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Covid- 19: instinto de Vida e morte e os Ipês Roxos

21 de Maio de 2020

Em tempos de Covid-19, sensações invadem corações e lares e muito se pode aprender com esta experiência de crescimento. Estive refletindo sobre instinto de vida e instinto de morte, e trago questionamentos e simbologias que podem nos fortalecer. Você sabe por quê Ipês Roxos florescem exatamente no inverno seco? Em função do estresse causado pelo frio, pouca luz e seca. Essa analogia entre instinto de vida e morte com o processo de florescer dos Ipês Roxos, muito me instiga, porque não há esperança sem o seu contrário, nem mesmo luz sem escuridão.

Experimentamos fases que nos revelam as mais surpreendentes contradições. Amamos a vida como também a negamos.

Ao nos olharmos há um fundinho de verdade comum a todos: entristecemos e nos alegramos, fraquejamos e nos fortalecemos, desejamos e desistimos, cuidamo-nos e nos esquecemos, instinto de vida e instinto de morte! O que nos diz o instinto de morte? Somos apenas construtivos? Negar possibilidades de se sentir vivo é autodestrutivo? Podemos nos sentir um morto vivo? Tem-se a morte do corpo (aquela que leva para debaixo da terra) e outras diárias, em forma de perdas e anulações.

A analogia da vida com a experiência do Ipê Roxo expressa muitas reflexões que florescem para nos ensinar. Essa bela árvore tem um significado de transformação e chama a atenção pelo colorido que produz nos espaços cotidianos. Se ela passa pelo estresse para chegar em sua maturidade e plenitude, assim somos nós! Ipês Roxos entendem a seca, como um sinal de que seu fim pode ser iminente, que a morte é uma ameaça próxima, e com isso, produzem o máximo de sementes para deixar descendentes. Questionemos sobre as sementes e o que desejamos plantar e gerar, como também sobre os motivos que nos acordam para a nossa imensidão.

O que vivemos sem total consciência, ou seja, inconscientemente? Às vezes, sentimos muito frio como se não fôssemos jamais encontrar calor. Em outras, não sabemos definir a fome que sentimos, e parece que morreremos de fome.

Como canta a banda Titãs na música “Comida”: “você tem fome de que? ” Quais as emoções te alimentam? E seguimos dançando com o instinto de vida e instinto de morte! Diz um dito popular: “semente de ipê não cai na poeira” enquanto o sertanejo alerta que “a florada do Ipê é um bom sinal, já que indica a chegada da chuva”, o que contribui para refletir, que tanto o sentimento de vida, como o de morte, possui valioso significado guardado em um movimento interno em constante conflitos e transformação.

“O conflito é bom. O negativo também. Fazem nascer e crescer! É no momento de maior sofrimento do ano que os Ipês Roxos perdem todas as folhas indo ao encontro do florescer.”

Estamos vivendo tempos de frio e de seca, nos sentindo ameaçados. Entretanto, podemos olhar para esta realidade em direção a fortes e necessárias mudanças.

Deixemos cair folhas secas, atitudes e pensamentos que não servem mais. Tenhamos paciência com o tempo, com o ambiente e com o nosso processo de recolhimento para deixar nascer o melhor e mais bonito em nós! Cada um tem um Ipê Roxo dentro de si!

RENATA FARCHE é Psicóloga Clínica e Jurídica, Educadora e Consultora de Desenvolvimento Humano.