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Cerca de 100 eletricitários aderem à greve em Furnas

Adriana Dias / Redação

17 de junho de 2021

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PASSOS – Deflagrada pelo Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) na terça-feira, 15, com prazo de 72 horas, a greve dos eletricitários teve adesão de mais de 100 funcionários de Furnas Centrais Elétricas em São José da Barra. O objetivo é tentar evitar a privatização da Eletrobras, que teria votação no Senado nesta quarta-feira, 16.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Eletricitários de Furnas e DME (Sindefurnas), Miguel Ângelo de Melo Faria, a greve está sendo realizada em todo o país com mais de 10 mil dos mais de 12 mil funcionários do sistema Eletrobras em protesto contra a votação prevista no Senado, esta semana, da privatização da companhia, a maior do setor elétrico no Brasil, responsável por 44% da geração de energia elétrica do país e 52% da capacidade de armazenamento de água.

“A paralisação foi definida por 72 horas como alerta sobre os riscos com a alienação da companhia. O SindeFurnas, em Passos, está participando do movimento assim como em todas as outras unidades em que o sindicato está presente, tanto em Minas quanto em Goiás, nossas bases de atuação”, disse Faria.

O sindicalista afirmou estar confiante com a não aprovação da Medida Provisória contando com o apoio dos deputados e principalmente do senador mineiro e presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

“Estão querendo desfazer de uma história muito boa, que é Furnas. A Eletrobras não é deficitária como quer crer os entusiastas da venda a qualquer custo e a qualquer um. Temos na Eletrobras a segunda maior empresa em energia limpa do mundo. Vão vender sem sequer fazer licitação, nem leilão, ao primeiro que pagar e, certamente podemos esperar custo alto de energia para os consumidores e não teremos a garantia de energia limpa. Não queremos entregar este patrimônio”, salientou Faria.

Questionado sobre a votação ser a favor da venda, o sindicalista salientou que os organismos ligados ao jurídico do CNE e dos sindicatos já estão preparados para ação judicial. “O que estão querendo fazer é inconstitucional. É um absurdo”, disse.

Sobre apoio do governo de Minas Gerais, Romeu Zema, o eletricitário analisou que o político é privatista e que portanto, não vê qualquer forma de ajuda para o setor na gestão deste governo, diferentemente de Itamar Franco que em 1993 montou seu gabinete no Dique de Furnas, em Capitólio e até ameaçou explodir o Dique caso o governo da época privatizasse.