Destaques Dia a Dia

COMPETÊNCIA

Por DÉCIO MARTINS CANÇADO

29 de dezembro de 2020

A competência integra as diversas dimensões humanas, quando se trata de desenvolver uma atividade, e envolve o atendimento de necessidades, tais como desejos, emoções, tarefas de trabalho, que incentivam a busca de conhecimentos e habilidades. O conjunto de ‘crenças e valores’ implícitos na pessoa, em tudo que realizamos, vai definir o ‘modo de ser’ do indivíduo no mundo, e isso é justificado por suas crenças, que vão determinar o ‘grau de motivação’ para realizar uma dada atividade.

A competência se expressa, portanto, pelo ‘modo singular’ como uma habilidade é operacionalizada. Dessa forma, os processos de autoestima e identificação do sujeito da ação determinam diferentes graus de competência. Ela engloba os conhecimentos, as habilidades e o modo singular presentes na realização humana.

Ser competente naquilo que se faz tornou-se um atributo inquestionável e necessário a qualquer profissional e em qualquer atividade. Quando alguém se candidata a um emprego, ou se submete a uma entrevista para consegui-lo, há sempre ‘no ar’ aquelas perguntas: Qual a sua formação? Que experiência anterior você apresenta? Quais são suas referências? Que resultados pretende alcançar e em quanto tempo? Quais habilidades você possui para exercer esse cargo?

Os estudiosos do assunto catalogaram alguns tipos de ‘competências’, de acordo com suas características e ação: São elas: Competências básicas, específicas e transversais; Geral, de gestão e profissional. Para ilustrar o assunto, lembrei-me que o avô da minha esposa, Sr. João Piantino, sempre nos relatava um acontecimento de sua época de estudante. Certo dia, ao resolver um problema de Matemática no “quadro negro”, que depois passou a ser ‘verde” e hoje é “branco” (na ‘lousa’, como ele dizia), efetuou os cálculos utilizando a ‘Álgebra’, com o que seu professor não concordou, pois queria que o problema fosse resolvido através da ‘Aritmética’. O tal professor, então, em tom de caçoada, chamou-o de ‘sabichão’, por ele ter demonstrado um conhecimento além do que havia sido ensinado em sala de aula até aquele momento.

Esse fato aconteceu há mais de 90 anos, mas ilustra bastante o que, modernamente, os pedagogos estão preocupados em transmitir a todos nós: que o domínio da capacidade de pensar de forma abrangente e autônoma é, sem dúvida, individual, e um dos maiores desafios da educação. Decorrido tanto tempo, são poucas as pessoas com capacidade de criar, de inovar, de buscar soluções próprias, baseadas na iniciativa, na competência, no raciocínio e no discernimento.

O que mais se encontra atualmente nas realizações das entidades são ‘cópias’ de ideias antigas, sem o mínimo de originalidade e de criatividade. Muda-se a roupagem, a forma de apresentação, mas o conteúdo, nada traz de novo.
Cláudio de Moura nos diz que:

Somente quem domina as competências genéricas, trazidas por uma boa educação, tem a cabeça arrumada de forma a aprender rapidamente as ocupações modernas, que envolvem administrar, negociar, coordenar e, talvez o mais importante, comunicar-se. Entender bem o que leu, escrever claro e comunicar-se, inclusive em outras línguas, são os conhecimentos profissionais mais valiosos”, e conclui, a respeito da tão propalada ‘especialização’, que acaba por tolher habilidades tão necessárias à profissão de qualquer pessoa:

Alguém disse que um especialista é uma pessoa que sabe cada vez mais sobre cada vez menos. A frase é engraçadinha, porém, errada. Cadê o especialista que só sabe de um assunto? Certamente, não está nos empregos mais cobiçados.

Fica evidente que, emprego e profissão estão intimamente ligados à formação e à educação, que vem da família e também da escola. Preocupo-me com isso, e a isso dediquei toda a minha vida de Educador, pois sempre acreditei que tinha a responsabilidade de passar para a instituição que dirijo uma filosofia de vida e trabalho que fosse comprometida com a realidade social, embasada em valores claros e definidos, construindo uma empresa cidadã, solidária, ética e com responsabilidade social.

Uma entidade que realmente praticasse uma Educação para a Vida. Também muito já se falou a respeito dos ‘limites’ a serem impostos e observados para uma educação de qualidade. Tânia Zagury, pesquisadora carioca, nos diz que a escola deve mobilizar os pais para essa necessidade e, assim, auxiliar na educação moral e profissional dos filhos. Ser um futuro profissional competente e participativo, não é apenas conhecer técnicas específicas. O profissionalismo mais universal é saber pensar, interpretar as regras e conviver com a exceção.

Os pais criam os filhos autônomos, quando lhes ensinam aquilo que precisa ser feito, da maneira que acreditam ser correta, capacitando-os para a vida, ao invés de abandoná-los à própria sorte, como tem acontecido muito corriqueiramente hoje em dia.

Com certeza, o Sr. João, seus professores e seus pais, não conheciam tão bem nenhuma das teorias educacionais, tão difundidas e discutidas atualmente, que lhes indicasse o caminho para a boa educação que ele recebeu; mas ele nos dá um testemunho bastante significativo e que nos indica o caminho que o levou a destacar-se naquela ocasião, frente ao seu professor, à sua sala de aula e à vida: muita leitura. Por falar nisso, em seu aniversário de 95 anos, o presente que ele mais gostou foram “três livros”, que leu com muita avidez…