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Cássia cancela celebração da padroeira e de aniversário

Por Nathália Araújo / Especial

13 de Maio de 2020

Santuário em Cássia costuma reunir milhares de fiéis no dia 22 maio. / Foto: Divulgação

CÁSSIA – A tradicional celebração de Santa Rita de Cássia, que costuma acontecer em 22 de maio, para comemorar o dia da religiosa que deu origem ao nome do município de Cássia, este ano não contará com missas presenciais e visitações ao santuário. Devido a atual pandemia causada pelo novo coronavírus, a igreja vai transmitir sua programação ao vivo pela tv local e pelo Facebook.

Os 20 mil fiéis e romeiros que tendem a passar pelo local neste dia, terão que fazer suas orações em casa, considerando que a novena e as missas solenes tiveram início ontem, 13, e estarão disponíveis todos os dias, às 12 horas às 19 horas. No dia 22, como já é de costume na paróquia, as celebrações acontecem às 09 horas, às 15 horas e às 19 horas.

O padre Júlio César Agripino é o responsável pela coordenação da igreja e explica sobre a importância de se comemorar o dia de Santa Rita de Cássia, “Nossa padroeira é muito amada, muitos recorrem a ela para pedir inúmeras graças e ela, com certeza, intercede para com os milagres. A peregrinação de fiéis em nossa cidade é cada vez maior e isso ajuda a fazer de nossa festa, um evento maravilhoso”, destacou.

Ele ainda explica que a padroeira representa um exemplo que deve ser seguido, como um modelo de filha, mãe, esposa e de cristã, especialmente neste momento em que o país se encontra em situação de emergência. Ele diz que a história de Santa Rita mostra uma mulher que superou inúmeras dificuldades para prosseguir com sua fé em Cristo e, por isso, leva o título de “Santa das Causas Impossíveis”.

Ainda de acordo com o pároco, é necessário que todos se mantenham perseverantes para enfrentar a pandemia, “Vivemos tempos difíceis, com muitos desafios e obstáculos, mas ao celebrar Santa Rita, sentimos a esperança se fortalecendo em nós. Neste momento, o que precisamos é isso, por mais que a tristeza nos alcance. Comemorar esta linda história de fé e amor faz com que sejamos motivados a seguir nossa caminhada”, incentivou.

A suspensão das atividades foi determinada por meio de um decreto assinado pelo prefeito, Marco Leandro Almeida Arantes, o Kito Arantes. O documento cancela todas as comemorações religiosas e cívicas que acontecem no mês de maio e representam a homenagem à santa padroeira e o Dia da Cidade.

Histórias de fé

Dalila Batista da Silva, romeira e devota de Santa Rita de Cássia

CÁSSIA – Em 1381, na Itália, nascia a criança que hoje os católicos chamam por Santa Rita de Cássia, e que está entre as mais adoradas pela religião. Depois de viver uma história de sofrimento com a família, a mulher conseguiu realizar seu sonho de se tornar freira e passou por episódios inexplicáveis.

Depois de conhecer a história da religiosa, muitas pessoas passaram a acreditar em seus milagres, como é o caso de Mariana Gonçalves dos Santos, 23 anos, que é natural de Cássia. Ela acredita que a intensidade da fé em Deus é o que a faz ser lembrada até os dias de hoje e conta que é muito devota da santa.

A estudante ainda diz que a celebração do dia 22 é uma tradição, da qual ela participa todos os anos, desde que nasceu. “Desta vez, não vamos até o santuário para adorá-la, e acho que esse momento entrará para a história, porque desde que me entendo por gente, a celebração atrai fiéis de toda a região. Santa Rita é quem está comigo em todos os momentos, em minhas lutas e conquistas; falar dela me deixa tão emocionada que tenho dificuldade em encontrar as palavras corretas”, destacou.

Em 2019, a romeira Dalila Batista da Silva, saiu de Muzambinho e viajou a pé, em devoção à religiosa, até a igreja de Santa Rita de Caldas. Neste ano, seus planos para a data, incluíam conhecer o santuário de Cássia e participar da “Benção das Rosas”, no entanto, terá que assistir tudo pela internet. “São tempos difíceis, mas com muita fé em Santa Rita, vamos passar por isso e, se Deus quiser, no próximo ano as coisas voltarão ao normal”, incluiu.

Dalila narra que a origem de sua devoção vem de sua infância, quando ainda não conhecia a santa, e recebeu o que chama como milagre. “Um vendedor de quadros foi até a minha casa, no sítio, e minha mãe me pediu para escolher um. Olhei para aquela imagem de uma mulher com roupas de freira e achei muito bonita, não sabia quem era, mas quando vi o quadro na parede, pedi ajuda para uma coisa que precisava muito e, no mesmo dia, fui atendida. Depois disso, nunca mais me desapeguei dela e já recebi inúmeras bençãos”, revelou.

A crença de Annelize Batista Filho também vem do que ela julga ser um grande milagre, que aconteceu quando recebeu uma medalha de Santa Rita de Cássia, após sofrer um acidente de trânsito. “Sou cassiense e adoro a ela desde que nasci. O acidente me levou a uma perda de memória, mas isso não foi nada perto do que podia ter acontecido se ela não estivesse ao meu lado. Hoje em dia, a minha protetora faz parte de todas as minhas orações”, salientou.