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Com demanda em alta, entrega de piso e azulejo pode levar até 300 dias

Por Stéfany Dias / Especial

22 de outubro de 2021

A falta de orientação profissional na construção de uma grande obra ou mesmo reforma pode aumentar os gastos./ Foto: Divulgação.

PASSOS – O aumento na demanda por material de construção desde o início da pandemia tem gerado fila de espera na entrega de produtos e, no caso de alguns pisos de azulejo, por exemplo, o prazo pode chegar a 300 dias. Segundo profissionais da área, nos últimos 12 meses, a mercado de reformas tem se mantido aquecido e a tendência é de crescimento, principalmente para o fim do ano.

O arquiteto e urbanista Cesar Tadeu afirma que, em função da demanda aquecida, empresas de material de construção têm adotado listas de espera para os pedidos.

“Algumas grandes empresas estão pedindo até 300 dias para entregar determinados tipos de azulejo, quase um ano. Eu calculo que tenha em torno de umas 700, 800, entre grandes obras e pequenas reformas, atualmente na cidade. Se for feita uma média de, pelo menos, quatro profissionais por obra, seria necessário entre 2,5 mil a 3 mil pessoas mexendo na área de construção civil, entre pedreiros e serventes. Não é pouca coisa, e nós não temos essa quantidade, não de profissionais especializados”, disse.

“De uns seis meses para cá, a demanda por reformas aumentou bastante. Agora, no fim do ano, aumenta mais ainda. Todos querem suas casas prontas para o natal. Não existe estratificação nos nichos de pessoas que procuram por projetos de arquitetura. Teoricamente, vai de pessoas mais simples até pessoas que podem pagar valores mais altos. É geral, a demanda é em todos os setores. A construção civil não parou com a pandemia, muito pelo contrário, está até excessivo e a gente não tem mão de obra competente para tudo isso. No meu entorno, eu não vi ninguém se afastando por conta da covid”, disse o arquiteto.

Para ele, a falta de orientação profissional na construção, de obras ou reforma, pode aumentar os gastos.

“O fato de as pessoas não contratarem um técnico que possa guiar e orientar nessas pequenas reformas acabam gerando mais gastos, porque precisa ser avaliado a quantidade de cada material. Quando não havia esse ‘boom’ de novas construções, já era complicado e agora ficou mais ainda”, afirma.

O engenheiro de materiais João Vicente Zampieron disse que as reformas aumentaram com o isolamento social adotado após o início da pandemia.

“Pode-se verificar em pesquisas realizadas que, nos últimos 12 meses, em torno de 60% realizaram algum tipo de reforma e a tendência é aumentar nos próximos meses. Em Passos pôde-se verificar que, além de reformas, há um forte consumo de materiais básicos como cimento, areia e brita, indicando que a construção civil não parou apesar da pandemia”, disse.

Zampieron diz que é comum verificar mudanças em estrutura de imóveis sendo realizadas apenas por pedreiros.

“Apesar dos conselhos como Crea (engenharia) e Cau (arquitetura) fazerem inspeções em obras, mas são em números insuficientes. A falta desses profissionais pode acarretar em desperdício de material e custos mais elevados devido à falta de planejamento dos gastos”, disse.