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Crise da Casmil repercute negativamente entre dirigentes

20 de novembro de 2020

Computadores, aparelhos celulares e diversos documentos foram apreendidos na Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro. / Foto: Helder Almeida

PASSOS – A atual situação financeira da Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil) tem preocupado gestores de órgãos municipais ligados ao setor ruralista, principalmente os voltados aos pecuaristas de Passos e região. Em crise há meses, a direção da empresa já havia terceirizado a loja veterinária e o posto de combustíveis. Além disso, anunciou recentemente que paralisou a fabricação dos produtos lácteos.

Para o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (SinRural), Darlan Esper Kallas, é lamentável o que ocorre na Casmil, mesmo não estando ciente dos problemas enfrentados pela diretoria. “É difícil opinar sobre um assunto que apenas se lê, ouve e vê na imprensa em geral ou através de comentários entre pessoas da classe ruralista”, afirmou.

A Casmil faz parte da história de Passos há mais de 70 anos e vejo com muita tristeza e apreensão essa situação. É uma empresa que foi a segunda maior empresa de Passos, geradora de empregos e renda por mais de meio século, e seu produto carro-chefe foi o leite e seus derivados, como diversos tipos de queijos, manteiga etc. Todos de excelentes qualidades”, lembrou.

Kallas afirma que o preço do leite para o criador de gado não é afetado pela situação da Casmil, porque hoje, em um mundo globalizado, o valor pago ao produto pelas empresas do setor é equiparado. De acordo com ele, o Sinrural sempre disponibilizou o seu departamento jurídico e a própria entidade para ajudar a Cooperativa no que for necessário.


Secretaria

Na avaliação do secretário municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento, José Luiz Ribeiro, a situação da Casmil é péssima para a cidade. “Já está fazendo falta para muita gente. Afeta os empregos e os produtos alimentícios, pois acabou a matéria-prima. É ruim até tocar no assunto, porque não tenho contato direto com a diretoria, mas lamento muito. Enquanto algumas cooperativas estão crescendo e ficando cada vez mais fortes, como a Cooxupé e Credicitrus, muitas já fecharam as portas”, disse.

Segundo o gerente administrativo da Associação dos Produtores de Leite do Sudoeste de Minas Gerais (Aproleite), com sede em Passos, Rubens de Melo Vaz, a crise financeira da Casmil vai afetar bastante a cadeia produtiva de leite no município e região.

É muito triste o que está ocorrendo na empresa, apesar de não saber os reais motivos. É óbvio que já está causando, e ainda vai causar, elevados prejuízos a muita gente, principalmente aos pequenos produtores. No final, todo o setor paga por isso”, pontuou.

Segundo Vaz, a diretoria da Casmil chegou a conversar e tentou agendar algumas reuniões com a Aproleite no intuito de iniciar uma parceria para fornecimento de leite, mas a negociação não foi consolidada. “Penso que uma cooperativa deveria ser bem mais transparente e aberta a opiniões de seus associados, pois todos devem participar do processo”, finalizou o gerente.

Fundada em 2003, a Aproleite é uma associação sem fins lucrativos que presta serviços à classe agropecuarista de Passos e região – desde o intermédio na venda do leite produzido, assistência técnica, até compra de insumos em geral. O atual presidente, Humberto Chaves Orlandi, residente em São João Batista do Glória, onde tem propriedade rural.

Dentre as empresas captadoras de leite in natura na região, estão: Laticínios Lara – fundada em Passos e única em atividade na cidade –, Mococa, Itambé e Vigor. As que enfrentaram graves dificuldades financeiras e estão excluídas do mercado são: Cooparaíso, Cooral, Coopercarmo, CrediPassos, Coperpassos e Crediacip. Algumas foram absorvidas por outras empresas, como a Cooparaíso pela Coopercitrus.