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Coronavírus provoca queda no mercado de prostituição

8 de abril de 2020

PASSOS – A pandemia de coronavírus afetou o mercado de prostituição e causou uma queda de até 80% na renda de profissionais do sexo que atuam em Passos. As medidas de isolamento social severo, o medo do contágio e a queda no turismo de negócios fizeram com que os clientes desaparecessem e algumas prostitutas estão dependendo de doação de cestas básicas.

Enquanto Verônica sente falta de quando tinha dinheiro para tomar um refrigerante, Amanda diz que tem um pouco de grana guardada e já não sabe por quanto tempo vai viver com esse dinheiro que estava poupando. Janaína, outra acompanhante, está tão chateada que só quer que toda essa situação da covid-19 acabe logo. “Não aguento mais a situação”. As três trabalham como prostitutas e afirmam que a covid-19 afetou severamente seus rendimentos. “As pessoas têm medo de vir para o atendimento. Eu tenho medo! Sou prostituta há dez anos e nunca vi um movimento tão baixo. Essa gripe fez com que meus atendimentos diminuíssem cerca de 80%.

É muito complicado. Eu preciso desse dinheiro, porém, não quero ter o azar de ser contaminada com essa gripe nova. Tenho clientes que foram para o exterior, para a Europa, onde a situação tem sido bem complicada. Está um perigo”, disse Janaína.

Milena tem 25 anos, começou a se prostituir no final do ano passado e disse que estava tudo indo bem, até a covid-19 chegar ao Brasil, Segundo ela, março não foi um mês bom. “Em janeiro e fevereiro cheguei a tirar de seis a dez salários-mínimos, contudo, em março caiu muito. Faz duas semanas que não atendo. Antes eram cerca de quatro clientes por dia. Agora estou de quarentena. Não quero correr o risco de pegar essa doença”, ressaltou Milena. A jovem disse que espera que tudo volte ao normal logo. “Eu tenho muitas contas para pagar, inclusive, não atendo em casa. Alugo um espaço para atender e pago R$600 de aluguel. Tenho uma pequena reserva, mas logo vai acabar” desabafou.

 

Doações

Verônica, de 40 anos, afirma que também está parada. “Não estou atendendo ninguém. Por incrível que pareça, esta semana, eu fiz um programa. Tenho passado muita dificuldade. Muita mesmo. Estou sobrevivendo da ajuda dos meus amigos. Vem um e te dá um pacote de arroz, um quilo de feijão. Hoje, até ganhei um álcool em gel que não tinha conseguido comprar”, contou. Verônica contou sobre outro problema. Segundo ela, os clientes de fora que vinham para Passos, a trabalho, não estão vindo mais ao município. “Não está vindo nenhum viajante. Acabou! Já cheguei a atender até 18 pessoas em um mesmo dia, agora, infelizmente, não tenho atendido ninguém”, lamentou.

A acompanhante disse que trabalha para sobreviver. “Eu tenho uma mãe que é muito doente, preciso mandar dinheiro para ela. Ela toma vários tipos de remédios por mês. Inclusive, parei de ajudá-la por esses dias pois nem dinheiro para mim estou tendo”, revelou. Verônica contou para Equipe da Folha da Manhã que está vivendo de doações. “Hoje ganhei uma cesta básica, para você ter uma noção do que eu estou passando. Além disso, um cliente me emprestou R$20 para que eu pudesse comprar um gás. A crise está feia e os clientes não estão vindo, porém, tenho fé que isso tudo vai passar logo e os clientes vão voltar. Vou poder pagar meus cartões atrasados e ter vida normal novamente”, falou.