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Com 50% de queda na arrecadação, Gapop-R enfrenta crise com pandemia

Por Ézio Santos / Especial

17 de julho de 2021

Foto: Divulgação

PASSOS – Com queda de cerca de 50% na arrecadação, a direção do Grupo de Apoio a Pacientes Oncológicos de Passos e Região (Gapop-R), entidade sem fins lucrativos criada para acolher pessoas em tratamento contra o câncer, estuda medidas de contenção de despesas para não ter que reduzir o número de atendimento aos pacientes ou encerrar as atividades.

A gerente administrativa da instituição, Clelia Monteiro, afirma que a falta de recursos para pagar as despesas mensais sempre foi um problema e, com a pandemia de covid-19, aumentou devido ao impacto causado em doações.

Além de não recebermos um centavo dos poderes públicos frequentemente, muitas empresas e a comunidade em geral deixaram de contribuir, seja espontânea ou indiretamente. Não estamos promovendo eventos anuais como a Noite Brasileira, festas juninas, e rifas de motocicletas que rendiam elevadas quantias. Até o pagamento dos carnês diminuiu consideravelmente”, afirmou.

O brechó é considerado a maior fonte de renda do Gapop-R, mas há meses tem enfrentado problemas por falta de doações.

Diminuíram muito. O estoque de tudo que ganhamos para vender e arrecadar está muito baixo. Nós precisamos de roupas, calçados, acessórios em geral, produtos de beleza e até utensílios domésticos. Estando em bom estado de conservação, geram receita. O que as pessoas não usam, serve para o nosso bazar”, ressaltou Clelia.

As despesas mensais com funcionários, energia elétrica, água, telefone, internet, tributos, impostos e outros gastos se aproxima de R$45 mil.

Apesar do povo de Passos e região ser generoso, não podemos reclamar das doações de tudo que beneficia os pacientes e até acompanhantes, mas falta o dinheiro. Hoje, não temos de onde retirá-lo. Dependemos de alguém nos trazer, depositar na conta do Gapop-R ou fazer uma transferência bancária. Depois da pandemia, não conseguimos nem a moto para a ação entre amigos, que rende elevada quantia. Está cada vez mais complicada a situação”, lamentou a gerente. O pix para doações ao Gapop-R é 35988777184.

Sobre a alimentação servida de segunda a sexta-feira aos pacientes, café da manhã, da tarde e almoço, Clelia diz que não há problemas.

Nós ganhamos tudo, graças a Deus. Só a carne que tivemos de diminuir a quantidade servida, porque caíram as doações em razão do preço elevado. Quando os estoques de descartáveis (copos, guardanapos, papel higiênico e toalha), além de café, leite e produtos de limpeza vão chegando ao fim, lançamos nas redes as campanhas relâmpagos e tudo se normaliza, porque a população ajuda mesmo”, reafirmou.

Com a obra de ampliação da sede já concluída, a necessidade do dinheiro se tornou ainda maior. A gerente contou que há necessidade urgente do elevador, mesmo com as extensas rampas do prédio que está localizado nos fundos do atual, e possui o seu ascensor.

Outro equipamento igual vai facilitar o deslocamento de pacientes e funcionários nos quatro andares, mais as cargas e descargas de mercadorias. Hoje custa cerca de R$80 mil, mas não temos recursos. Já pedi ajuda a um deputado estadual, mas não sei se vou ser atendida”, comentou.

O novo prédio de quatro andares possui garagem, sala de triagem, lavanderia, padaria, depósitos de alimentos, almoxarifado, refeitório, e dependências administrativas. Futuramente serão instaladas uma biblioteca e salas de jogos.

Não temos dinheiro para o mobiliário e organizar todos os setores do Gapop-R. Agora temos o imóvel cedido há anos em regime de comodato pela Loja Maçônica Deus, Justiça e Fraternidade, nas pessoas de Raul dos Reis Silveira e Maurício Antônio da Silva, além do prédio novo, construído com recursos próprios e doações de materiais, em um terreno doado pelo empresário Antônio Maia da Silveira, o Faxa, e sua esposa, Rosélia dos Reis Silveira”, frisou Clelia.

Por intermédio de um comerciante de móveis em Alpinópolis, a entidade adquiriu recentemente, com dinheiro de campanha, 20 poltronas novas. Como bens materiais, já possui dois veículos utilitários, um popular, e uma ambulância. Todos geram despesas de impostos e manutenção.