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Covid ameaça trabalho de ONG Expresso Alegria em Passos

27 de abril de 2020

PASSOS – Não só os setores industrial e comercial, mas algumas ONGs, entidades filantrópicas e assistências de Passos estão sentido o impacto provocado pela crise financeira causada pela pandemia do coronavírus. A Associação Expresso Alegria, formada por voluntários que se vestem de palhaços para visitar pacientes em hospitais, por exemplo, está enfrentando sérios problemas financeiros em razão da queda de doações em dinheiro e cestas básicas, e até correndo o risco de fechar as portas.

“Se a situação não melhorar nos próximos três meses, vamos deixar definitivamente o trabalho voluntariado de visitas aos hospitais, lares de idosos, creches, escolas, Cemei’s e promover e participar de eventos beneficentes”, afirmou o presidente e fundador da ONG, Paulo Roberto Emygdio. “Desde o início da pandemia, estamos passando por dificuldades quanto a doações de cestas básicas que repassamos para famílias carentes. Antes recebíamos cerca de 30 por mês, em abril ganhamos apenas duas. Caiu bastante também a quantidade de dinheiro que nos era ofertado por comerciantes, empresários e amigos para aplicarmos no pagamento de aluguel da nossa sede, além de outras despesas como água, luz, telefone etc. Ainda bem que temos uma casa muito bem montada onde acolhemos, inclusive, pessoas de outras cidades que fazem tratamento de saúde e recebem gratuitamente alimentação e hospedagem”, completou.

A entidade, fundada há nove anos, está em nova sede há três meses. Se localiza na rua Saldanha da Gama, 31, a menos de 500 metros da Santa Casa e do Hospital Regional do Câncer. “Ela está muito bem situada e facilita muito o nosso serviço, mas sem dinheiro é complicado demais. Conseguimos negociar com o proprietário do imóvel a redução no valor do aluguel em R$ 500 até julho, mas se as doações em geral não voltarem ao menos à metade do que eram antes, vamos ter que entregar a casa”, afirmou Emygdio.

Para tentar amenizar a crise financeira da Expresso Alegria, a doação de um aparador e quadro artístico será transformada em uma ação entre amigos. “Mandamos confeccionar 300 bilhetes a R$ 10 cada. Se todos forem vendidos, vamos arrecadas R$ 3 mil, dinheiro que vai servir para pagar ao menos o aluguel da sede”, ressaltou.

Apesar de aproximadamente 60 voluntários estejam cadastrados na associação, pouco mais de 20 estão exercendo suas funções. De acordo com o presidente, a queda na participação dos palhaços se deve à pandemia. “Em razão dela, nossos trabalhos estão temporariamente suspensos. Até a nossa viagem missionária que realizamos todos os anos, em julho, para a divisa entre Brasil e Bolívia está bem ameaçada”, finalizou Emygdio.

A diretoria executiva da Expresso Alegria é formada ainda por Hebert de Oliveira, vice-presidente; Benedito dos Reis, secretário; Cristóvão da Silva, tesoureiro. O telefone de contato é 9-9755-2453.

Doutores

A outra ONG em Passos que realiza praticamente o mesmo trabalho é a Associação Doutores Amigos da Alegria, presidida por Solange Maria de Oliveira Lima. Apesar da crise provocada pela covid-19, a situação financeira do grupo é estável. “Nós sobrevivemos dos nossos próprios recursos, ou seja, cada um dos 25 palhaços que formam a entidade se mantém como voluntários e compram seu próprio material de uso, como uniforme, sapato, chapéu, maquiagem etc. Temos outra vantagem que é ter uma sede provisória na rua Carlos Gomes, cujo imóvel é meu e não cobro aluguel. Os trabalhos assistenciais nós também realizamos, mas não são constantes”, explicou.