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Crise econômica e covid-19 obrigam MEI a se reinventar

29 de abril de 2020

Os microempreendedores individuais (MEI) – aqueles que faturam até R$ 60 mil por ano - poderão, a partir do próximo dia 13, participar de cursos e oficinas, tirar dúvidas e assistir palestras gratuitas sobre empreendedorismo, segurança alimentar, tributação, legislação, entre outros assuntos. Até o dia 18, o Sebrae promove, simultaneamente, nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal a semana do Microempreendedor Individual. A Semana, promovida pela sétima vez, é considerada o maior evento voltado para essa categoria de donos de negócios. A expectativa é que essa edição promova mais de 42 mil capacitações e atenda mais de 140 mil empreendedores. Data: 13/04/2015. Local: São Paulo/SP. Foto: Patricia Cruz/A2IMG

PASSOS – De acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae entre os dias 3 e 7 de abril, quase 90% dos Microempreendedores Individuais declararam ter sofrido uma redução no seu faturamento. 78% deles atuam entre as atividades que tiveram seu funcionamento suspenso por determinação de decretos estaduais ou municipais. Mais de 60% dos entrevistados gostariam de receber auxílio temporário para poder sustentar suas famílias e 51% declararam que precisariam de empréstimos para manter o negócio operando. Em Passos e região, a situação não é diferente e, das 582 empresas que buscaram ajuda, 462 são MEI. O número deste tipo de negócios chegou a 10 milhões no Brasil.

De acordo com a analista do escritório regional de Passos, Fabiana Rodrigues Rocha, aumentou muito a procura por ajuda e informações para a saída da crise frente ao coronavírus. A principal busca, ainda conforme explicou a analista é pelo auxílio emergencial de R$600 que o governo federal tem disponibilizado. Muitos informais buscaram regularizar suas atividades, percebendo que formalizados conseguem mais benefícios.

Ainda de acordo com o levantamento nacional do Sebrae, 24% dos MEI já haviam tentado obter um empréstimo no sistema financeiro, mas 72% deles não conseguiram ter o crédito aprovado.
Nas últimas semanas, o governo federal anunciou um conjunto de medidas para apoiar esses empreendedores que estão sofrendo com a perda de consumidores ocasionada pela crise do Coronavírus.

Segundo dados do Sebrae, o Auxílio Emergencial de R$600, implementado pelo governo, deve atender a cerca de 3,6 milhões de MEI que estão contemplados no critério de renda (até 3 salários-mínimos).

Fabiana conta que muitos empreendedores estão à procura de funções de legislação para obter o benefício e outros buscando linhas de crédito que possam atender às suas necessidades neste momento. “O Sebrae já beneficiou com a prorrogação da Declaração do Imposto de Rendas (DAS). O escritório de Passos é responsável pelo atendimento de 20 cidades e recebemos 516 atendimentos só de MEI de Passos relacionados à informações tecnológicas. Pessoas com dificuldades de acessar os serviços de auxílio e crédito. Alguns dos atendimentos foram relacionados à gestão financeira e e-commerce”, afirmou.

As cinco atividades econômicas mais procuradas no Sebrae em Passos foram: salão de cabeleireiros, comércio varejista de vestuário e importados, indústria de confecções de peças de vestuários, serviços de construção civil e atividades de comunicação.

“Uma das atividades que conseguiram ampliar as vendas foi a construção civil. As pessoas ficando em casa percebem que precisam fazer consertos e para isso precisava de materiais. Estamos vendo as pessoas se adaptarem com cursos e revisitando modelos, muitas empresas estão se reinventando e certamente não voltaremos após esta pandemia a sermos como antes. As academias estão se reinventando, os hotéis e pousadas já estão trabalhando para atendimento em outro sistema de limpeza e higienização muito mais rigorosos. E, os empresários já estão pensando na retomada das atividades”, disse Fabiana.

A analista citou o exemplo dos empresários do setor de queijos. “A forma de atendimento em suas fazendas não será a mesma. Este produtor terá que ter todo um cuidado com ele, com sua família e com seu cliente. As associações já estão trabalhando procedimentos e normas pós-pandemia. E assim, vários outros setores estão pensando e repensando os modelos de atendimentos de seus negócios”, afirmou.
Questionada sobre fechamento de alguma empresa por conta da crise do coronavírus, Fabiana afirmou não ter feito nenhum atendimento neste sentido.

“O que temos visto também é empreendedor buscando uma das linhas de crédito denominada Fundo de Aval da Micro e Pequena Empresa (Fampe), além de outras linhas em que a Caixa Econômica Federal e outros bancos estão fazendo parcerias com o Sebrae”, disse Fabiana.

O microempreendedor Adilson Zaparoli, que atua no ramo de projetos elétricos é um dos clientes que buscou apoio do Sebrae. Ele conta que já vinha pesquisando linhas de crédito para um financiamento, mas que os juros costumam ser altos ou exigem fiador e imóvel para dar em garantia. Então, viu na opção do Fampe uma oportunidade.

“Sou usuário de todos os benefícios que o Sebrae oferece. Desta vez, já vinha me orientando para conseguir linha de crédito para terminar um projeto de sala de aulas para engenheiros recém-formados. Já comprei os equipamentos e preciso de recursos para fazer a parte de marketing e ter capital de giro. Com a chegada desta pandemia do coronavírus, minha situação piorou, pois estou há mais de 30 dias sem fazer nenhum projeto. Não vi outra saída senão buscar novamente ajuda no Sebrae. Fiz o pedido junto à CEF da linha Fampe e estou aguardando. Pedi o máximo que um microempresário pode que é R$75 mil, espero conseguir”, afirmou Zaparoli.

Paraíso também mostra que empresas estão buscando novas alternativas

S.S. DO PARAÍSO – Em São Sebastião do Paraíso a situação da busca por auxílio no Sebrae é confirmada pela analista Lucilene Pessoni de Moura. A profissional conta que o momento representa um desafio enorme, mas também uma oportunidade de repensar o negócio e de encontrar alternativas.
“Mais do que nunca os paraisenses, assim como todos os brasileiros, estão conseguindo dar a volta por cima, restaurantes trabalhando com delivery, indústrias ou mesmo a costureira que estão produzindo máscaras, produtores com drive thru, todos se reinventando”, disse Lucilene.

Sobre a procura ao Sebrae, a analista aponta que as dúvidas geradas nessa época da pandemia do coronavírus, fez com que empresários e empreendedores procurassem esse apoio, acessando as páginas, ligando para o Whats App e também para o 0800 570 0800.

As principais demandas conforme explicou Lucilene, são também pelo auxílio emergencial, medidas para manutenção de emprego e renegociações, dúvidas financeiras e dúvidas de Marketing (vendas, ideias para manutenção das vendas).

O Sebrae tem como uma das principais preocupações as vendas, a manutenção dos empregos, e fazer a ponte entre estes pequenos comerciantes e seus fornecedores para que sobrevivam a esse momento. “E, para isso o Sebrae tem cada vez mais ficado próximo dos clientes e dos nossos parceiros preparando orientações, consultorias, lives, palestras e cursos especialmente para este momento. Estamos atendendo individualmente, atendendo demandas setoriais. Estamos todos mobilizados e juntos para esse enfrentamento. Assim como todos, sentimos falta da presença, do olho no olho, mas acreditamos que tudo isso vai passar e que sairemos mais fortes e preparados”, finalizou Lucilene.