Destaques Dia a Dia

Como e quando

Por DÉCIO MARTINS CANÇADO

8 de dezembro de 2020

“Quem não se comunica, se trumbica” já dizia o ‘velho guerreiro’, Chacrinha, em um bordão que ficou famoso durante seus programas de televisão. Assim acontece na vida de todos, pois, de um modo ou outro, em casa, no trabalho ou no lazer, temos que transmitir, diariamente, o que pensamos, o que pretendemos ou o que desejamos, em cada situação que nos encontramos. Com certeza, muito mais aqueles que se comunicam com o grande público, através da mídia ou de uma atividade intelectual.

A Lei que rege a Educação no Brasil, os Congressos que discutem esse tema, os pedagogos, psicólogos e psiquiatras que emitem opiniões em relação às dificuldades de aprendizagem ou ao comportamento das pessoas envolvidas nesse processo, quase sempre levam em conta aspectos subjetivos ao se manifestarem e se utilizam de um vocabulário inacessível para a maioria dos pais e professores. Os que têm conseguido mais sucesso, tanto como autores de livros quanto como palestrantes são os que conseguem colocar um tema em linguagem compreensível para o maior número de pessoas.

Qualquer assunto é simples quando se leva em conta a experiência e a vivência do profissional, mas elas devem estar calcadas numa teoria consistente e com a devida abrangência a que se referem. Exemplifico ao narrar episódios acontecidos em minha vida. Certa vez, ao empreender uma viagem com a família, aproveitei a rica oportunidade de estarmos juntos e fui mostrando aos filhos o tipo de vegetação e de relevo que íamos encontrando pelo caminho, explicando e comentando as placas de trânsito, entre outras coisas e, com certeza, aqueles conhecimentos nunca mais foram esquecidos.

Certa vez, retornando de um curso, com minhas duas filhas, ao entardecer, fomos incomodados pelo sol poente em nossos olhos. Aproveitei, então, a oportunidade e lhes dirigi uma pergunta: – em que direção estávamos viajando? Ao que uma delas prontamente respondeu – “para o oeste, porque é onde o sol se põe”, demonstrando, naquele momento, algo que havia aprendido na escola – algo que realmente havia sido fixado em sua memória; de brincadeira, passamos a verificar os outros pontos cardeais, descobrindo a direção do Oceano Atlântico, do Pantanal, do Nordeste e do Rio Grande do Sul.

Ainda a respeito desse assunto, estando certa vez em uma zona rural, questionei os presentes a respeito da direção onde se encontrava a cidade de Passos, e a grande maioria errou, tomando como referência a estrada por onde chegamos, que fizera curvas e nos tirara o referencial, até que alguém citou a posição do sol pois sabia que, em outras oportunidades, ao voltarmos para a cidade, ao entardecer, o sol sempre estivera também no poente, de frente para nós.

Em outra ocasião, ao atender dois alunos que haviam se desentendido em sala de aula, comentei com eles que a intransigência dá origem a grandes conflitos e que, pelo simples fato de um se sentir contrariado não justificava uma agressão; que se comenta tanto em sala de aula e pelos meios de comunicação a respeito da PAZ, e que ela deveria ser construída no dia a dia da convivência, a partir de nós mesmos e de nossas ATITUDES.

Se a violência acontece no trânsito, na rua, nos ambientes de lazer e de trabalho, ela começa dentro de cada um de nós. É através da mudança interior que conseguiremos fazer aflorar em nosso meio o respeito, a solidariedade, a amizade e a ética, valores essenciais para a boa convivência.

Se o jovem deve ter pontualidade, é para que aprenda a ser responsável em todas as situações de sua vida. Se ele aprende que deve zelar pela limpeza e manutenção do ambiente escolar e doméstico, é para que saiba que tanto ele quanto as demais pessoas irão usufruir daquele espaço outras vezes, decorrendo daí a consciência da preservação do meio ambiente que é um espaço para ser usufruído por todos.

É por isso que acredito que está na hora de resgatar o verdadeiro sentido da educação, na família e na escola, visando à formação de pessoas conscientes para conduzir suas vidas, ajudando sua cidade, seu estado e seu país no caminho da superação de seus problemas sociais e da qualificação tecnológica.

A proposta de criar uma escola de alto padrão e diferenciada envolve certamente o repensar do seu conteúdo e de sua forma de agir. Novos desafios têm de ser enfrentados e novas soluções têm de ser buscadas. De qualquer profissional exige-se que seja bom naquilo que faz, que seja remunerado de acordo com sua competência e qualificação. Óbvio que também o educador, que cada dia mais deve buscar a excelência no desempenho de sua função, através da atualização e da inovação metodológica.