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Casmil perde 50% do faturamento e demite mais de 50 funcionários

Por Adriana Dias / Redação

20 de Maio de 2020

Foto: Divulgação (Agência Brasil)

PASSOS – Alguns funcionários da Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil) protestaram na manhã da última segunda-feira, 18, em frente à empresa ameaçando paralisar as atividades por falta de pagamento de salários e do 13° de 2019, entre outros direitos trabalhistas. O presidente da Casmil, o produtor rural Leonardo dos Reis Medeiros, recebeu a reportagem na tarde desta terça-feira, 19, quando disse que a empresa vem passando por sérias dificuldades financeiras já há alguns anos e a pandemia só agravou, fazendo com que novas demissões fossem necessárias. O faturamento que era da ordem de R$12 milhões por mês caiu em torno de 50% e demissões já somam cerca de 50 profissionais.

Desde 2007 à frente da presidência da cooperativa, tendo ingressado a pedido do Ministério Público na época da Operação Ouro Branco, que apurou fraude no leite, Medeiros conta que, vem sendo reconduzido ao cargo e tem lutado para tirar a Casmil de uma situação em que vinha arrastando há muito tempo.

Os trabalhadores estavam reclamando da falta de comunicação por parte da diretoria da cooperativa com os trabalhadores, bem como a falta de posicionamento de quando a situação será regularizada. Com isso, Medeiros explicou que na segunda-feira mesmo, ele chamou dois representantes de cada setor e falou sobre as dificuldades da Casmil, e que, se inflamassem para a paralisação das atividades a situação da empresa estaria ainda pior e isso refletiria na impossibilidade de arcar, inclusive, com o pagamento dos acertos para os já dispensados.

Já ex-funcionários demitidos recentemente da empresa reclamavam que até agora não teriam recebido o acerto trabalhista e a diretoria não teria dado previsão de quando será feito o acerto e nem como. Sobre esta situação, Medeiros explicou que todos os acertos já foram feitos.

Não só a redução de funcionários tem sido necessária, como também outras despesas com terceirizados. Para haver um equilíbrio nas contas, estamos fazendo todos os acertos. No começo do ano dispensamos alguns funcionários, fizemos o acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Sociedades Cooperativas do Estado de Minas (Sintracoop), cumprimos todo o acerto e são acertos volumosos, pois são funcionários que trabalhavam há muitos anos. Em março fizemos outra redução de outros 26 funcionários. E, depois de termos feito o acordo, a metade deles foi à Justiça e, então 50% estamos pagando como havíamos combinado e a outra parte foi feito acordo judicial nesta semana, e que também vamos cumprir. Nossa responsabilidade é esta, dar segurança a quem trabalhou e a quem trabalha na empresa”, disse Medeiros.

O presidente confessou ter sido pego de surpresa com a reação dos funcionários.

Cheguei pela manhã e vi alguns funcionários da indústria aqui na porta inflamando os outros, mas eu chamei para ouvi-los. Pedi que viessem dois de cada departamento. Conversei e expliquei que o que estavam fazendo só iria piorar a situação. Tanto da empresa, quanto deles, pois uma empresa de portas abertas, ela pode ainda dar um suporte. Se fechar, a chance é zero. Temos que pensar que se o salário está atrasado em 12 dias e falta o pagamento do 13º também, está ruim, todos estão apertados, mas, se fechar aí impossibilita tanto este pagamento. Com a Casmil fechada, não dá para pagar imediatamente a ninguém”, complementou o presidente.

O presidente da Casmil, o produtor rural Leonardo dos Reis Medeiros, recebeu a reportagem na tarde desta terça-feira, 19. / Foto: Divulgação

Presidente descarta fechar cooperativa

PASSOS – Questionado se há a possibilidade de fechamento da Casmil, o presidente Leonardo Medeiros garantiu que não.

Não estamos trabalhando neste sentido. Nossa mobilização é para a reestruturação. Vai dar um desconforto grande. Temos um patrimônio grande. A área da ração, fazenda, imóveis em São João Batista do Glória, os postos de combustíveis, lojas. Ninguém precisa pensar nisso, nem funcionário, nem produtor rural que têm as suas cotas. É necessário passar por uma readequação. Agora, o leite não está possibilitando a negociação dele, pois a concorrência é grande. Precisamos fazer uma reestruturação gradativa. Temos o problema da indústria se dentro da cidade, na zona urbana. Isso traz dificuldade. Usamos gás e energia mais cara, tratamento de esgoto muito mais caro do que se fosse em outra área rural, por exemplo”, salientou.

Ainda conforme o presidente, neste momento de pandemia será necessário deixar a indústria onde é e buscar, por exemplo, o crescimento da fabricação dos produtos como a ração, que tem sido o carro chefe.

Da forma como estava com 50 funcionários, do jeito que estávamos operacionalizando sem o leite a granel, é inviável. Temos que chegar num lugar comum. Nossos produtos são de ótima aceitação, mas não conseguimos mais vender para o Estado de São Paulo por exemplo. Para lá não vale a pena, pois só de imposto vão 12% de ICMS, que as indústrias de lá não pagam. Eles têm incentivos fiscais que nós não temos. Então, estamos trabalhando na busca por linhas de crédito para esta readequação. Estamos aproximando disso, mas com a pandemia tudo ficou parado”, afirmou.

Uma das ações que a Casmil acredita como certa é a consultoria.

“Entendemos que precisava desta reestruturação. A tecnologia não para. A diretoria como um todo enxerga que é necessária esta readequação e cremos que é o melhor para Passos. De Passos, do porte da Casmil só tem ela como genuinamente passense. Seria um dó ver este patrimônio perdido, não pode ser mais uma na lista do ‘Passos já teve’. Este tem sido um momento difícil, mesmo não podendo competir com o leite, ao menos pedimos que os produtores adquiram nossos produtos como a ração, medicamentos e insumos. Quanto mais faturamento reverter a curto prazo, mais fácil será esta transição de adequação”, afirmou.