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Comissão de ética pede expulsão de Wagner Pires e Hermínio Lemos

20 de Maio de 2020

Divulgação (Agência Brasil)

BELO HORIZONTE – A Comissão de Ética e Disciplina do Cruzeiro concluiu, ontem, os trâmites para definir a expulsão do ex-presidente Wagner Pires de Sá e do ex-vice-presidente, Hermínio Lemos. Apurou-se que três dos cinco integrantes da Comissão assinaram pela exclusão da dupla dos quadros do Conselho Deliberativo.

No curso do processo interno, os dois tiveram oportunidades de apresentar defesas. Ainda assim, os membros da Comissão entenderam que os fatos indicam gestão temerária durante o mandato, entre 2018 e 2019. O grupo interpreta que não há necessidade de a decisão ser submetida a outros órgãos do Cruzeiro.

Eles se baseiam no artigo 18 do Estatuto do Cruzeiro, que trata sobre a perda de mandatos de conselheiro nato, efetivo ou suplente. O documento diz que a Comissão de Ética e Disciplina tem poderes para determinar cometimento de “falta de natureza grave”, o que determinaria a perda de
mandato.

Procurado, o presidente em exercício do Conselho Deliberativo, José Dalai Rocha, disse que já recebeu o documento. “Está na minha mesa, mas ainda não tive oportunidade de ler”, confirmou. Questionado se basta a deliberação da Comissão de Ética, ele desconversou. “Eu preciso ver primeiro o que eles escreveram para conseguir responder isso. Vamos ver”, completou.

A informação que corre nos bastidores é que Dalai está inseguro sobre como deve ser o rito dessas expulsões no Conselho Deliberativo. Depois de assinar 30 expulsões de conselheiros remunerados pela antiga gestão, ele sofreu grande desgaste no órgão. Vale lembrar que o mandato do atual mandatário terá fim em 31 de maio.

Uma das principais razões do pedido de expulsão é o fato de a antiga administração ter deixado de pagar três meses de salários ao grupo de jogadores. Isso motivou uma debandada, já que vários jogadores conseguiram rescisões unilaterais na Justiça do Trabalho.

Além disso, diretores da administração de Wagner são considerados suspeitos por lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e falsidade ideológica.

O presidente do Conselho Gestor do Cruzeiro, Saulo Fróes, também defendeu as expulsões. “É isso que a torcida está pedindo. Se a Justiça vai retornar com eles ou falar que a nossa ação não foi correta e devolve o cargo deles de conselheiro no Cruzeiro, isso é um problema da Justiça. Nós vamos fazer a nossa parte e vamos sugerir isso sim”, disse.

Essa é a segunda decisão sobre expulsão tomada pela Comissão de Ética. Em meados do mês passado, o grupo encaminhou parecer a José Dalai Rocha defendendo as exclusões de 30 conselheiros que foram remunerados pela administração Wagner Pires de Sá. Entre eles, o filho do ex-presidente Zezé Perrella, Gustavo Perrella, e o ex-diretor-geral do Cruzeiro, Sérgio Nonato.

A maioria deles conseguiu, no entanto, recuperar o posto em decisão liminar da Justiça. O Cruzeiro recorreu e aguarda resultado do processo.

Wagner Pires de Sá e Hermínio Lemos enfrentam processo de expulsão no Cruzeiro. / Foto: Divulgação