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Credores aprovam plano de recuperação do Grupo Itaiquara

23 de dezembro de 2020

O grupo se submeteu a empréstimos e financiamentos a elevados juros, além do desequilíbrio cambial, que aumentou drasticamente a dívida. / Foto: Arquivo FM

PASSOS – Reunidos em duas assembleias – a primeira no dia 23 de novembro e a segunda no dia 16 de dezembro – os credores do Grupo Itaiquara aprovaram o Plano de Recuperação Judicial das empresas para o pagamento de uma dívida total, apurada em 11 de dezembro, no valor de R$ 937,3 milhões. O resultado das assembleias teve boa repercussão entre os funcionários da empresa em Passos, o que afasta o risco imediato de uma falência e a consequentes paralisação das atividades da empresa.

Denominado “Plano Nova Itaiquara”, o documento trata das dívidas das empresas do grupo: Itaiquara Alimentos S.A., Comercial São João Baptista S.A., Usina Açucareira Passos S.A., Agro Pecuária Vale do Rio Grande S.A., Atacadista e Comissária Itaiquara Ltda., João Guilherme Figueiredo Whitaker, Guilherme Whitaker de Lima Silva e Marcos do Amaral Mesquita. A assembleia foi realizada em Tapiratiba – sede da empresa – e Passos, por via sistema de web conferência/chat virtual de forma virtual, sobre a coordenação da justiça da Comarca de Caconde.

Pelo plano apresentado e aprovado, a recuperanda busca superar sua crise econômico-financeira e reestruturar seus negócios com o objetivo de preservar e adequar as suas atividades empresariais; manter-se como fonte de geração de riquezas, tributos e empregos; além de renegociar o pagamento de seus credores – detalhado nas duas últimas assembleias.

Somente de créditos trabalhistas, para 3.394 relacionados, o volume da dívida de apenas uma das empresas do grupo relacionada no quadro geral de credores consolidado (provisório, em 11 de dezembro de 2020) é estimada em R$ 71,9 milhões. As dívidas para oito credores com garantia real (bancos e cooperativas), somam R$ 330,7 milhões; os 843 credores com créditos quirografários (são aqueles fornecedores e profissionais que decorrem somente do simples encontro de vontade entre as partes, tendo como garantia a simples promessa do devedor de que, no vencimento, vai adimplir a obrigação), têm direito a um valor final de R$ 388,3 milhões; já para 207 micro empresas e epp’s, o valor chega a R$ 12,6 milhões.

Ainda nas assembleias, foi apresentado o plano de viabilidade econômica da Nova Itaiquara e Avaliação dos Ativos. E, como solução mais eficiente para a equalização e liquidação de parte substancial do passivo da recuperanda, o Plano Nova Itaiquara prevê a reestruturação do passivo. Com o Plano aprovado na semana passada, o grupo prevê ainda a realização de medidas que objetivam o reperfilamento do endividamento.


Crise da empresa teve início em 2007

PASSOS – Em seu pedido de recuperação judicial junto à justiça da Comarca de Caconde, em novembro de 2019, o Grupo Itaiquara argumenta que as dificuldades financeiras tiveram início no ano de 2007, quando se instaurou a crise no mercado sucroalcooleiro brasileiro, sendo agravada no segundo semestre de 2008, com a crise do Subprime (crise financeira desencadeada em 24 de julho de 2007 nos Estados Unidos, a partir da queda do índice Dow Jones motivada pela concessão de empréstimos hipotecários de alto risco (em inglês: subprime loan ou subprime mortgage), prática que arrastou vários bancos para uma situação de insolvência, repercutindo fortemente sobre as bolsas de valores de todo o mundo) comprometendo a concessão de crédito no mercado financeiro, época em que o grupo investia na implantação da Destilaria e na ampliação da lavoura de cana-de-açúcar, impactando diretamente no capital de giro.

Em virtude da necessidade de recursos de terceiros para a manutenção da operação, o grupo se submeteu a empréstimos e financiamentos a elevados juros, além do desequilíbrio cambial, que aumentou drasticamente a dívida. Em 2012, o grupo decidiu colocar a Usina Açucareira Passos S.A a venda, e em dezembro do mesmo ano, prestes ao controle da usina ser assumido por uma companhia indiana, a compradora teve problemas na bolsa de valores de Cingapura, rescindindo a intenção de compra. A partir de tal ocorrido, o grupo deixou de honrar suas dívidas bancárias, focando os pagamentos na operação, quitando apenas as obrigações com funcionários e colaboradores.

Além disso, houve ainda excesso de açúcar no mercado internacional, o que provocou brusca queda no preço de comercialização do produto em todo o período. Pressionadas por baixos preços e necessidades de caixa, o Grupo Itaiquara foram obrigadas a vender seus estoques abaixo do custo de produção na maior parte da safra, fazendo com que tivessem resultado operacional negativo.

Com a baixa da disponibilidade de caixa, a produtividade dos canaviais foi reduzida vertiginosamente em razão da dificuldade de adquirir insumos em quantidade necessária para exercer o manejo, o que, aliado aos desdobramentos de medidas judiciais ajuizadas contra a recuperanda e o Grupo Itaiquara, ocasionou o pedido de recuperação judicial.