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Cotas garantem vagas para mulheres disputarem cargos

7 de agosto de 2020

PASSOS – Elas são, segundo o IBGE, 51,9% da população, mas estão sub-representadas na política: em 2018, o número de mulheres na Câmara dos Deputados saltou 51% e bateu recorde, mas atingiu apenas a marca de 15% entre 513 parlamentares. Em 2016, nas últimas eleições municipais, somente 11,6% das prefeituras eleitas eram mulheres. Atualmente, na formação da Câmara Municipal de Passos, das 11 cadeiras na Casa elas ocupam 3.

O que você também vai ler neste artigo:

  • Regras
  • Dinheiro do fundo
  • Apesar de reservas, representação feminina no Legislativo é de 15%

Existem regras que procuram estimular a participação feminina na política. Nas últimas eleições, alguns partidos recorreram ilegalmente a “candidatas laranjas”, mulheres que concorrem apenas para cumprir a quota de 30% de candidaturas femininas e não recebem recursos de campanha.
Antes do prazo final das filiações – fator indispensável para as candidaturas – os partidos buscaram candidatas mulheres, mas com o objetivo de possibilitar a candidatura de mais homens. O temor de algumas siglas é que eles tenham que barrar os candidatos homens para manter a proporcionalidade de gênero exigida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Regras

Existem duas regras que procuram estimular a participação feminina nas eleições. A primeira é uma lei que estabelece que no mínimo 30% das candidaturas devem ser femininas. A outra, fixada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), obriga os partidos a direcionarem 5% do Fundo Partidário para as campanhas de mulheres. Esse é um fator importante também para a candidata ao cargo de vice, pois se ela for mulher, terá recursos assegurados no Fundo.A lei 9.504/1997, alterada em 2009, determina que “cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo”.

No município de Passos, por exemplo, cada partido pode lançar até 17 candidatos para a Câmara de Vereadores. Destes, 30%, ou 6 deles, teriam que ser mulheres. Se o partido não conseguir 6 candidatas, o número de postulantes homens precisa ser menor para atender a porcentagem mínima estabelecida por lei.

Dinheiro do fundo

O TSE decidiu que as campanhas de mulheres devem receber, pelo menos, 30% dos recursos do fundo eleitoral e do tempo de propaganda. Em dezembro de 2019, o TSE aprovou uma nova resolução que determina que, além do mínimo de 30% dos recursos, as candidatas devem receber valor proporcional à quantidade de postulantes. Se o número de mulheres representar mais do que 30% dos candidatos, o porcentual de recursos para suas campanhas deve acompanhar a mesma proporção.

Mas o que acontece se as cotas para mulheres nas eleições não forem cumpridas? Também no ano passado, o TSE firmou o entendimento de que a presença de candidatas laranjas deve levar à cassação de toda a chapa. A Corte cassou o mandato de seis vereadores de Valença do Piauí (PI) que se elegeram em uma coligação com a presença de cinco candidatas que tiveram votação inexpressiva, não promoveram atos de campanha e não tiveram gastos declarados em suas prestações de contas.

Apesar de reservas, representação feminina no Legislativo é de 15%

PASSOS – A reserva de vagas e recursos, no entanto, ainda não levou à equidade de gênero na política. Um levantamento recente apontou que, assim como na Câmara dos Deputados, a média de ocupantes mulheres também ficou em 15% nas Assembleias Legislativas estaduais em 2018. O parlamento de Mato Grosso do Sul não tinha nenhuma parlamentar.

No pleito de 2018, aumentou o número de mulheres na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG): elas eram em número de 6 e agora são 10 as representantes femininas. Em contrapartida, foram eleitas quatro mulheres representantes de Minas Gerais para a Câmara Federal, uma a menos que na legislatura anterior.

Em São Paulo, a Procuradoria Regional Eleitoral identificou mais de 60 candidatas laranjas nas últimas eleições e pedia a impugnação dos partidos e coligações que teriam cometido as irregularidades. Em todo o País, 24 candidatos não receberam um voto sequer no pleito de 2018 – 21 eram mulheres. Como receberam “aportes insignificantes” e “votações ínfimas ou não existentes”, o TSE enxergou indícios de serem candidaturas laranjas.

No ano passado, a Câmara chegou a discutir novas regras para abrandar as cotas femininas nas eleições. O projeto não avançou. A organização internacional União Parlamentar, em 2019, identificou um aumento da presença feminina nos parlamentos em países onde foram implementadas cotas eleitorais para mulheres – mas os resultados foram observados apenas ao longo de três décadas.