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Clássicos de Hyldon nas plataformas

Por Danilo Casaletti/ Especial

12 de Maio de 2021

O cantor Hyldon festeja inclusão de 2 discos clássicos nas plataformas digitais. / Foto: Divulgação

O motivo da conversa de Hyldon com a reportagem era a inclusão nas plataformas digitais de dois importantes discos em sua trajetória: Deus, a Natureza e a Música, de 1976, sucessor de seu acachapante álbum de estreia, Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda…, lançado um ano antes, e Sabor de Amor, de 1981.

Hyldon lamenta a perda recente de dois nomes ligados à soul music brasileira: os compositores Luis Vagner e Cassiano. “Luis me incentivou, disse que o trabalho estava ficando legal”, conta Com Cassiano, além da amizade, dividiu uma viagem de carro do Rio para Salvador, no começo dos anos 1970, na qual pararam em diversos prostíbulos para tocar.

Hyldon, de fato, tem muita história para contar – e das boas. Aos 70 anos de idade e mais de 50 de carreira, um dos pilares da soul music brasileira – ao lado de Cassiano e Tim Maia, ele repassa, em quase duas horas de conversa por telefone, uma carreira que começou quando deixou o sertão baiano. Ele nasceu em Salvador, mas, ainda pequeno, foi morar em Senhor do Bonfim – e se mudou para Niterói, ainda na adolescência.

Foi na cidade fluminense que ele deu os primeiros passos profissionais, incentivado pelo primo, Pedrinho, guitarrista do The Fevers, que lhe cedeu instrumentos e amplificadores para que ele montasse uma banda de baile, batizada de Os Abelhas.

Depois, veio o conjunto Os Selvagens, ao lado de Michael Sullivan, a produção de faixas e discos de artistas como Wanderléa, Erasmo Carlos, Jerry Adriani e Paulo Sérgio e participações em gravações que se tornaram icônicas, como Uma Vida Só, de Odair José.

Hyldon conheceu a música negra ao lado de Tony Tornado, Cassiano e Tim Maia – este último com quem aprendeu a tocar baixo e a se ligar no som do bumbo da bateria, a base da soul music. Em estúdio, ele também gravou com Wilson Simonal e Luiz Melodia. Esse contato musical fez com que ele passasse a desejar fazer seu próprio som, deixando para trás as baladas açucaradas da Jovem Guarda.

Mas, para conseguir fazer isso, ele teve que bater de frente com André Midani (1932-2019), um dos maiores executivos do mercado fonográfico mundial, para colocar nas lojas seu primeiro álbum, gravado de forma inusitada e que rendeu, além da faixa-título, os hits As Dores do Mundo e Na Sombra de uma Árvore.

Nesta época, Hyldon trabalhava como produtor da gravadora Polygram. Certo dia, esperava no estúdio o cantor amazonense Franc Landi, especialista em gravar versões para canções estrangeiras, para uma gravação. Landi faltou. Hyldon, então, que já havia convocado o baterista Mamão e o baixista Alex Malheiros, do grupo Azimuth, resolveu gravar suas músicas.

Quando chegou aos ouvidos de Midani, ele gostou, mas não queria que Hyldon gravasse um disco apenas com suas composições. Teria que ter músicas de outros compositores. Uma das escolhidas era Angie, dos Rolling Stones. “Eu fui até a sala dele. Queria dar porrada”, conta.