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Cooperados criam chapa de oposição na Casmil

Ézio Santos/ Especial

21 de setembro de 2021

ENTRE OS COOPERADOS PRESENTEs, ESTAVAM EDUARDO CARDOSO, RENATO MEDEIROS, ALESSANDRO LEMOS E GUSTAVO GARRIDO

PASSOS – Preocupados com a possibilidade de liquidação da Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil) um grupo de cooperadores ainda ativos formaram uma chapa de oposição, com seis nomes, para concorrer à nova eleição do Conselho Fiscal (CF) para 2021/2022, prevista para o próximo domingo, dia 26.

A convocação para a Assembleia Geral Ordinário (AGO) foi feita por meio de edital publicado no início do mês, nesta Folha, pelo diretor-presidente da instituição, Leonardo dos Reis Medeiros. O local será na fábrica de ração, localizada na rodovia MG-050, 1.100, sentido Itaú de Minas.

A decisão foi tomada porque, na avaliação deles, a atual diretoria executiva teria cometido supostas irregularidades, principalmente a partir do ano passado. Eles citam, como exemplo, o encerramento da captação de leite cru, o fechamento da fábrica de lácteos e da loja agro veterinária, além do desmanche de maquinário utilizado no processamento de produtos derivados do leite e alegam não ter informações sobre o valor total da dívida da empresa e nem do patrimônio. Um inquérito na Polícia Civil investiga as denúncias.

A chapa Casmil Transparente foi criada após uma reunião, na última sexta-feira, 17, na sede do Sindicato dos Produtores Rurais de Passos, que teve a participação de cooperados.

“Os nomes estão mantidos em sigilo para evitar problemas que podem partir da atual diretoria. Apesar da falta de transparência, até mesmo em relação ao pleito do dia 26 de setembro próximo, a intenção é registrar a chapa amanhã (hoje), ou nesta quarta-feira, junto à Comissão Eleitoral”, revelou a advogada Gabriela Amorim Pinheiro, Assessora Jurídica dos cooperados da Casmil.

Documentos

Desde o início da semana passada, Renato Medeiros, acompanhado da advogada, tentou ter acesso aos livros e documentos da empresa. Dia 13, na fábrica de ração, onde está a sala da diretoria, Leonardo não permitiu que o cooperado pudesse manuseá-los, afirmando que apenas com autorização da assessoria jurídica e com data e horário determinado. Gabriela disse posteriormente que conversou com Tarcélio e foram novamente na tarde do dia 17.

“Fomos recebidos por um funcionário da Casmil que nos mostrou tão somente muitas folhas e dizendo ser o balancete financeiro de entradas e receitas da cooperativa pertinentes a 2020. Não pudemos nem ver os livros de presenças, atas das assembleias ordinárias, extraordinárias, documentos relacionados à diretoria executiva e outros”, contou a advogada.

Inquérito

O delegado Felipe Capute, que está à frente do inquérito na Polícia Civil, revelou ontem, à reportagem, que o Banco Central não cumpriu a decisão judicial de liberar o acesso às contas bancárias dos membros da atual diretoria da Casmil, mas solicitou que um juiz ordenasse que o banco envolvido na investigação, o entregasse diretamente toda as informações.

“Já estou trabalhando com elas, e ciente da AGO do próximo domingo convocada pela diretoria”, disse.