Destaques Dia a Dia

Coisas simples de uma infância

POR SEBASTIÃO WENCESLAU BORGES

7 de outubro de 2020

Numa corrida desenfreada, o tempo passa despercebido. E lá já se foi mais um ano! Segunda – feira próxima, além de comemorarmos o dia da Padroeira do nosso Brasil Nossa Senhora de Aparecida, é também o Dia das Crianças. O tempo não para, as coisas mudam, velhos costumes são esquecidos e as velhas brincadeiras se tornam gostosas lembranças de uma infância feliz.

Daqui a 30-40 anos, será que as crianças de hoje falarão da revolução dessa atual tecnologia que então já deve estar numa outra revolução que nós nem podemos calcular! Será que contarão como foi sua infância ou falarão dos brinquedos eletrônicos sofisticados, talvez já entulhados, jogados em algum canto? E como estará o avanço dessa atual tecnologia que traz inovações muito rápidas às brincadeiras atuais?

Vez ou outra, assopro a poeira do tempo e retiro do baú onde ali sempre tenho armazenadas, calmas e repousadas, inúmeras lembranças da minha infância tão bem vividas de um tempo em que toda criança buscava, a seu modo e gosto, a sua maneira de desfrutar de brincadeiras simples e sadias, num mundo de inocência, onde brincar na rua não fazia mal, e as coisas simples eram fonte de diversão no nosso dia a dia.

Depois da escola, o que tínhamos era passar o dia ao ar livre, correndo soltos, pés descalços pelas ruas poeirentas, sentindo o gostoso cheiro do chão, ou tomando um banho de chuva! Turma dividida em parceria nas brincadeiras de cowboys e bandidos e aos gritos dizendo “pega ladrão”, morto vivo, bolhas de sabão, estátua, pique-esconde, pega-pega, batata quente, futebol de botão, e nos bolsos muitas bolinhas de gude para jogar na toca ou na ganha. Armar o balanço em alguma árvore do grande quintal, jogar bola nos animados “rachinhas” como era chamado, todos descalços com bolas de borrachas duras, ou com as de couro com câmera de ar e bico “tripa de mico”, descobrir em alguma mata uma nascente, e matar a sede bebendo com as mãos!

E todo moleque tinha seu estilingue para várias funções: a maioria era para mostrar sua boa pontaria! Rodar Pião: bastava ter a técnica de saber enrolar a fieira e joga-lo ao chão, fazendo o girar. Bete: formávamos dois times, cada um com dois integrantes, um jogava a bola tentando derrubar a armação, o outro protegia rebatendo a bola. Raia (hoje chamada de pipa): toda criança tinha a sua, e os que não tinham carretilha, enrolavam a linha num canecão! Rodar um aro: era controlado por um grosso arame e a gente rodava por muito tempo sem deixar o aro cair no chão! Chupar manga no pé das grandes mangueiras e limpar a boca com a manga da camisa ou com o dorso da mão, ouvir as novelas faroeste radiofônicas, e nós, meninos, interrompendo nossos “rachinhas” pelas ruas poeirentas correndo das vacas bravas descendo pelas ruas, indo para o corte.

Já chegando a noite, tínhamos as brincadeiras junto às meninas, pular corda, peteca, maré, passar anel… Pela manhã a alegria era acordar sentindo o cheirinho do café moído na hora, coados em coador enganchado no mancebo. Num canto da cozinha, aceso, o fogão a lenha soltando fumaça pela chaminé e nós saboreávamos as espigas de milho assadas nas brasas, num sabor gostoso da infância! No domingo pela manhã, a molecada vestia a melhor roupa para ir a missa e, depois esperar o almoço sabendo que tinha frango com macarronada e guaraná. Após o almoço era a vez de abraçar a penca de gibis para as trocas, e pernas pra matinê para assistir os filmes de cowboys e os emocionantes seriados!

E como é bom recordar esses momentos da infância, o tempo junto à família ao redor da mesa, os acontecimentos narrados de maneira simples, costumes que faziam parte de um lar alegre e de uma família unida. E como é bom também ver que as velhas brincadeiras se tornaram gostosas lembranças de uma infância feliz! Enfim, nós, crianças, vivíamos nessas coisas simples a alegria da infância! Tudo tinha gosto, tudo era novidade, tudo nos deixava viver alegremente o viver criança, o ser ingênuo, sentimentos que valorizavam nossa alegria e nosso sonho de sorrir e ser feliz! É o tempo passando e a gente “Memoriando”!