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Clientes esperam por ate 4h em fila de banco na Arouca

Ézio Santos/ Especial

10 de junho de 2021

a fila para acessar a caixa econômica passou de 150 metros de comprimento :/ Divulgação

PASSOS – Desde o início da pandemia no Brasil, gerentes de bancos limitaram o número de clientes seu interior das agências, principalmente, por causa do distanciamento social, que é um dos principais protocolos sanitários exigidos pelos órgãos de saúde para evitar o contágio do novo coronavírus. O reflexo são as filas diárias nas proximidades das agências bancárias e o horário de espera para atendimento, que pode chegar a quatro horas.

O pagamento de auxílio emergencial e de benefícios como o PIS, por exemplo, tem contribuído para agravar a situação em filas de bancos como a Caixa Econômica Federal, por exemplo, e outros.

O aposentado Antônio Jorge Sobrinho, de 56 anos, era uma das dezenas de pessoas que estavam na fila por volta de 10h45 desta quarta-feira, 9, a fim de receber mais uma parcela do auxílio emergencial.

“Já estou aqui faz umas três horas e parece que não saio do lugar. É o sol quente na cabeça, com sede, dor nas pernas, e, para piorar, muita gente perto uma da outra e correndo o risco de pegar o vírus. Não temos outra opção para ser atendido e o jeito é sofrer”, disse.

Com o mesmo objetivo, Márcia Maria estava na fila desde as 8h30 de ontem, e ainda faltava mais de meio quarteirão para chegar até atendentes que entregam senhas na entrada das agências.

“Já estou desanimada de tudo. Ainda custa chegar minha vez, mas agora não posso desistir. Preciso de dinheiro para comprar alimentos. O ruim é correr o risco de pegar a covid-19, porque o tumulto é grande. Gente passando para baixo e para cima. Muito triste isso”, lamentou a dona de casa de 51 anos que mora no bairro Nossa Senhora Aparecida, em Passos.

O Francisco Assis Sena Carvalho (Podemos), eleito pela primeira vez, vice-presidente da Frente Parlamentar de Enfrentamento à Covid-19, disse que foram realizadas duas reuniões com gerentes de bancos para encontrar uma solução para pôr fim às filas. Uma no dia 24 de maio e outra quatro dias depois.

“Foi uma iniciativa nossa, com presença de todos os vereadores, prefeito, representantes dos ministérios públicos Federal e Estadual e de agências bancárias. O próximo encontro será para apresentar as soluções. Seria dia 4 de junho, mas foi adiado e o Poder Executivo Municipal ainda não marcou a nova data. Nós, da Frente Parlamentar, estamos cobrando do prefeito a terceira reunião”, afirma.

O parlamentar também disse que uma sugestão é a volta de tendas.

“Assim não pode continuar, porque todos que vão na Arouca, a avenida bancária, correm riscos de contaminação. Imagine os das filas? A Caixa, por ser um banco estatal, tem de dar exemplo. Sugerimos a volta das tendas para agilizar o atendimento, mas o gerente não quer assumir as despesas e joga para o prefeito, que também se recusa a assumir a responsabilidade. Já passou da hora de acabar com essa muvuca”, disse.

Casas lotéricas, que funcionam também como correspondentes bancários, são outros estabelecimentos que têm gerado filas. Em bancos da rede privada também há filas formadas por pessoas que necessitam de ajuda, principalmente idosos e aposentados, para sacar dinheiro nos caixas eletrônicos.

A Assessoria de Imprensa da Caixa, em Belo Horizonte, disse que precisa de mais tempo para apurar e responder sobre o assunto. A assessoria da Prefeitura de Passos não se manifestou quanto ao questionamento sobre a próxima reunião com vereadores e gerentes de bancos.