uma condenação desta estirpe”.