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Cotação do leite oscila na região

Por Nathália Araújo / Redação

27 de novembro de 2020

Foto: Divulgação (Agência Brasil)

PASSOS – A falta de chuvas nos municípios do Sudoeste mineiro tem afetado diretamente a produção leiteira da região, uma vez que os pastos estão secos e os animais não conseguem manter uma dieta com silagem. De acordo com um levantamento realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), no balanço referente a outubro, o preço da mercadoria registrou queda de 7% na comparação com setembro. No entanto, a segunda quinzena de novembro foi marcada por boas avaliações, com alta de 10,82% no valor cobrado pelo litro da matéria-prima, que deve ser pago no próximo mês aos produtores.

Segundo Rubens de Melo Vaz, gerente administrativo da Associação dos Produtores de Leite do Sudoeste de Minas (Aproleite), mesmo com a desvalorização da mercadoria, os investimentos do setor continuaram em alta e isso prejudicou os lucros.


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O milho e a soja são os grãos que compõem a ração do gado e, como permanecem com bons preços, a venda de leite quase não oferece rendimentos aos produtores e isso os desestimula. Se as coisas continuarem assim, acredito que muitos devem preparar os animais para corte, especialmente porque a carne bovina tem sido muito bem avaliada neste ano. Se a produção cai, consequentemente, os custos voltam a subir e isso é o que tem acontecido”, destacou.

Para o engenheiro agrônomo João Carlos Lemos, o leite não deve registrar novas quedas até o fim do ano, considerando que, desde o início da pandemia do novo coronavírus, a procura por produtos lácteos aumentou em todo o Brasil.

Os custos de produção estão bem caros e a quantidade de leite disponível para a comercialização diminuiu um pouco. Então, tudo indica que a maior dificuldade será atender à demanda em nossa região. Quem fornece para lacticínios ou possui contratos que envolvem grandes volumes de vendas deve redobrar os cuidados com o rebanho para garantir a disponibilidade do produto”, explicou o profissional.

João Batista de Souza trabalha com gado leiteiro há quase 40 anos e revela que está preocupado com o futuro dos negócios.

Já enfrentamos épocas de seca e com pouca produção de leite, apesar disso, neste ano o comércio se manteve aquecido para o agronegócio e ainda temos muito trabalho pela frente. Se não tivermos a quantidade suficiente de leite para entregar aos clientes, vamos perder nossos lucros, então estamos fazendo o possível para que o pior não aconteça. Precisamos muito das chuvas, de pastos verdes e vacas saudáveis, porque isso vai garantir nossa fonte de renda e o alimento de muitas pessoas”, disse o produtor rural.

Na região, o litro do leite cru foi cotado pela Cepea em R$1,94 – o aumento foi de 10,04% em relação às avaliações da última semana. No mercado futuro, até a próxima sexta-feira, o produto deve chegar a R$1,98.