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Celso Faria e Folha iniciam programa ‘O Charme do Violão Mineiro’

Por Adriana Dias / Redação

10 de Maio de 2021

Geraldo Vianna é o primeiro entrevistado do programa ‘O Charme do Violão Mineiro’, produzido pelo violonista Celso Faria. / Foto: Divulgação

PASSOS – Por sua multiplicidade de sotaques em um país continental, o violão praticamente assume, em cada estado ou região do Brasil, uma identidade própria, recheada de sabores locais. No caso de Minas Gerais, por suas especificidades regionais, a plasticidade do instrumento em absorver e reinventar diversificadas tendências estilísticas e a musicalidade secular de um povo nos leva a pensar que existe um certo ‘Violão Mineiro’.

E foi com esta perspectiva que o violonista Celso Faria, um estudioso do instrumento, lança na próxima terça-feira, 11, o ciclo de entrevistas do programa “O Charme do Violão Mineiro”, com o apoio da Folha da Manhã, trazendo como primeiro entrevistado Geraldo Vianna, que pode ser visto pelo link bit.ly/geraldoviana.

Este ciclo será apresentado pelo violonista, professor e produtor cultural Celso Faria. Realizado de forma remota, ele ocorrerá sempre às terças-feiras, às 20h30, nos canais do YouTube e Facebook do violonista e também no Portal ClicFolha e redes sociais do Grupo Folha.

De acordo com Faria, em cada encontro, um convidado especial, de relevância na cadeia produtiva do violão no Estado de Minas Gerais, vai contar sobre sua trajetória, abordando o seu vínculo com o instrumento, seus principais trabalhos, enfim, todo o “seu universo” criado e vivenciado em torno do violão.

A fim de entendermos um pouco mais sobre esta complexa rede tecida ao redor do ‘Violão Mineiro’, foram convidados executantes, professores, compositores que utilizam o violão como suporte criativo, compositores que não executam o violão, luthiers, produtores, jornalistas, pesquisadores, técnicos de som, além de musicistas que possuem vasta experiência colaborativa com o violão (seja na vertente música de câmara ou orquestral)”, explicou Faria.

Ao todo, serão mais de quarenta entrevistas em um projeto abrangente e inédito em Minas Gerais. O primeiro convidado será o violonista, compositor, arranjador e produtor musical Geraldo Vianna. Também serão entrevistados nomes como Fernando Araújo, André Cabelo, Lincoln Andrade, Harry Crowl, Edinho Santa Cruz, Vergílio Lima, Celso Adolfo, entre muitos outros.

A cada semana, nossos convidados lançarão luz aos aspectos históricos, estilísticos e tendências, que nos auxiliarão a decifrar o charme do mais “sedutor” dos instrumentos nas Minas Gerais”, afirmou o produtor.

Ainda conforme Faria, a produção musical mineira para violão, hoje em dia, se apresenta de maneira multifacetada, coexistindo variadas explorações de linguagens, abordagens instrumentais distintas, bem como a inserção do instrumento em diversificados contextos camerísticos e até mesmo sinfônico, mas, nem sempre foi assim.

Ainda no início do século XX, época das primeiras investidas na construção de um repertório para o violão no estado, encontramos, predominantemente, obras que estavam ligadas aos gêneros populares vigentes, como o choro, a valsa, a marcha, a serenata e o batuque, por exemplo”, salientou.

Um importante ponto de articulação na história do instrumento nas Minas Gerais se dá na década de 1960. Nesse momento, pode-se observar uma série de fatores que contribuíram para o aparecimento de “novos ares” no ambiente do violão no estado, tais como o surgimento de cursos regulares do instrumento, sua frequência em diversos festivais de música, o aparecimento de violonistas que contavam com uma formação musical mais completa, além do interesse, da escrita instrumental, por compositores não executantes do violão.

No Brasil, a composição musical deste período ainda vivia, sob as mais variadas perspectivas, a dicotomia nacionalismo/universalismo, e, com a produção violonística mineira não era diferente. Atualmente, encontramos também um grande número de virtuoses violonistas/compositores que são ligados a diversos gêneros e movimentos musicais como o Choro, o Jazz, o Clube da Esquina e a música regional mineira e que se dividem entre o trabalho autoral e a releitura de standards nacionais e internacionais.


Geraldo Vianna atua há 38 anos na produção fonográfica

BELO HORIZONTE – O produtor fonográfico Geraldo Vianna contou que a música de Dilermando Reis, Baden Powell e João Gilberto lhe foi apresentada por seu primeiro professor, o Heber Alvim, em Divinópolis.

Ele foi o primeiro grande mestre e orientador que tive em minha trajetória musical. Por volta de 1981, comecei a compor. Sempre fui dedicado ao estudo e à pesquisa, sem descuidar do meu lado de instrumentista. Quando mergulhei totalmente no estudo do violão e da composição, passei horas a fio tocando choros, sambas e frequentando “rodas de choro”, em Belo Horizonte”, explicou.

Nas últimas décadas, o compositor tem mantido parcerias consolidadas com vários letristas consagrados da Música Popular Brasileira. Com Fernando Brant (in memorian) compôs inúmeras músicas que já foram gravadas por vários intérpretes e ainda tem canções inéditas guardadas que, certamente, serão gravadas. Atualmente, escreve com frequência com o grande autor Paulo Sérgio Valle, responsável por tantos sucessos conhecidos em todo o mundo, bem como com compositores da nova geração.