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Com alta no custo de produção, setor leiteiro enfrenta evasão

Talita Souza / Especial

22 de setembro de 2021

Preço do leite em Minas chega a ter alta de 22,84% no ano, devido ao alto custo de produção

PASSOS – A falta de chuvas e as geadas tiveram um impacto negativo na produção do leite em Minas Gerais. Um estudo, realizado pelo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que o preço do leite, captado em julho e pago aos produtores em agosto, teve alta de 3,01% nas regiões Sul e Sudoeste de Minas Gerais. Segundo o Cepea, a valor pago pelo leite acumula recordes históricos em julho e agosto, mas os custos de produção também subiram, o que tem limitado a oferta do produto. Para o gerente administrativo da Associação dos Produtores de Leite do Sudoeste Minas (Aproleite), Rubens de Mélo Vaz, devido ao aumento nos gastos, alguns produtores têm deixado o mercado.

“A minha visão, no mercado atual, é que a realidade é a mesma aqui no Brasil. Tanto que pra nossa região quanto no Brasil todo, o custo de produção aumentou e, consequentemente, o preço final [do leite] aumentou”, afirmou Vaz.

De acordo com Vaz, o leite vem aumentando devido ao seu custo de produção e, por causa disso, alguns produtores estão abandonando o mercado.

“Mesmo com o aumento do preço do leite, a realidade que nós vemos são produtores saindo do mercado. Hoje quem não tem uma gestão muito eficaz, não consegue se manter no mercado, porque realmente a margem diminuiu muito. Infelizmente, o custo aumentou mais que o preço final, a margem diminuiu e o que a gente tem visto na realidade são produtores saindo e os que têm se mantido no mercado estão se tornando cada dia mais eficientes para tentar produzir mais com o mesmo custo de produção”, explicou.

Segundo dados do Cepea, em todo país a alta do leite foi de 2,11% em agosto, com uma variação anual de 21,46%, até o momento. No Sul e Sudoeste mineiro, o preço médio do menor estrato de produção de leite está sendo R$ 2,2206, com preço médio líquido de R$ 2,4110 e preço médio do maior estrato de produção R$ 2,4814.

Para o produtor Luiz Carlos Medeiros Junior, que produz cerca de 1.300 litros de leite por dia na região de Passos, as expectativas para o fim de 2021 é que o custo e consumo do leite ganhe estabilidade até a próxima safra.

“Com relação a expectativa para o fim do ano, na minha concepção, não vejo grandes mudanças… Talvez uma redução no preço ou no custo de produção, mas acho que, se mudar, deve ser muito pouco tanto para uma alta quanto para uma baixa”, disse.

Conab também confirma elevação de gastos a produtores

BRASÍLIA – O preço do leite recebido pelo produtor manteve a tendência de alta no mês de agosto. Na média, houve um ganho de 34,6%, quando comparado com o mesmo período no ano passado, e de 5,2% em relação a julho deste ano. A análise é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de acordo com os dados divulgados sobre o mercado do leite e seus derivados.

Os elevados preços pagos dos grãos, no entanto, bem como a desvalorização do real, têm tido forte impacto nos custos de produção, estreitando as margens de lucro tanto do produtor quanto da indústria.

Já os preços do leite UHT apresentaram comportamento de queda em nível de atacado, enquanto que, em nível de varejo, manifestou pequena alta, sobretudo em pesquisas no estado de São Paulo.

No caso do leite spot, as cotações em agosto mantiveram-se equivalentes às do mês de julho, o que sinaliza uma certa estabilidade no mercado. O aumento sazonal da produção, mesmo lento, devido às adversidades climáticas, tem favorecido esse cenário.

Conforme a análise da Conab, o poder de compra dos produtores de leite permanece prejudicado. Apesar da valorização do preço recebido pelo produtor ao longo do ano, os custos com alimentação e insumos também aumentaram. Ainda que a colheita da segunda safra de milho se encontre em fase final, com 86,9% de área colhida até o fim de agosto, as cotações conservaram a tendência de alta, mantendo a relação para os produtores de leite prejudicada.

No Paraná, a relação de troca continuou em queda. Por outro lado, apesar de discreta, houve melhora na relação de troca de leite por farelo de soja. Em São Paulo, a relação de troca leite/milho apresentou leve alta em relação a julho, mas é quase 23% menor que em agosto de 2020. Na prática, com a venda de 1 litro de leite é possível comprar 1,41 quilo de milho enquanto que há um ano era possível comprar 1,83 quilo.