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Cidassp faz convênio para estudo sobre usina

3 de outubro de 2020

Foto: Divulgação

S.S. DO PARAÍSO – Com o objetivo de dar uma solução definitiva e eficaz para a destinação correta do resíduo sólido urbano e ainda gerar energia limpa, o Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Região de São Sebastião do Paraíso (Cidassp) firmou um convênio com Instituto de Planejamento e Gestão de Cidades (IPGC), para a realização de um estudo de viabilidade para a implantação de uma Usina de Recuperação Energética de Resíduos Sólidos, que utiliza a tecnologia de pirólise.

A Unidade de Recuperação Energética não é incineradora. Inicialmente, os resíduos sólidos urbanos chegam na usina por caminhões e são despejados em um local apropriado com impermeabilização e coleta de chorume, como um fosso. Depois passam por uma unidade de pesagem e triagem, em que se separa os resíduos que não passarão pelo tratamento térmico, como recicláveis e os inertes como os resíduos da construção civil (RCCs). Posteriormente são triturados para que se torne homogêneo o tamanho das partículas e facilite o processo de termodegradação. E assim, são armazenados em um reservatório, como um silo.

Os resíduos alimentam a tremonha, que funciona como um funil, e são empurrados para o reator por uma rosca sem fim. Dentro do reator os resíduos passam pelo estágio de préaquecimento e outro da pirólise, que consiste na dissolução ou degradação térmica pela ação de altas temperaturas, entre 300 ºC a mais de 1.000 ºC, em um ambiente sem oxigênio, para que não haja a queima dos materiais. Cerca de 90% do volume dos resíduos são convertidos em gás de síntese, que passa então, por um sistema de limpeza e filtragem à base d’água. Os outros 10% descem para o extrator de cinzas, na forma de biochar. Assim, a remoção das substâncias nocivas ocorre antes da fase de combustão e produz uma menor emissão de poluentes atmosféricos, por isso, pode ser considerada uma tecnologia autossustentável e eficiente.

O gás produzido pela termodegradação do resíduo alimenta uma caldeira, que aquece e faz girar uma turbina, e assim um gerador que transforma a energia térmica em elétrica. Esta energia elétrica será distribuída proporcionalmente aos municípios que participam do Consórcio, de acordo com o que cada um gerou de resíduo. Os materiais recicláveis que forem separados serão enviados às associações de catadores, que não deixarão de existir. Os que estiverem contaminados seguem para o processo normalmente. Os RCCS devem ser encaminhados para bota foras, ou podem ser colocados em equipamento de britagem na usina para reduzir a gravimetria desses resíduos e aumentar a possibilidade do seu aproveitamento de 80 a 90 % do resíduo vira gás de síntese que é utilizado para gerar energia. Os outros 20 a 10 % é o biochar e os resíduos inertes que não degradam como vidro e metal. O biochar pode ser utilizado para agricultura como fertilizante.

O Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Região de São Sebastião do Paraíso hoje conta com nove municípios que destinarão seus resíduos para a usina, que são: Capetinga, Cássia, Fortaleza, Jacuí, Itamogi, Monte Santo de Minas, Pratápolis, São Sebastião do Paraíso e São Tomás de Aquino. O objetivo da Usina de Recuperação Energética de Resíduos Sólidos é evitar o depósito de resíduos, propiciando também a geração de energia limpa, uma vez que o Aterro Sanitário possui um passivo ambiental e utilização de área maiores que o da Usina.

Passos não participa do Cidassp para trazer seu lixo para o aterro sanitário de Paraíso, mas o município manifestou interesse em compor a autarquia com as cidades vizinhas se a a implantação da Usina de Recuperação Energética de Resíduos Sólidos for aprovada. O que justifica a necessidade de inclusão de Passos no consórcio, para elaboração dos estudos de viabilidade da implantação da usina de termodegradação.

Foto: Divulgação

Termodegradação

A tecnologia usada para o funcionamento das Usinas de Termodegradação de Resíduos já é explorada e aplicada há algum tempo em vários países no mundo. Países esses que muitas vezes pela deficiência de espaço para tratar o lixo gerado em forma da disposição usual, os aterros, buscaram alternativas que poderiam atender suas necessidades e ainda reverter de forma positiva essa geração exacerbada de lixo para o próprio país e ou cidade.

Os países que tem a indústria mais desenvolvida foram os pioneiros na utilização dessa tecnologia, sendo correspondidos pelo Japão, China e Estados Unidos. Outros vários países da Europa fazem o uso deste tipo de destinação de resíduos sólidos, e existe até o caso da Dinamarca que além de tratar o lixo que é gerado em seu país, recebe resíduos que são importados da Suécia, Noruega e Reino Unido, dado a sua eficiência. Além disso, foi anunciado também que Dubai construirá a maior usina de resíduos sólidos do mundo, visando o retorno econômico.

No Brasil já existe Usinas de Termodegradação e estudo de viabilidade para implantação nos município de Boa Esperança (MG), Extrema (MG), Monte Mor (SP) e Piracibaba (SP). Aponta-se que a tecnologia seja uma das grandes apostas quando o assunto é a viabilidade e disposição de resíduos sólidos, vendo dessa forma também o lixo como um potencial econômico.