Destaques Geral

Comunidade libanesa lastima explosões em Beirute

6 de agosto de 2020

Explosões no porto em Beirute, no Líbano, nesta terça, 4. / Foto: Divulgação

PASSOS – As explosões no porto em Beirute, no Líbano, na terça-feira, 4, deixaram mais de 100 mortos e o risco de desabastecimento de alimentos. A tragédia que chocou o mundo neste momento já tão terrível pela pandemia do coronavírus tocou o coração de muitos passenses de origem libanesa.

Passos e também a região têm diversas famílias libanesas. Um morador da cidade, nascido no Líbano, foi procurado para dar entrevista, porém, por sua idade avançada e a questão do isolamento, os filhos pediram para que não fosse entrevistado. Eles não contaram sobre o ataque ocorrido na terça-feira. Esta família tem parentes que moram no Líbano e resta apenas orar.

De acordo com a advogada Dariane Andrade Hadad, de origem síria, muito do Brasil foi construído pelas mãos de tantos libaneses e sírios que estão nos descendentes.

Inclusive, em características como povo que até pensamos serem originalmente nossas, brasileiras, mas são árabes na essência. A Síria sofre há muito com uma guerra civil terrível. Agora, o Líbano, que já vem de tensões internas, sofreu um tremendo golpe com essa explosão inacreditável. Toda força ao povo libanês. Estamos unidos em oração”, disse.

Para a descendente de libaneses Marlene Esper Caixeta, esta explosão representa muita tristeza.

Mesmo nunca tendo ido ao Líbano, temos uma ligação familiar e histórica com este povo. Minha irmã Mirna foi há poucos anos e nossos primos de lá a trataram muito bem. Mesmo sendo parentes distantes, a relação é intensa. Estamos todos muito sofridos pelo acontecido. Meus avós nasceram lá e depois vieram para Passos. Eram Balomia Salém e José Esper Kallas, que com os anos passou a se chamar José Abdo Esper”, afirmou a irmã de José Esper Neto e Balomia, que é casada com o libanês Nabil George Partian.

Marlene contou no final do dia que conseguiram falar com um primo no Líbano e que ele disse estar tudo bem com todos os familiares.

Nos contou que tem muita gente desabrigada. Milhares, mas que esta não é a primeira vez que a nossa terra passa por situação parecida. Vamos nos reerguer“.

Um dos últimos libaneses a vir para Passos é o chef gourmet Nicolas Georges Kouba, que escolheu a cidade para morar há 26 anos. Ele soube das explosões e disse logo ter se preocupado com seus familiares que moram em Beirute.

Eu morava há dois quilômetros de onde aconteceram as explosões em Beirute. Tenho irmãos, sobrinhos e primos que moram no Líbano. É muito triste isso que aconteceu. Nunca soube de algo deste porte. Tenho amigos que foram feridos e estão hospitalizados. Já soubemos notícias, mas é muito ruim e triste tudo isso”, afirmou Kouba.

O jovem Rabah Zeineddine, 25 anos, especialista em inteligência artificial na IBM Brasil nasceu em Rashaya, Beqaa e está no Brasil há 6 anos. Desde o início da quarentena está em Passos e contou à reportagem ter recebido com muita tristeza a notícia das explosões ocorridas em Beirute.

Fiquei desolado com as explosões. Um sentimento de tristeza e dor com meus conterrâneos sofrendo mais uma vez com o horror da destruição e mortes. Isso nos faz reviver os longos tempos passados de guerras e conflitos. Meus pais, irmãos e todos os meus familiares moram no Líbano. Vim para o Brasil estudar e ao término do meu curso tive proposta de trabalho e decidi ficar. Meu irmão estava próximo da área da explosão, e fiquei sabendo instantes após a segunda explosão”, contou Zeineddine.

Ainda conforme o libanês, na terça-feira, parou seu trabalho e se ocupou em falar com seus familiares e amigos e acompanhando aos noticiários da TV.

Não perdi nenhum amigo ou familiar graças a Deus, mas duas pessoas da minha cidade, vizinhos dos meus pais, estavam em visita pela capital e faleceram. A preocupação é com os familiares das vítimas, as pessoas acidentadas, as famílias desalojadas e como acontecerá todo este processo de reconstrução das áreas destruídas, pois, o país passa, além do problema sanitário do novo coronavírus, uma profunda crise econômica nunca vivida, mesmo no pós-guerra”, finalizou.